quarta-feira, 25 de maio de 2016

21:00

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a ADMIRAÇÃO
é pra ser um troço
múltiplo,
 
mas a PAIXÃO,
ah, a paixão, meu bem!
 
é pra ser única.
 
 
*

17:17


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Chega um momento em que você não escreve mais de forma prática. Não é um movimento que intencione alguma coisa. Nada nem ninguém. É você com você mesmo. Apenas. É libertador. Você olha para as consequências e sorri porque elas podem seguir livres,  tudo não passa de um pequeno segundo retido nas letras. Apenas isso.
 
Olha o tamanho do Universo. Agora olha para as linhas. Tudo e nada ao mesmo tempo. Nada demais num mundo tão descomunal de grande.
 
E você passa a escrever apenas para organizar a sua mente. Um terceiro universo. Só que do lado de dentro e sem mais.
 
O que a gente pensa é a coisa mais doida do mundo.
Paro para botar reparo no que se passa em minha mente nesse momento.
 
Absurdos inomináveis tomam de assalto o Brasil varonil, pobre Pátria mãe, esfaqueada por todos os flancos, noticias estapafúrdias confundem nosso tempo, destaques para personagens sombrios e vulgares, o fim de uma possibilidade de firmação, internet sendo usada para transmitir crimes ao vivo, pedidos de perseguição aos pensadores, censura dessas pessoas, o mal permeia, ronda, e infelizmente, começa a mostrar sua cara, descaradamente.
 
Assusta. Será que o que era visto como uma conspiração, é de fato, um fato...
 
Toda essa gente no meio desse mecanismo ultrajante de tornar nosso solo um reinado, uma corte de fazer corar a republiqueta da bananas, das pipocas, dos personagens bizarros, toda essa gente tem família, tem pai e mãe, filhos, deita de noite pra dormir, tem travesseiros de penas de gansos, e dormem, e acordam, e fazem parte do mesmo mundo que a gente.
 
É TÃO ILÓGICO.
 
 
O pensamento salta para uma tentativa de fuga. Para onde fugir. Onde encontrar asilo para uma vida sem esses sobressaltos contínuos, esses assaltos à nossa soberania, à nossa dignidade, que tempos serão, pra onde fugir, lembro do Mujica, o adorável ser humano que completou 81 anos de uma vida honrada, ele e seu país tão calmo e lúcido.
 
O que eu poderia fazer da vida no Uruguai. Pesquisar.
 
Putz, tenho tanta resistência em mudar...
Sou do signo de Touro. Fiz aniversário esses dias. Nada demais. Parabéns e tal. Meu presente para mim mesma está à caminho. O que lembra futuro, e dá receio. Como fazer planos nessa mundo de Deus...
 
Planos. Não gosto dessa palavra. Muito fria. Meta também não. Sonho, a palavra é linda, mas o Universo dos sonhos, bem, quem haveria de querer sair do mundo dos sonhos pra vir parar aqui nessa terra insana, né...
 
Nem planos, nem metas, nem sonhos.
Intenções, não. Desejos, não.
 
Não sei que nome dar ao que pretendo realizar.
Mas tenho coisas que quero fazer.
 
A musica que toca na rádio muda meu foco de pensamentos. Me lembro do pensamento mais insistente dos últimos tempos, e todas as variações. E oscilações. Lugar cativo. Interessante como esse bichinho mimado que sou por dentro gosta de zanzar por certo pensamento. Dureza de segurar.
 
 
Volto à musica.
Nome da musica: DERRENTENDO SATÉLITES.
Uma das minhas musicas prediletas. Sou simplinha. Ou não.
Pedaço da letra:
 
" onde sua mão está agora,
a minha você sabe bem,
quanto mais tempo demora
mais violento vem..."
 
Uau!
 
A d o r o  essa musica.
Acho sensual, erótica, íntima, imagino esse diálogo entre dois amantes, e a cumplicidade que precisa haver para que haja a intimidade solta, sem pudor, sem freios, sem filtros, entregues...
 
Sexo é aquele pensamento que tem seu lugar cativo em todos os universos mentes, quem diz que não, mente, senão...
 
 Tudo gira em torno do sexo:
 
sexo e fome
sexo e sede
sexo e prazer
sexo e amor
sexo e poder
sexo e dor
sexo e medo
sexo e vida,
 
 
O sexo que eu penso é um universo malemolente. Quente e intenso. Lento e urgente. De beijos de corpo inteiro, e alguma coisa à mais. Só minha. Cá dentro ele é das coisas mais bonitas. Um pedaço de paraíso almofadado, perfumado, de passeios percorridos de dentro  pra fora, de fora pra dentro, de uma conexão onde até as partículas lilases da vida gozam felizes.
 
Pois é. Pensamentos saltitantes. Um sucedendo ao outro, terreno de altos e baixos, de felicidades imensas e mágoas, de mergulho e de recuo, de sorrisos e aflição, de uma ansiedade galopante feito um cavalo selvagem, e de ventos e de brisas, de mares e tempestades, de memórias e feridas, de coisas pequenas e queridas, de planos metas e sonhos, um universo de intenções.
 
Pensamentos de inverno. Quentes ideias. De saudade. E temperança. Tem som de criança. Espoletas e fogos de artificio. De canções e poesias, de ideologias, de montanhas e asas, de sossego e corpos refastelados, de céu azul, de uma praia mansa, de uma casinha de janelas imensas, o cheiro de algo bom de comer, vindo de uma cozinha barroca, um bolo, talvez um peixe cozido com ervas na folha de bananeira, uma voz linda chamando pra mesa de toalha colorida e louças brancas, e umas cortinas de tecido transparente  lembrando a gente que aquele ali é  um lugar só nosso, um mundo e meu convidado. O mundo convida.
 
O mundo. Dos mil e um pensamentos. Que não param. E que escritos parecem até mais bonitos e convidativos.
 
Voltemos à vida.
 
E que ela viva. E vivas! Viva o que é dito. E viva o que é entendido. Viva o que a gente não vive mas sonha. E viva o que a gente nem sonha que pode viver. Viva a força do que tem que ser.
E que os dias sejam assim,  mais território para o que nos faz BEM.
 
 
 
*

segunda-feira, 23 de maio de 2016

16:49


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Considerando-se a zona que este mundo está, deveríamos todos fechar as portas. Da casa. Da alma. Do coração.
 
Embora o mais esquisito nessa zona é que nós mesmos somos responsáveis por ela. A zona. A suruba. A xepa. Final de carreira. Fecharíamos as portas e restaria o mundo e seu fluxo natural, onde se pensando bem, é um baita de um caos também.
 
A lei da sobrevivência. Do mais forte. Do maior que come o menor. Tá lá a florzinha bonitinha, vem um bicho, come a flor, mastiga a flor, vem outro bicho, come o bicho que comeu a flor, vem outro bicho maior, come os bichos e a flor, aí vem o leão, come tudo duma vez, deixa as carcaças pros urubus, que dizem que junto às baratas, são os seres que resistiriam bem à uma hecatombe.
 
O fluxo da vida é agressivo e forte. Tem uma força descomunal. O que faz pensar abstrato, o Universo, essa coisa que ninguém sabe o que direito, avançando entre colisões e explosões e o caos, que ao mesmo tempo é
 
PURA BELEZA
 
 
Vida doida, mundo louco, gente, bichos, flores, paixões, política, bem, mal, caos, serenidade, abre a porta, fecha a porta, tranca a mente, escancara, se joga, se prende, esquece, prevalece, e tudo que insiste, e a mente lá,
 
essa desgovernada, tresloucada, mandona, mafiosa mente, que faz conchavos com o coração, com os batimentos, com as coincidências, com as dores, e traz esse fluxo bandido pra dentro da gente, 
 
tá a gente lá, aquela coisinha miúda de nada, uma florzinha de mato, daí vem o acaso-bicho e come a florzinha, e vem o destino e come o acaso e a flor, e aí vêm os fatos e devoram tudo junto, e solta os bagaços pra restar junto à todos os bagaços do mundo, reajuntar, refazer, ciranda cirandinha, vamos todos cirandar, abrir, fechar, olhos, pele, corações,
 
tenho para mim que lá em cima, lá em baixo, todo lado para onde se estende o universo, somos nós por dentro, caos e beleza, todas as mentes de todas as coisas, animadas e inanimadas, colidindo, se esbarrando e de vez em quando, ganhando uns minutos pra ser flor. De mato. Antes que chegue o predador. Que será abatido também. O vai e vem. Não escapa ninguém. Pensar, convém!

ENFIM...
 
 
 
Não faz muito sentido o que aqui está escrito. Mas também, nesse mundo zona sem sentido a vista, escrever é das coisas todas, das menos esquisitas.
 
 
 
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quinta-feira, 19 de maio de 2016

00:26

 
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se há mesmo interferência dos astros na nossa vida, e é tão poético imaginar que sim,
 
[a racionalidade é nada no mundo das ilusões]

então imagina que louco se a gente pudesse dar uma embaralhada nessas estrelas todas com as próprias mãos, recombiná-las ao gosto do que nos apetece, dar uma estudada, reagrupar e tentar toda noite um acerto, até que o conjunto permitisse aqui em baixo, a gente alcançar o conceito de céu.

Que pra mim, seria:
é, exatamente isso, um eu e um você, possíveis!



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quarta-feira, 18 de maio de 2016

21:51

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Lugar nenhum
também
é um lugar.
 
[ senão, pense!]
 
 
 
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terça-feira, 17 de maio de 2016

16:20

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Então o outono vai se ajeitando na gente. Ou a gente vai se acomodando no outono da vida. Ameno tempo. De silêncio e manhãs geladas. A gente só aprende mesmo é com a idade. Que a ordem das coisas não é proporcional às vontades. A vontade é própria. Resta é o se ajeitar. Ao frio. À fome. À saudade. Às pequenas grandes rejeições, frustrações, com mimos de toda espécie de delicadeza que nos faça seguir ao sabor desta força que sopra e comanda, e só avança.
 
Avançar. Abraçar o que há. Há de ser o que de melhor houver. E se não for bem daquele jeito, arranja-se um jeito de se, novamente, se ajeitar. Se aninhar nas sensações. Pro frio, o agasalhar. Pra fome, o alimentar. Pra saudade, o suspirar. Pra o que não foi, o imaginar. Para o que pode ser, o esperar. E para todo resto, o viver. Catando folha pro ninho ser o mais quentinho que der. E se não der, esperar o dia em que há de ser.
 
Porque é o que a gente descobre. Prestando atenção. Tem tanto mundo lá fora, passando perrengues de toda ordem, e indo, seguindo o ritmo das estações, das condições, das aflições, e da pequena comemoração do entardecer de mais um dia ter nos permitido ser.
 
Ser o que somos na medida em que vivemos. Em que habitamos este chão, e sobretudo, nosso próprio chão. Habitar-se. Ajeitar-se. E para o frio de dentro, canções. Para a fome de dentro, talvez o cultivo das melhores intenções. E sonhos. E desejos de que tudo avança. E a gente se esbarra. Com novidades. Com surpresas. Com sustos, ou sortes, com tristezas e alguma cura, com saudades e o capricho dos acasos, com o choro, e com a calor do consolo, que vem de singulares menções.
 
Uma troca aqui, outra acolá, uma boa noticia, gente junto, gente que pensa junto, sintonias, inconscientes que se aproximam, instigam, te levam pra frente, ainda que frente seja o destino, o Universo, e todos os versos que ainda hão de rimar, outono com sono, folhas caídas com esperanças renascidas, murchar com aguar, entristecer com acontecer, idas com voltas, quedas com cascatas, águas com flores lilases, e caminhos com beijos, e beijos com trechos de alguma canção que não foi feita pra ser esquecida.
 
A vida, essa menina sabida que tem por mania nos lembrar que só o que importa é achar, um dia por vez, um bom jeito de se ajeitar. Nas estações.
 
 
 
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domingo, 24 de abril de 2016

14:14

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Entre pistas de um buscar por fora,
surgem evidências de onde estava o tempo todo.
Em estado de se apaixonar.
 
Buscando em outros rostos,
outros corpos, relatos alheios
de fatos em passeios que não são meus,
 
sensação de estar sempre do lado de fora,
esquecida a chave, ninguém pra abrir,
e é sempre gelado, é sempre assustador,
 
percorrer léguas submarinas,
sem perceber o que correto estava o célebre
D I T A D O
 
_ Busque-se a si mesmo!
 
pareciam palavras vulgares de
pouca ajuda,
best-sellers saindo em fornadas,
 
está em você
busque em você
ache-se
aceite-se
ame-se
queira-se
faça-se,
 
 
melodias marteladas refugadas
sem sentido,
palavreado encarcerado
em labirintos descabidos,
perguntando sempre,
 
como
por onde
de que jeito
não tem lógica
é muita retórica
sempre tão fraca,
pobre, sede
do outro,
 
o outro,
sempre o outro,
o socorro, o espelho, o reflexo,
a dependência, a carência, a urgência,
 
[sucessão de dores atrozes, vozes, passagens, velozes]
 
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Até que um dia você se nota. E você perdoa toda a podridão vestida, sentida, ferida, todas as milhares de flechas que abriram um caminho até você, que descobre que existe sim, UM VOCÊ. Uma novidade. Uma sensação inusitada de experimentar um ser próprio. Um algo inédito de prazer. Inóspita, desconhecida, linda figura que se pode amar, sem medo de errar.
 
QUANDO VOCE PODE AMAR, E AMAR E AMAR E SE DERRAMAR E SE LAMBUZAR E SE ESPARRAMAR E AINDA HAVER UM MAR QUE TE DIZ SIM, SIM, UMA GALÁXIA INTEIRA DE AMOR POR ESSA CRIATURA QUE ME HABITA.
 
[não é vaidade. é RESTAURO. É reencontro. É aceitação. é a firmeza de um chão que te recebe, e te esperava, e te aguardava por mundos e vidas sem fim]
 
 
Todas as voltas que meu mundo deu me trouxeram até mim. Tateio com suavidade, controlo meu exagero no que seja amar, ou descontrolo, esta é enfim a hora de extrapolar, e mimar, e chamar pra ninar, e acarinhar sem medo de ser excessiva, enfim, não haverá fuga, não haverá rejeição, nem frustração, nem um NÃO, aos carinhos, à proximidade, nenhuma queixa será feita à falta de liberdade porque enfim o cativeiro liberta, dentro da gente existe um portal.
 
Ser meu pão.
Ser minha comida.
Eu, apaixonada por mim mesma,
sem saber, mas sentindo,
eu era a minha saída.
 
 
 
*


sexta-feira, 22 de abril de 2016

17:22

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Tardes solares,
outonos que se recusam,
amarelos perpétuos,
 
tudo pede frescor,
e uma nudez refrescante
suave chama chega brisa
 
 
escancaradas janelas
apressadas preces pra ficar
prolongar
permanecer
a beleza aguda das tardes
de sol de
um outono vadio
adiando o frio de dentro
de fora,
corações aquecidos
querido
outono,
 
tarde,
faça-se tarde a frieza,
a esperteza,
faça a fineza de ficar
e resgatar o que o calor
 
de um verão gelado
onde nada aqueceu,
doeu, vira a página,
guardo os livros pra depois,
 
um xodó pra mim,
tardes de luz,
amarela nudez
que resta, brilha, reluz
 
o corpo que cintila,
há estrela,
há fases, e lua,
há urgência em estado de
paradoxo,
sossegada,
como quem vive sem viver,
 
estado de sim,
estado de flor,
estado de ser oque seria,
amada,
 
mesmo sem estar aqui,
quem, alguém, ninguém,
 
 
toda materialidade presente
pressente
que ausente é só um estar
do não estar,
estás,
 
mesmo que não,
mesmo que além,
 
minha boca,
minha pele,
minha cor,
minha sombra está alegre,
 
lá, de onde está, reflete,
tudo suave e leve como este
verão outonal, casual,
desigual,
 
você é mais lindo de longe
você faz amor comigo
na mente,
não mente,
ardente,
feito a tarde onde faço
da nudez,  poema líquido,
sem busca,
sem sentido de ser, sendo
 
 
sem procura, puxo
pra soltar o ar bem devagar
como quem sabe que
vai amar,
amando,
 
 muito nua. E crua.
 
 
 
*

quinta-feira, 21 de abril de 2016

00:33

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Sempre maior se faz o que já se foi.
Palavras antigas. Vespertinas.
Matutinas.
Mas ainda é noite.
E espreita.
 
Nas noites onde todos os gatos
são pardos.
E todo azul, escuro.
Um manto repleto de estrelas,
enquanto uns dormem,
outros não,
insônias em vão,
 
Rondas.
Silêncios que falam mais,
passos madrugam janelas
cortinas camuflam rostos
rostos que não escondem
delírios repetidos
antigos, repassados,
 
De um tempo a outro,
sonhos,
De um sonho a outro,
convulsão,
De uma paixão a outra,
a permanência de uma
ou outra,
exaustão.
 
Sempre maior é o que resta.
O que foi, não.
O que fica é encanto.
Lavado em cachoeira.
Águas que não lavam,
correnteza que não leva
leva lava leve brisa
sopra outra aurora
 
Noite, meia,
lua cheia de pudor,
quanto amor uivando
ao seu redor
à alguns, já conhece
de cor,
de cores e rumores de
que por ali,
uma alma
duas almas
150 almas
vezes 1000 outras tantas
 
tateiam vidros,
soltam gemidos de dor
algum prazer de supor
em vão, então
ouvem-se passos,
em todo canto uma sombra
sua nuance,
sua sombra,
 
sempre tem alguém ali,
por alguém aqui,
e versos, vices,
versam enredos, desejos,
imensidões,
 
 
debruçam-se parapeitos
trancadas janelas
soltas promessas
o anel, o motor, o avião,
 
que pende,
que ronca,
que voa,
 
e este chão, que é espaço
que recebe e solta e chama
águas,
ventos,
elementos,
passagens,
 
todos prontos pra viagem,
de dentro,
o apito noturno do guarda
que sonha, e lembra
também, de alguém,
denuncia
afugenta
 
 
imperceptível presença,
fantasmas de almas amantes
de dias
de noites
de fins e começos
e danças e tropeços,
 
todos salvos,
todos sãos,
faz-se alta, a noite dos
suspiros não reprimidos
 que serão,
mas exaustos bocejam,
 
é o tempo
que ronda e não traz,
passos atrás, a frente, rente, quase se sente
 
 
insistente o sonho
real, palpável, e um sono
que não é fadiga,
é apenas o alivio de não ter
sido percebido,
 
o íntimo caminho
percorrido.
 
 
 
*

terça-feira, 19 de abril de 2016

17:38

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Peguei a dor pela mão,
A coloquei pra dormir,
Ela sonhou que era flor.
 
Era uma vez uma dor
que desabrochou
e sorriu.
 
 
 
 
 
*

 
 
 


segunda-feira, 18 de abril de 2016

00:00




Me exibi pra paixão. E acabei marcada pela dor. Aí era uma vez. Decidi escrever. Convidei a dor pra entrar, e tirei  dela substância, ainda que parca, para me escrever. Escrevi de mim para mim. E me descobri.  Peguei gosto e segui. Letra por letra me atrevi. Escrevi sobre a dor e suas dobraduras porque aos meus olhos elas me pareciam bonitas... (Ah, olhos meus!, gosto estranho o teu) . Olhos que veem e mãos escrevendo.  Escrevi sobre a dor e suas pétalas caídas. Vi poesia. Vi beleza. Vi o lado escuro aceso.  Escrevi sobre a dor líquida, ouvi seu choro, chorei junto à ela, e deixei a  dor febril dos dias dos descobrimentos arder e queimar e me levar ao grande pequeno espetáculo do sentir. Escrevi sobre as avenidas da dor. E por elas transitei. Me perdi. Me encontrei. E depois afundei sem quase voltar.  Escrevi  sobre a loucura.  Porque dor é uma loucura em graduações. Amplifiquei seus sons. Equalizei seus tons. Aderi ao bloco. E cantei enquanto dançava com a dor seus passos descompassados de uma dança insana de rodopios e meias pontas. Alucinei. Porque é o que a dor e as paixões fazem. Alucinam. E nos visitam sorrateiras, uma tão ligeira, enquanto a outra perpetua-nos em ais. Vi poesia nas chegadas. Vi cenas que queriam partir. E rimei alhos com bugalhos porque escrever quebra um galho danado. Passa-se atestado de insanidade mas nos mantém, porém.   Espiei sua rima estranha com o amor. E me atrevi mais. Fui além. Passei quadras. Errei a mão mil vezes mil, e conheci seu lado vil.  Não me poupei, queria essa beleza estranha da dor. Porque eu a vi. A conheci. Virei íntima da dor pra poder chamá-la de amiga. Amei cada pedaço de dor abstrata que vivi. E criei. E chorei. E parti. Parti a louca dor em pedaços, e depois eu mesmo colei seus cacos. Chamei a dor de loucura por tanto insistir. Excessiva.  Fui. Fomos. Somos. Louca pra escrever toda a dor. Escrevi tentando captar sua extra sonoridade. Ora, vazia, ora odiada, ora caminha, ora me escapa, a reconheço por todos os meus passos, e sobre a dor escrevi pra alcançar seu pico. E nele pulei. E dele caí. Me feri e me curei. Gritei e me calei. Fuji e chorei. Fui e voltei. Morri sem morrer. Amei e me enganei. Nas palavras mergulhei sem saber nadar suas letras. Mas foi tudo pela dor. Muitas, causei. Certamente. Causei e virei as costas como carrasca que também sabe instrumentar. Machuquei as letras. Mas respirei e segui. E cantei pra subir. Com a dor. De correr os riscos. A dor de arcar com os prejuízos. A dor que faz perder o juízo, e ainda sim, ficar. Algo como um pecado original. A dor é raiz. Do primeiro segundo. A dor dos átomos. A sina que precipita-se a cada colisão, que repete-se infinita, se exceção. E, então, acordei um dia e,  eis que surge uma flor, e depois um jardim. Semeado de dor. Um mundo de flor por nascer, ou renascer. O inverso possível. A experiência é incrível, mas a gente só descobre depois.
 
 
 
Novas horas.
Algum Repouso.
Hora de mudar.
 
De assunto.
 
 
 
*


quinta-feira, 24 de março de 2016

20:11

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A ciência explica
que os espermatozóides
ao serem liberados no gozo

saem em disparada carreira rumo
ao óvulo para fecundar e virar UM.

LEDO ENGANO.

Quando liberados, eles disparam
apavorados, pensando tratar-se o óvulo
ser uma passagem pra voltar pro jardim.

Quem ganha.
Perde.

FIM.


{breve explanação sobre fecundação}



*

16:41



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Uma coisa é inegavelmente fato ----------------->
A VIDA SEGUE.


E é um espanto. Um soco na boca do estômago a cada olhar. A cada constatar que sim, ela segue. Você pode espernear. Você pode gritar. Você pode se acabar de chorar. A vida. Ela segue. E tem gente que fica pra trás. Azar. Chora, bebê!
 
Pode chorar. E resolvi chorar. Chorar toda a vida que seguiu sem que eu notasse. Devo ter parado ainda antes da colisão da partícula do meu pai com a partícula da minha mãe. Imagino um grande jardim, cheio de Lisyanthus, aquelas flores que têm todos os tons de rosa, passam pelo branco e terminam nos roxos, rosa, lilás, tantos tons, tanto perfume, parece tão bom na lembrança descabida, mas a proposta, tão atrevida, um anjo malvado pergunta, _ quem quer dar um pulinho por aí, fazer parte da vida de algum planeta, não especificou nada, Vênus, Marte, Terra, vagas abertas, e no atrevimento ergo as mãos pensando frente ao novo e a emoção.
 
Fui escolhida pra vida. Na Terra. Mas quando fui pra salinha escura da espera, um arrepio percorreu todo meu ser não-etéreo, e eu tenho certeza que eu quis voltar. Eu pedi pra sair. Eu desisti. Eu pedi. Me deixa aqui. Foi engano. Coisa de criança. Por favor! Pro favor! Já dá pra sentir aqui a dor que é esse negócio de existir. Por favor! Pro favor! Não tinha ninguém ali. A solidão. A vinda. Eu queria voltar. Mas não havia volta. Eu estava ali, na boca do existir. E pensei no recente dom da consciência:
_ que cagada! que cagada! que cagada!
 
[minha mãe sempre conta. Teve que ficar os nove meses da minha gravidez de repouso. Já havia perdido dois bebês antes de mim. Penso que foi sorte deles. Eu também quase não vinguei. Ela quase me perdeu umas tantas vezes. Hoje, sentindo essa dor remota, ancestral, penso que eu não queria. Eu já tinha desistido antes da colisão. Mas nada volta. Nem uma decisão. E aí eu vim, uma bebê cor-de-rosa que não chorou, tamanha tristeza. Não havia como voltar atrás. Estava feito. Ficar. Mamãe conta que eu era o bebê mais quieto do mundo. Não chorava. Não mamava. Ela tinha que forçar. Vomitar. Vomitava a não possibilidade de desistir. Vinguei. E não gostei.]
 
 
As lembranças me doem. Viver não compensa o gasto. Não existe querer. Existe a corrida dos dias, onde nada fica, só a vida que segue, sem que nada se possa fazer, ajeitar, remexer pra lembrar aquele jardim de flores de tons de rosa,
 
AMO tanto as flores, cor de rosa, lilás, brancas, nem precisa perfume, a cor inunda os sentidos, bom de tocar, bom de cheirar, bom de ver, bom de escutar, bom de tocar de novo, bom de lembrar, de intuir... naquele jardim sim, havia o livre acontecer, tão leve lembrar outrora vividos, nunca esquecidos, lembrar nem é o nome, lembrar...
 
NÃO esta coisa terrena, extrema de dor, de coisas feias, de vida que segue, queria vomitar todas as experiências, nada valeu a pena, nada que eu queira voltar, aqui não é o lugar, aqui é a cilada do tempo, da vida piada sem graça  AQUI A VIDA SÓ SEGUE
------------------------------------->
 
pra lugar nenhum.
Vez ou outra há um vislumbre de jardim. Algo que parece. Olhos de assim. Assim. Eu não quero estar aqui. Eu cansei daqui. Eu cansei daí. Eu cansei antes de vir. Eu não queria vir. Eu não queria vir.
 
Saudade. Palavra sem explicação. A gente pensa que sente saudade do vivido aqui. Mas não é não. Aprendida lição. A saudade é de outro lugar. Outro ar. Outro tempo. Espaço sem corpo. Almas livres. Nada a provar. Nada a conquistar. Nada a sentir . O lixo da paixão. O castigo de optar e vir. Renegar o jardim. O pecado do atrevimento. Tudo trocado por NADA.
 
NADA
ESTE É O NOME DO JOGO ----------------->
VIDA QUE SEGUE
 
E só faz magoar. Decepcionar. Magoar. Pisotear. Te provar o minúsculo, o mínimo, a insignificância da sua vaidade. O nome da condição. Sobrevivência. Sofrência.
 
VAIDADE.
Quem nunca, que seja hipócrita, e atire a primeira pedra.
Tudo é vaidade. A raiz de todo mal. O nome da rosa. A vida que segue. VAIDADES. Flores sem cor, murchas de dor, é tudo vaidade, sinônimos de dor. Tudo ORDINÁRIO. Tudo comum. É o que temos em comum. Todos. Não pense em exceção. VAIDADE.
 
A vaidade das mães. A vaidade dos filhos. A vaidade dos idealistas. A vaidade dos artistas. Dos poetas, dos velhos, das crianças, das fianças, das confianças, da esperança, vaidade do adormecer, do meter, do foder, de cada amanhecer, vaidade em dar, vaidade amar, vaidade levantar, vaidade até em cair, vaidade em cada sorriso, o nome do gesto, o nome do gosto, o nome da vida VAIDADE.
 
VAIDADE É VIDA QUE SEGUE -------------->
 
 
Tudo é só vaidade.
O preço a se pagar. Querer vir pra este lugar terrível, triste , onde o único gesto que fala é o chorar.
 
se bem que até chorar, é VAIDADE.
 
 
Vai lá.
No que você  faz é muito bem.
Se fosse eu, corria daqui também.
 
[o nome da licença hoje é foda-se, tô triste demais pra ter que pedir licença pra chorar até dentro da   minha própria casa]
 
 
*

quarta-feira, 23 de março de 2016

00:28

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Dei um pulinho no céu, que é o que a gente faz cada vez que visita aquelas lembranças, azuis que são,  de tanto céu, azuis que são de tanto mar, mergulhos de sonhar, não dormir pra acordar, lá dentro, no mais afetuoso lugar, aquele azul bonito que se intensifica, qualifica sempre mais e mais e mais, banho de sais, perfumes que pairam nas ondas de cada gota desse mar céu azul de lembrar.
 
 
Nem um som. Nem um movimento. É tudo por dentro. Até respirar pede pausa. Como se entre uma puxada de ar e outra, algo raro, único, irretornável, fosse escapar. Não escapa. Pode respirar. Transbordam águas que sempre voltam ao mesmo lugar.
 
A primeira intimidade. O suspiro. A reação. Outra ação. Tão delicada. Noite longa. Madrugada. Nem um toque poderia ter tanto poder quanto a palavra encantada. Despertada. Noites de lua. E estrelas. Ora chuvas. Ora poeira. E aquela zonzeira boa de tocar o irreal, o celestial momento de estar. No outro. E o outro. Te invadir. Sentir. Poderoso verbo. Sentir. Nada te rouba o sentido. São dos sentidos o território seguinte. Portal. Abram-se instantes. De novo. E de novo. Infinitamente dentro e além. Não é da mente. É mais. É céu azul. E mar. Quando nos pomos a imaginar...
 

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Dei um pulinho no mar. E ara tanto azul. Que parecia mais que mar. Já era céu quando fechei os olhos. E as estrelas se sumiram pra deixar o azul ser todo meu. Por uma meia hora. Ou um pouco mais. Estávamos juntos. Como o combinado. Lá no início. Pra Março. As estrelas tocavam pra nós, e a multidão sumia. Sorrir junto era a prova dos nove. Dos dez. Dos milhares de dias que negociamos ficar. Sua mão na minha. Minha mão na sua. Juntas, bocas sempre a procura, a sua à minha, como se a minha não estive a um palmo da sua. Dançamos como loucos. Alucinamos. E rimos. E rimos juntos como se só a gente soubesse o segredo dos sorrisos. O que te fato fazia sentido. Invadimos as portas do céu. Retomamos nosso estado de anjo. Eu, o seu. Você, o meu. E havia invasão. Angelicais eram nossos passos em direção aos nossos próprios passos, que se faziam prazer em compasso. Quando tudo é um prazer. Ou era. Acordar. Abrir os olhos. Despertar. Dentro. E ir e vir e nunca pensar em verbos finitos. Só os bonitos. Outra é a forma de ser dentro do amor. Ali não cabia nada mais, além do amor. Era céu. Azul do mar. Onde eu fui mergulhar. E você veio atrás.  Dei um pulinho no azul, e era tudo azul demais, azul que é a cor da fantasia que só se confidencia à lua, à cama, às aguas do céu às estrelas do mar...
 
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Que lugar é este pra onde a gente vai sem ir, e quer lá ficar , pra sempre, sem nunca mais ter que voltar... Será que o céu é um pedaço de tudo que se perdeu e se amou e se quis, será que o céu é descobrir que a gente era capaz de ser feliz, e assim, como o azul é azul em tanta matriz, ganhar um cantinho lá dentro, anjo ser de um, para o outro, pra dentro, mar, além, é tanto céu, fechar os olhos, e de repente ver a lua,  contemplar o tamanho da lua, e ali na janela, seminua, cantar baixinho qualquer canção que continua, nos ecos, dos suspiros, dos corações vadios, que antes de dormir, acordam pra bulir com sonhos, lembranças, pulos de prazer, azul do céu, bem fundo, no mar, dentro, fora, acima, embaixo, vontade de ir, e lá ficar!
 
 
 
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segunda-feira, 21 de março de 2016

23:01

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Parece que ontem foi o dia da Felicidade. Hoje, segundo consta, é dia da Poesia. Parece, inclusive, que todo dia é dia de alguma coisa. Boa. Faz sentido. Comemorar. Se eu pudesse inventar um dia para alguma coisa, inventaria o dia das Mãos. Dadas.
 
Senão penso: Quando penso em mãos penso logo em carinho. Porque tudo que é carinho passa necessariamente pelas mãos.  A comida, as casas, as poesias, os contratos, os agrados, a cura. Pelas mãos nascem os bebês, pelas mãos, por cada par de mãos passa a construção de uma história. Histórias de conquistas, de batalhas, de avanços. Grandes e pequenas coisas começam a se concretizar pelas mãos.
 
 
As mãos que obedecem aos pensamentos. Penso no grande, e nos delicados gestos das mãos. Como tem amor nas mãos... O amor, esse convite da paixão pra se estender e ficar nas mãos de alguém. Pro querer. São as mãos que acenam de longe o símbolo do que vem pra ficar. Tem felicidade nas mãos. E dizem que ela ali está. Em nossas mãos...

Felicidade. Quanta felicidade já não passou pelas palmas das mãos de cada um... Quanta poesia foi escrita no alto das noites, lápis, papel, um teclado, AS MÃOS, ponte que nos permite expressar para além das palavras, no GESTO. De abraçar. Porque o abraço começa nas mãos. De pegar o telefone, e teclar. Mãos chamam.São as mãos que enxugam as lágrimas do rosto, e perfumam a pele do corpo. São as mãos que convidam. São as mãos que aceitam.
 
Mãos divinas. Mãos feridas. Mãos deviam ser sempre o bem, embora hajam para o mal. Pensamento, pés, boca, olhos, regidos. Tudo tem lado. Tem movimento a ser escolhido. Mãos. Feitas para o belo. Poderia... Mãos - convite. Porque convite é pra ser pra algo bom. Ninguém convida alguém para algo que não se justifique honrado:
_ vem faxinar comigo aqui em casa, hoje!, ou _ vem fazer as contas aqui comigo, ou _ vem se foder comigo pra eu não me foder sozinho!..., não, convite é coisa boa que pressupõe honraria. Como as mãos. E a felicidade. E a poesia.
 
E as mãos, ali. Em convite. Me dê suas mãos, vamos ver o sol nascer. Me dê suas mãos, vamos dançar até a música cansar. Me dê suas mãos, vamos sair pelas ruas e sentir a chuva nos lamber vontades. Pelas mãos selam-se intenções, pelas mãos passam correntes, pelas mãos conectamos o corpo ao corpo desejado, com as mãos sentimos tudo que é amado.
 
Amor é uma coisa de mãos. Vivas, às mãos. Dia do amor. Vivas, ao amor. Todo santo dia. A gente junta as mãos sem sentir e faz pedidos. E fala com elas. E come com elas. E sente com elas. E convida com elas. Nasce na alma, pega o trem dos pensamentos, e vem até elas, o comando, os convites, os gestos de amor.
 
Amor amplo. Variado. Irrestrito. Tanta gente. Tanto amor. Tantas mãos. Entrelaçadas. Às vezes, afastadas, nem por isso, não sonhadas, o toque, o delírio, a aproximação, o calor que vem das mãos, e que a gente passa, transmite, emite, nas mãos, o convite é pra fazer de todo dia, dia de amor.
 
Dias de amor. Dia das mãos. Mãos que se dão. Convite:
Aceita, ou não...
 
 
 
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22:33

 
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aquele raro instante
em que os olhos
se fecham
pra sentir
o perfume
do
CÉU
 
 
 
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domingo, 20 de março de 2016

16:06


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De repente fiquei tímida:
 
não sei o que fazer com a pena.
não sei o que fazer com as tintas.
não sei o que fazer com os livros.
não sei o que fazer com as rimas.
não sei o que fazer com as linhas.
 
tecer
tecer
tecer
um fio é puxado.
Um fio inicial.
 
Chamado vida.
Que vem de onde, o fio original,
o tal que a tudo integra, grande trama
Universo de vidas e
energias.
 
Tecer.
Um fio. outro fio. amarra. dá o nó.
ou um laço. tem que ser bem dado.
nem muito fraco, nem apertado demais.
o próximo fio. passa, amarra, dá um nó,
ou outro laço, nem muito, nem pouco,
 
senão escapa o ponto, tem que voltar,
recomeçar, desmanchar anteriores
pra não ficar um bordado esquisito
tem que ficar bonito de olhar.
 
mais um fio. mais um nó. outro laço.
vai crescendo. formando um desenho.
tomando forma. já não é uma colcha.
nem um tapete. vai virando manto.
que aquece a vida.
 
fio por fio. uma vida composta de
nós, laços, apertos, presentes ligados
laçados, bem dados, recomeçados,
desmanchados, desejados, caprichados
e já é mais que um manto,
 
já é um mar inteiro, um pedaço de céu
tem estrelas, tem nuvens, tem tantas formas
coração, dragão, pétala, gotas, uma flecha,
tudo mira na trama, nos nós, nos fios,
 
Um nome para o fio: VIDA
Um nome para o nó: PAIXÃO
Um nome para o laço: AMOR
 
 
Feito digitais. Nunca iguais. Tramas amarram-se em outras tramas, feito a vida, esbarrando em outras vidas, emaranhando-se todas, um bolo, uma confusão, bom de olhar, hora não, abre a janela, tem que ter luz, e provocar a expectativa, a vida de cada um, querendo se juntar a vida de outro algum, o que nos faz próximos de uns, enquanto outros nos passam comuns, aos olhos, fios coincidentes,
_ por aqui quero me enrolar,
 
lá vem a vida, cheia de paixão, querendo bordar amor no coração de um, e de outro. Sucessivamente. Numa ciranda de sim e não. Pontos que se dão. Pontos que não. Fios de algodão. Tão macio ao toque. Embrenhar-se na trama do outro a ponto de virar uma trama só e gostar de ficar. E querer ali estar. E querer dali, continuar...
 
 
[aprendi com minha avó a bordar tapetes. Em um ponto chamado Arraiolo. Para tanto se faz necessário uma tela de bordar,  cheia de buracos vazios, onde se farão os pontos com lã. Lãs de todas as cores. Uma agulha grossa. E uma tesoura. E uma ideia de desenho. Talvez um rascunho riscado sobre a tela na intenção do que se imagina para o tapete. Você escolhe dizia vovó, que sempre preferia bordar à mão livre, formando na intuição do saber-fazer a beleza do resultado. Devo ter herdado dela a rebeldia, a indisciplina, a resistência em aceitar um plano traçado. Faz tempo que não bordo um tapete novo. O último adorna uma parede lateral pequena que tenho aqui. Gosto de olhar pra ele. É abstrato de forma e cor, embora perceba-se nele um padrão, uma simetria despretensiosa que se deseja agradável, apenas e essencialmente aos olhos de quem fez. Eu no caso. Sorrio pro tapete. Ele tem um pouco de mim. Demora pra fazer. Devo ter estado na companhia dos fios, dos pontos, por meses. E hoje ele é um dos muitos pontos de quem sou. De quem vou sendo.]
 
 
Ser é isso, pra mim. Se tecer. um ponto a cada minuto. Às vezes, precisando ser refeito. Às vezes percorrendo rápido a tela que é o dia. Às vezes, esquecido num canto de expectativas. Um tapete que pode virar um manto, não obstante, tem até pranto, não se pode negar, um dedo furado, uns calos por onde o ponto resolve dar nó. E sempre o fio. A atenção. O cuidado. O apuro. O respeito ao tempo. E aquele gosto aprazível de em certo ponto perceber que tá indo, já não é só uma tela vazia, já dá pra ver o formato, já dá até pra sentir prazer por ser aquilo que se tece, ponto por ponto, alternando dor, alegria, esforço, beleza, carinho, cansaço, nós delicados, paixões, laços bem dados, no AMOR.
 
 
[licença solicitada para TECER sem rascunho.]
 
 
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quinta-feira, 17 de março de 2016

23:13



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Tudo tão quieto. Um silêncio que parece imensidão de algo prestes a se romper. Nem um pio. Nem das folhas. Nem dos bichinhos da noite. Nada. Uma semana insana. Num país de insanos. Irracionais enganos. Dia 17 de Março. Véspera de acontecimentos. Um gigante perseguido. Assaltos de esperança. Sustos sucessivos. A soberania por um triz. Será que era uma vez uma país... A gente querendo só ser feliz, e tudo ruindo, bem embaixo do nosso nariz.
 
Narizes, marquises, príncipes desencantados, uma corte mal assombrada, gente sendo enganada por excesso, esquecidos tempos de falta, onde nada era nada, hoje tudo é tão comum, ter, verbo que trai, distrai, rouba o foco, consumir, rir de tudo, há que se pagar, e o preço, é absurdo.
 
Camuflados. Flagelados já foi uma palavra presente. Ninguém lembra. Ingratidão. Cospe-se no prato que está cheio, por quem as panelas batem, estado de alerta, não fale, não diga, se contradiga, se disfarce, o perigo é a cor da camisa, vermelho sempre foi a cor proibida, a temporada de caça declarada nas páginas dos jornais.
 
Irracionais. Imorais. Perseguir virou sinônimo de se divertir. Joguem aos leões. Heróis em nós de gravatas estrangeiras, idolatrados são os símbolos de um poder que escraviza, mas o ego idealiza, ter, ter, ter, status, altivez, chega de mistura, a contra cultura, os 'vida dura' pra lá, os ditadura pra cá, a inescapável briga de classes, desde que o mundo é mundo, o submundo rege, ainda que vez ou outra algo pareça melhor.
 
 
Os cães ladram. A caravana passa. Noite de vigília. Que a passagem desta noite faça da manhã uma aurora que concilia. Reconcilia. Novo dia. Uma chance à ousadia dos que resistem, insistem que não se derrube o que tanto custou para estar.
 
As ruas. Um país. A batalha. Nos corações.


[p.s. solicitada licença cidadã]
 
 
 
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terça-feira, 15 de março de 2016

23:19



Nostalgia. Deve haver uma definição precisa por aí, mas por aqui, nostalgia é uma sensação do que poderia ter sido se fosse o eu de hoje no comando do ontem.
 
Porque no frigir dos ovos, mal um minuto chegou e já passou a bola pro próximo minuto, pro outro, e o próximo,  assim ininterruptamente, ininterrupta_ mente,  adoro essa palavra, ininterrupta, que pra mim significa que nunca cessa, que nunca nunca para, nem pra respirar.
 
Mas acaba. E a vida continua. Ainda que nula. Anula. São só tempos de nostalgia. E parece meio que pra todo mundo. Embora , não.
 
Tudo tão chato. Tudo tão definido. Tudo tão passageiro. Nada permanece. Tudo já é ontem. Tempos chatos onde todo mundo sabe de tudo. Política. História. Poesia. Ética. Psicologia. Medicina. Arte. Comportamento. Amor.

A NOVIDADE. A NOVIDADE. A NOVIDADE.


Até da dor todos são especialistas. Sobraram poucos anarquistas. Idealista natos, hoje, um bando de ingrato, todos a cuspir nos pratos em que não tenha sido um banquete, fartaram-se. Falta senso. Falta imenso, sangue nas veias que pulsou em outrora quando a hora cabia na hora.

Roubaram das horas a primazia. Escravos da alegria. Efêmeros. Ligeiros. Fagueiros. Trapaceiros. Traficantes de ilusões. Roubaram o dom da retidão. O posto do coração. A qualidade mudou de mão. Contramão.


[o que me faz lembrar de uma palavra recente: SAGACIDADE. Seus sinônimos, agudeza, manha, malícia, aptidão para aprender por indícios. Vontade de vomitar quando penso nessa palavra dos espertos. Dos sagazes. Ama-se o sagaz. Linda! Sagaz!
Parece o oposto da palavra ingenuidade, que de repente, parece ser a palavra errada, a qualidade retardada, a palavra da hora é sagaz. Socar a cara, dizer o que der na telha, ser categórico, dono das verdades, teóricos de araque, meia pataca, é disso que você gosta, SAGACIDADE. parabéns! ]


Nostalgia é coisa de gente esquisita. Que sobra. Que resta. Que não se encaixa nos moldes sagazes dos jogos vorazes que urgência se faz que se atrasem as horas, que volte o tempo, que regrida a história, embora equívoco notável, a história só se repete, de trás pra frente, de frente pra trás, rumo aos céus ou aos confins dos infernos dantescos onde deitaremos nossas carcaças, os bobos, os puros sem pudor, os que cultivaram o erro, o grande erro de sentir sem medir. Os despudorados de coração. O chão. Dê-se razão à

Darwin. Os fracos devem ser eliminados, os fortes perpetuem a espécie. Os sagazes. Os valentes. As grandes mentes. Que dizem coisas enormes. Que provocam nestes corações pequenos interrogações que podem soar estranhas, mas nascem das entranhas, a gente não tem manha, mas sonha, onde é a porta de saída, abrimos mão de despedidas.


Tomaram o posto dos poetas. Roubaram as palavras. Encheram de arrogância as letras. Não se faz mais poema, os sagazes controem TEOREMAS. Descobriram ao Santo Gral. São eles mesmos, os sem igual. Os raros. Nós, os ratos. Em venenos. Morreremos. Nestes tempos ligeiros, nesses tempos traiçoeiros, até pra ser poeta você tem que ser  MAIS, o nome da rosa é sagaz.


[MAS A GENTE SABE DIZER FODAM-SE!, MESMO QUE PAREÇA DOR DE COTOVELO, QUE SEJA, SAIBA DESSA DOR]



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segunda-feira, 14 de março de 2016

00:16

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era dia de poesia. e a noite, fria. esfriou sem mais. passou-se tempo demais. além do mais, gastei todos os meus ais. a palavra afastou-se, e a distância completou-se. Nunca foi pra mim. assim. tão doce. meu orgulho afogou-se. separou-se de mim, enfim. e o dia era poesia. a linda face de um poema. o e dilema resolvido. o que resta depois. o pó. o sopro. a falta de ar. a falta de chão pra pisar. a cara no espelho pra olhar. a vergonha pra encarar. a tolice. o excesso de meninice. de altas horas. de quem vive na demora. de quem nunca mais. poesia. arde feito brasa. a vontade de restar. de guardar. de rimar. de escrever pra salvar. se enganar. teimosia. hoje não. hoje é permitido. um só. um minúsculo poeminha.
 
Só porque hoje é dia de POESIA:
 
 
Trocava toda poesia
por sua boca
colada à minha,
 
linha por linha,
nunca mais poesia!
só a sua boca
na minha
 
finalmente saberia
 POESIA.
 
 
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