quinta-feira, 18 de junho de 2015

13:23

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Chove
uma chuva
de flores
vindouras




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13:05

Oras, pois.
Chove. Para de chover. Daí vem o frio.
O céu está cinza. Parece que sol viajou para algum outro lugar do mundo.
E o mundo, fica cinza sem  sol.
Agora que está cinza, permitido é aos pensamentos,
acinzentarem-se também.
Embora aja o vício de estar no rosa, ainda que cinza esteja.
Estou sempre atrás dos raios rosa.
Insisto na busca, tenho gosto pela busca. Até mais do que pelos alcances.
Porque uma vez que se alcance, era uma vez a busca, e Fim.
O cinza está cheio de possibilidades, é bem interessante.
Observando o cinza, sinto seus ares de rosa.
Mergulho com gosto para dentro deste cinza porque consigo
alcançar-lhe a beleza costumeiramente oculta.


Um dia sem sol não é um dia perdido, de forma alguma.
Um dia cinza é cheio de desafios. Há que se perceber sem o
acréscimo daqueles raios que nos presenteiam com todas as cores.
De todas, a que prefiro é o rosa. As horas cor-de-rosa lembram as
rosas do jardim da minha vó, onde nunca houve uma flor cinza.


Flores cinzas. Flores frias. Flores de mistério.
Quero m buquê de rosas frias e cinzas. Posso sentir-lhe o perfume.
E é bom, tem cheiro de chuva e folha. Seu toque, é molhado.
Há que se ver a cor, a partir do cinza. Seu brilho de água.
Dias cinzas suscitam a memória dos sentidos.
O cultivo de uma nova cor de flor. Flor sem cor,
mas o cinza deste dia está tão cheio de cor...


Um dia cinza com ares de rosa.
Flor fria, inspira-me o calor.
Sinto pelos dias cinzas, amor!






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quinta-feira, 4 de junho de 2015

18:08

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às vezes o amor
faz a ronda, denuncia
 aquele seu cheiro de onda,

_e aí, pronto!
se apronta,

é só saudade que aponta.





[infinitos que se arrastam sem demora...]



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sexta-feira, 15 de maio de 2015

02:08

À beira de ti, escorro-me, insinuações. A noite sem estrelas reforça teu perfume de brumas. Misturo-me às nuvens, às vezes, sinto que evaporo. E resto. Partícula. O tempo do sonho deveria ser JÁ. Fecham-se meu par de olhos castanhos, par de brilho âmbar por você, e reabertos, deparam-se nos teus, azuis tempestade que se anuncia. Nuvens vem, nuvens vão. Você não. Somos um par de contramão. Vias opostas sem conformes, enquanto o sonho vai virando desimportância, a gente cansa e para de sonhar. Ainda que haja nuvem, hajam estrelas e haja até um bem-te-vi, pássaro que não se cansa de cantar. Sonhadores pares de asas. Não devem envelhecer,  JÁ que cantam e sonham sem parar. Bom seria dar uma cambalhota no ar, agora que as nuvens baixaram mais. E dar uma boa cambalhota na lógica, no tempo e nesta impossibilidade que já se concretizou. A janela de onde faço mirante, reflete meu rosto, no reflexo, choro. Mas não sinto mais o gosto das lágrimas. Junto às minhas insinuações, arma-se um aguaçal. Um aguaçal de lembranças, de palavras, um aguaçal de uma saudade que tem saudade de sentir saudades tuas. Onde te guardei, não sei, sei que não rasguei nenhuma das tuas frases, quase sempre estranhas, nem a meia dúzia de sorrisos de nossas conciliações. O acaso virou a esquina. sumiu do mapa, deixou só este gosto de nada, nada que contemplo agora defronte à esta janela. E esta noite que já parece velha, enquanto o sono  não vem,  sonho. O  nada é feito aquele tipo de sacanagem que não resta, mas resta, nem que seja um cisco, e machuca, os olhos, das lembranças, e os olhos da alma. Faz sentido dormir. Mergulhar no inconsciente e sumir. É hora de ir. Foi bom estar do teu lado, no meio da chuva, sonhando passos que não serão dados, mas que mesmo assim, ecoam pela avenida, comprida, como essa vida, e os ecos de tua pessoa querida.



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quinta-feira, 14 de maio de 2015

23:14

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é como se não fosse possível
unir o que está em cima
com o que está em baixo
 
 
o que de fato não é possível, mesmo!
 
 
isso é o vazio.
 
 
Você não sente vazio?
_ uau!!!
 
 
 
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20:24

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Então você diz alguma coisa, e o que foi dito, já não é mais a mesma coisa. Porque antes a gente pensa. E a coisa pensada também não é só uma coisa. Mistura muitas outras. E outras. E não há linguagem que faça caber nas palavras a coisa que se sente. E se quer dizer. Botar pra fora. Fazer florir. Mas não há como traduzir. Coisa que se sente é de um sentido tão fino que parece escorregar das palavras.
 
Coisa que se diz, ou melhor, coisa que se quer muito dizer, tem que abusar das palavras, e buscar sentidos além, pedir o embalo das mãos,  pedir aos gestos, auxílio aos olhos, _dancem!, aos poros, às ânsias, ao delírio, coisa que se quer muito dizer, tem que exalar, e abusar de algum extra sentido que se faça perceber. Surpreender.
 
Senão, é essa torre de Babel. Parece a mesma língua, mas é língua que todo mundo fala, mas ninguém entende. Talvez no beijo. E olhe lá!. Gastam-se os beijos quando dados por dar, e parece que dar por dar virou a forma de amar. Onde foi parar o deslumbrar? Errou de caminho?
 
 Falar. Escutar. Não tá funcionando. O que se diz, chega aos ouvidos de quem ouve, cansado, esgotado, roubado de tantos significados, que fica lá pelo meio desta viagem um gosto amargo, uma frustração de não conseguir dizer, não conseguir ouvir, não conseguir alcançar a palavra, o sentido, a pessoa, a emoção...
 
Tem salvação? Talvez não. Ou sim. Depende como sempre, do amor. Mais bota força no amor... Vontade, muita vontade, porque quando você 'garra" no amor com força, e usa toda a certeza do teu ser pra fazer aquele ser, ali na sua frente entender, você agrega à todas as tuas palavras, o teu gosto, o teu cheiro, o teu toque, teu, e reveste tudo de amor, lambuza, abusa de todo jeito deste sentimento que parece, todo mundo pode, ou deveria poder, entender:
 
O amor, alimenta a fome da gente. A fome monstruosa que a gente tem por dentro. Fome, tristeza, separação, frustração, a sensação de abandono, de ter sido esquecido neste mundo sem Deus, fome de afeto, desespero por sentir-se amigo, querido, ganhar colo, calar o gemido de criança que fica, quando finalmente alguém te dá o amor, amor que conduz a palavra, palavra amorosa que cala, no abstrato do seu mundo, e seu leito de confortos que nos faz sentir, alimentados, alimentados de amor.
 
 
Alimentados de amor.
Alimentados de amor.
 
 
[A fome não é um pavor? Dor]
 
 
 
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sexta-feira, 27 de março de 2015

20:48

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oferecer nossas belezas ao ser amado,
é moleza,
somos exibicionistas, temos sede por adoração,

AGORA,
oferecer nossas decadências, nosso lado doentio, feio, lúgubre
expor o que em nós dói,

este sim, é um grande gesto de AMOR.


[eu acho]



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quinta-feira, 26 de março de 2015

20:15

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Deve ter sido coisa daquele passarinho cantando na minha janela. Só sei que acordei com carinho. Um carinho enorme no coração. Pelo ser humano. Todo ELE. Toda gente, toda forma de ente, é tanto que chega doer  no coração. De tanto carinho. Pelo ser, humano. Todos sem exceção. Os que estão à direita. Os que estão à esquerda. Os que estão ao meu lado, os que estão longe, os que combinam comigo, e todos os que não, os que eu consigo entender, e todos os que me parecem estranhos no ninho. Os estranhos e seus caminhos. Até me lembram passarinhos, esses seres humanozinhos.
Destitua o ser humano de suas roupas, das suas coisas todas, seu lugar social, seu vil metal, e ali estará um ser passarinho. "Metaformize": tão bonitinho, tão puro e desprotegido esse ser quando desprovido... Quem é o ser humano sem as suas materialidades? Observado ente, observante ser.
Dá tanto carinho no coração... Um único ser é um mundo todo, e ao mesmo tempo, é um nada. Nada versos nada. Um grão. Um sopro. Um pó. Tão só... Nasce, sofre pra crescer, sofre pra entender oque fazer do corpo, e de todo sentimento que se acumula em sua cabecinha ululante, e ainda que cresça, e ainda que faça e aconteça, não haverá fortaleza que o proteja de um giro próprio, um giro que não lhe permite decidir. Só se iludir. Só da pra ir. E cair. E tornar a ir, e se possível se pondo a rir de sua própria insignificância.
Rir pra não chorar. Ah!, este mar de estrelas em que está contido mesmo sem notar... Tão engraçado o ser humano. Pensa que vai pro céu num dia desses, e se benze, _ Deus nos livre e guarde!, sem se dar conta que já está no céu, só sente seus pés tão firmes no chão, ser da terra, quando de fato, está flutuando pela imensidão do tudo. Do Todo. 'Metaforize': Imagine a terra. Rodando, rodando. Agora imagine-a de longe, mais longe ainda, suspensa por entre estrelas e espaço que se expande ao infinito. Deixe-se levar. E vá além. E mais além, e então, olhe todas as estrelas ao redor, as constelações, os planetas, as novas, as super novas, os sóis, as luas, e solte-se mais, e sinta o silêncio canção, e por instante, um instante só, volte seu olhar para trás.
Procure alguém. Onde foram parar os seres humanos? Cadê os passarinhos e seus ninhos, onde foram parar seus caminhos e seus descaminhos? Não dá um imenso carinho no coração imaginar o ser humano no meio dessa imensidão?
 
 
 
 
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terça-feira, 17 de março de 2015

19:06

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Pergunte-se ao poeta:
_ basta sentir?
 
ele dirá:
 
basta para sentir
e sentir basta.
E o quando isso
pode ser mais
é condição de dar.
o salto.
O importante é ir
ao encontro,
e ao seu,
falei, falo
sempre irei!
 
 
BONITO!
 
 
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18:59

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emocionar não é uma tarefa simples. não se emociona alguém com ruídos. com gritos. com apitos.
com ódio. com inverdades. com esnobismos. com ausência de sorrisos. sinceros. delírios. prefiro.
emocionar é um verbo que inclui. jamais exclui. ou humilha. denigre.ou persiste na burrice.

emocionar é comover. COMO VER a coisa. e ver tem que ser lindo. gostoso de comer com olhos.
como dizia o emocionante Professor Rubem. Tem que dar vontade de pegar. de  chegar. junto. participar. se não provoca o carinho, vira à esquerda, dá  meia volta, ou volta. a ver. COMO VER.
jamais será visto o ódio emocionar. por isso passeei no parque. domingo. tava bonito. que só.


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sábado, 14 de março de 2015

13:03

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Um conflito
só faz sentido
se for pelo aumento
 
DOS SORRISOS.
 
 
[literais e metafóricos]
 
 
 
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quinta-feira, 5 de março de 2015

20:42

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NÃO


                      fazer


                        sentido

é a única coisa              


                                          que combina


                     COMIGO


                             *

18:06

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Explico.
Eu explico, tu explicas, ele explica, estamos todos sempre a explicar. E a nos explicar. Faz sentido. A gente é meio complicado. Cada cabeça carrega seus zilhões de certezas, misturadas à outras tantas sentenças, sinapses atrás de sinapses, neurônios se esbarrando sob o impacto dos nossos sentidos conhecidos e os outros tantos, pouco percebidos. Ainda. Por nós.
 
Talvez por isso exista a poesia. Lá, dentro de um poema, existe um mundo que não exige explicação. Você pode mudar o sentido das horas, acrescentar ou tirar sem ter que provar noves fora, você pode liberar a cachola como se não existisse mais nada nem ninguém pra quem explicar do lado de fora.
 
Não existe explicação que se aplique às nossas licenças poéticas. Ainda que muitas delas sejam patéticas. Uma coisa pode começar exatamente onde a lógica exige terminar, você pode se sentir feliz ainda que não haja motivo, e você pode esticar os conceitos, e chamar o amor do seu jeito, você pode se expressar sem receio, acabar uma frase no meio, e entre um isso e um aquilo sem nome, você pode, simplesmente reinar.
 
Poesia é reino, de um servo só. E só, nem sempre quer dizer único. Ou sozinho. Pode ser um belo caminho. Um estribilho, o caos de um redemoinho, pode ser a margem de um riozinho, ou um barco, a remo, pode ser um lugar ermo, conter as dores de um enfermo, perdoe-me os termos, mas é que eu não sei explicar. Eu só sei chegar ao fim do dia, lamentar as palavras perdidas, e ainda que escapem-me os sentidos, sem os pudores da explicação, acabo me misturando a elas, que chão!, em busca de alguma poesia que me acalme o coração.
 
 
 
 
 

quarta-feira, 4 de março de 2015

19:45

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Parece um bem-te-vi
e seu canto de boas novas

MARÇO chegou voando
e cantando à plenos pulmões:

_  o ano começou,
que não vos falte direção!



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domingo, 8 de fevereiro de 2015

16:22

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o
que
você costuma por
pra esquentar?
 
 
 
 
 
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sábado, 31 de janeiro de 2015

22:28

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Bebi água do mar
até ficar meio tonta,
é que eu queria de volta
o teu hálito de onda...
 
 
 
 
 
 
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20:28

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O AVESSO
DO TEMPO
É ESTA TUA DEMORA
QUE INSISTE
EM NÃO
IR
EMBORA
 
 
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20:26

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Coisa esperável, o amor...
O silêncio que nos cerca parece fim de uma viagem,
traz  efeito de vertigem,
de balanço, de um morno remanso sem fim,
ou ainda qualquer coisa que valha, uma subido grito, um gemido,
tantos ais perdidos neste labirinto,
 
 
_ Durou quanto?
o tempo,
aquele outro tempo,
ou foi um destempo aquele meio minuto?
 
 
que se cumpriu, mesmo sob a ameaça cumprida
de haver toque nenhum,
fez-se visita, assim, quase sem dar na vista,
nos dando apenas o tempo do registo;
pisco um olho, depois outro,
 
e penso, penso e penso,
como eu insisto, nisso,
os cílios, meus, femininos artifícios,,
lembram-me de o quanto eu ainda, acredito...
 
Acredito no que não foi, tendo sido,
e no que é:
 
o amor,
sono,
reminiscências,
resplendores,
ardores,
explosão,
carícia,
 
mirando eu meus olhos,
derretidos,
quase escorridos cor de mel,
tão acostumados à esta amarga desconvivência
a verdade, coincidência ou não,
fica ziguezagueando em  esparrela,
 
_ tem cabimento um beija-flor
não sair da minha janela?
 
 
 
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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

11:11

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um sim é um sim
um não é um não
 
mas antes disso
há muita
indecisão
 
 
 
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quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

21:00

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Talvez haja uma chance. Talvez seja uma saída. Quem sabe uma entrada? Uma estrada nova, uma estrela que nasce no céu, o broto de uma flor que não vingava até então...Talvez seja uma brasa. Um riscado. Uma gastura. Uma febre. O calor... Talvez não seja o tempo das águas. Talvez seja o tempo do fogo. E da rapidez. Dizem a lucidez ser filha da calma, mas quando se está no meio do caminho, quem quer ter calma? Quem não saúda um pouco de insensatez? Tudo que se quer é agora. Para agora. O tempo é fugidio demais para os líquidos, no fogo há uma luz apressada, uma urgência que não quer saber de licenças, invade e fim.  E nada tem fim. Tudo permanece. Menos oque se sente. Passou o tempo de ser descrente. Há um brilho estranho desta vez. Há um pulsar acelerado da vida querendo queimar. Varrer. Suceder. Ocupar sem cerimônia. E decidir sem pensar. Oque se ganha com tanto pensar? Pensar foi gestação. Acende-se o fogo do parir. Do fazer surgir. De viver pra rir. De permitir que se alastre. Faça rastro. Vire cinza e se espalhe. Pelo vento. Mas guarde a chama. E esparrame-se em mais chama. Chama que chama para um novo existir. A vida. A vida não é de mentir. E muito menos de brincadeiras:_ já chega de marcar bobeira. A vida quer mais; quem  se contenta com 'xurumelas' e meia dúzia de velas amarelas?..., a vida quer ser bela, pra ontem, acelerou, está rápida como um rastilho, vívido, ímpeto, puro há de vir que veio, cheio de si, e nada parece que vai impedir partículas urgentes em colidir...
 
 
[impressões/intuições muito pessoais para Dois mil e Quinze]
 
 
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