segunda-feira, 27 de junho de 2016

11:11

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21:00



.
 
Gostar também é saber a hora de parar,
mas sonhar com o seu alguém,
que não é mais seu
mas que algum lugar insano da sua mente
teima teima teima
em não admitir
 
um fim
 
precisa ser tolerado
até que haja um outro assunto mais irresistível
para ser deliciosamente
sonhado,
 
e que sonho lindo
fragmentos lembrados aos poucos
um chalé lá em cima
um lençol de nuvens cobriam o topo de uma montanha distante
e você sentado à porta
à espera
ao sabor do vento
que soprava
você me chamava
 
e
 
 no giramundo que o mundo resolveu dar
eu chegava lá
es estava lá
eu também te chamava
para um mundo de
 àguas quentes
que
selavam
NOS
 
 
Agora eu te pergunto,
tem como esquecer assim
(interrogação)
 
 
 
*
 
 
 
 
 


domingo, 26 de junho de 2016

23:59

.

 
 
Eu rezo. Não exatamente de um jeito padrão, mas eu rezo. E creio. Rezo para o pai e a mãe do Universo. Porque acredito que são duas forças que realizam juntas. Entrego minhas aflições e meus agradecimentos todos os dias ao Universo. E rezo de todos os jeitos e em todas as crenças. Tenho meus santos preferidos, tenho figa, trevo, patuás, uso fita vermelha no pulso, tenho medalhinhas, pulo pra São Longuinho que sempre me mostra onde perdi as coisas, e dou, sim, três pulinhos quando acho. Gosto de orixás, sou fascinadas por Kaballa, por quântica, por bons pensamentos, por energia, ando com a palavra EGRÉGORA na mente, e sobretudo creio nas forças de ser uma pessoa do bem, comigo primeiro, e com todos na medida do possível.
 
[porque, às vezes, os serumaninhos forçam uma barra que só por São Expedito, no caso, o santo das causas perdidas]
 
Hoje fui na capelinha. Uma capelinha de onde a gente nunca sai sem a certeza de que a semana será de graças. Não necessariamente de alcançar, mas a graça de saber enxergar a dádiva onde nem sempre ela pareça estar.
 
Em frente ao altar da capelinha tem um vaso grande. De barro. Ali, os fiéis que desejam podem deixar bilhetinhos de toda sorte, com suas intenções, pedidos, agradecimentos e tudo que se possa sonhar. Nos dias 18 de cada mês, faz-se a queima desses pedidos meninos numa fogueira chamada de Aliança do Amor. É tão poético. O fogo tornando chama os pedidos que viajam até o Universo para se encaixar nas egrégoras da vida.
 
 
Já perdi a conta de quantos pedidos fiz. Agradeço sempre. E me surpreendo comigo quase nunca. São sempre as mesmas causas. Mas não hoje.
 
 
Hoje eu refleti um pouco mais. Sobre pedir. Sobre agradecer. Sobre sonhar. Sobre os passos. Sobre a vida. E percebi que me repito sem mudança, e que só a mudança me trará certas curas que necessito. Preciso me curar daquilo que em mim parece inesgotável, a ingenuidade e aquele sonho. Preciso me curar de mim mesma. E estabelecer uma nova de mim. Para que algo novo aconteça e que esse novo não seja a repetição do mesmo, e que algo mais saudável, livre e lindo desponte.
Primeiro em mim. Agradeci hoje, muitas e tantas coisas boas da minha vida. Mas fiz pedidos também. Os de sempre, aqueles essenciais da nossa vida, e um inédito que seria, deixar o que já passou lá, atrás, lá, naquele lugar onde não estou e não quero mais estar. Pedi pra esquecer. E agradeci, antecipadamente porque sei, que alguma hora distraída dessas, esquecerei.
 
 
Depois disso fui ao shopping e comprei três novas roupas lindas pra mim. Um vestido estilo anos sessenta, listradinho em tons de azul. Uma blusa de tricô muito linda em tons de manteiga. E um casaquinho curto, básico, que é lindo e eu amei. Então comi pastéis de Belém, e voltei admirando as luzes da cidade, tudo um pouco mais quieto como são os fins de tarde aos Domingos.
 
Rezar fortalece. Talvez nem seja essa termo tão apropriado pelas religiões todas, rezar, talvez seja se visitar por dentro e se alinhar com algo, no campo das palavras, das intenções, dos sossegos e das pequenas alegrias que se ensaiam todo dia, e nem sempre a gente permite, entrar.
 
Que seja tudo lindo.
E que as más intenções não nos vejam nas bandas de cá.
 
 
Salve, Jorge!
 
 
 
*

sábado, 25 de junho de 2016

23:00

 




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h
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r
e
s
 
 
*

22:38

.

mas tem sempre um azul
lá no fundo que insiste
feito um céu que conhece
o tempo das suas nuvens

[apesar das nuvens, o céu é sempre azul]



*

19:44

.
 
Coisa mais estranha essa coisa de escrever. Sentar num fim de tarde frio em frente a tela de um computador e fazer das mãos, ponte entre pensamentos e registro. Sem finalidade. Sem utilidade. E sujeito à riscos.
 
Tempos estranhos pra escrever. Ou todos os tempos sempre foram estranhos. Tanto quanto é o ato de registrar pensamentos.
 
Faz-se necessário em qualquer tempo dizer que toda a escrita é absolutamente PESSOAL. Ainda que não. Sempre. Somos personagens nesse mundo onde "o palco quase sempre está repleto de cacos de vidro."
 
Viver dói que é a porra. Dói ardido. Dói pra cacete. Mesmo quando estamos representando tão bem o papel a ponto de não nos darmos conta. Dói por dentro a vida que não existe fora. E dói por fora os cacos que ferem nossos pés de tantos passos.
 
Somos passos limitados. Não há querer que baste. Além dos cacos, usamos correntes. Que nos prendem ao transcorrer da história, e nesta história dificilmente temos o papel dos sonhos.
 
Meu papel preferido nunca será meu. Embora nem de papel se trate. Sou da coxia. Bastidores. Aquela turma transparente que cuida do som, dos figurinos, dos cenários, da limpeza, das cortinas, e que no fim do espetáculo volta pra casa contando trocados. Aff!
 
Quanto drama pra contracenar. Assisto daqui dos fundos o vai e vem das falas de tantos personagens que assisti nas sombras, suas representações, suas elegâncias, suas comicidades, seus excessos, suas gafes, e penso nos meus personagens favoritos, aqueles com quem sonhei dividir o palco, sem cacos, uma cena externa talvez, uma fantasia de uma hora de duração.
 
Quando fecho os olhos, nas noites que estão frias de alegria e penso em mim mesma, fantasio, crio, dentro da cabeça da gente somos a direção. Ou não. Não consigo mais companhia pra passar os textos que imaginei.
 
É tanto silêncio. A plateia está vazia. O teatro está no escuro. O palco deve ser varrido para os cacos de outro dia. Observo como é alto o pé direito de um teatro. É um céu sem escalas. Resta a luz das laterais das escadas. Parece que as estrelas caíram no chão. Apesar do frio não resisto e deito no chão do palco. Todos esses casacos amortecem o contato com os cacos do tablado.
 
Tento de todas as formas sorrir. Tento a esperança dos sorrisos. Lembro do exercício dos atores em frente ao espelho, caras ensaiadas para cada fala. Tão natural viver pra alguns... Respiro o ar gélido desta catedral e alternando o ritmo do meu próprio respirar, consigo me ver, só a mim, muito distante dali, no meu único papel,
 
desprovida de todos esses malditos casacos, sinto um calor na pele que não mais, meus cabelos esvoaçam com o vento, e é tão imenso aquele movimento dos meus cabelos, noto meus braços, meus passos, o silêncio cede espaço aos sons que me acalmam, o barulho do mar, chua chua chua, caminho interminavelmente em direção ao mar que está à minha frente, mas, nunca chego, nunca chego, posso sentir a maresia, sentir o perfume das águas salgadas, embora saiba que este sal é meu, escorre pelos olhos que não vêem senão o deserto de todos os tempos, um deserto sem miragem, embora haja sol, e ecos, meus. De tempos que não existiram. E nunca haverão de. Nunca foi verão. Nunca serei eu. Sempre serão os outros. E cada grão desta areia me cobra a passagem. Porque ardem sob os meus pés descalços, de onde me vejo novamente no palco, tirando os casacos, as meias, o sapato, tenho por baixo sempre um vestido branco, para a personagem que nunca serei, só tem rei e rainhas nesse palco vida onde não me acho.
 
INSTANTE REAL
 
Ao meu lado, o gato se aloja por baixo da manta. Como se aprendem coisas convivendo com um gato. Sua reserva, seu distanciamento, seu ir e vir livre de apegos, sua altivez, sua sensatez em se preservar, e sua agilidade em se mover. Mas creio que estou influenciando negativamente a altivez do meu bichano. Ele anda de chamego. Eu que penso. Pois  é só o frio mesmo.
 
OS GATOS, suas lições
 
Preciso aprender a calar. Preciso aprender a me colocar. Preciso aprender a me preservar. E preciso aprender a rezar. Porque tenho um pedido urgente aos céus:
Ajuda-me a não sentir, ajuda-me a sair das fantasias criadas, ajuda-me a esquecer, ajuda-me a resignar, ajuda-me A não doer, ajuda-me a entender que não é meu aquele papel. Ajuda-me a encasquetar que não nasci pra bem representar, nasci pra olhar, dos fundo, o movimento do mar. Do mar.
 
 
*

quarta-feira, 25 de maio de 2016

21:00

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a ADMIRAÇÃO
é pra ser um troço
múltiplo,
 
mas a PAIXÃO,
ah, a paixão, meu bem!
 
é pra ser única.
 
 
*

17:17


.

Chega um momento em que você não escreve mais de forma prática. Não é um movimento que intencione alguma coisa. Nada nem ninguém. É você com você mesmo. Apenas. É libertador. Você olha para as consequências e sorri porque elas podem seguir livres,  tudo não passa de um pequeno segundo retido nas letras. Apenas isso.
 
Olha o tamanho do Universo. Agora olha para as linhas. Tudo e nada ao mesmo tempo. Nada demais num mundo tão descomunal de grande.
 
E você passa a escrever apenas para organizar a sua mente. Um terceiro universo. Só que do lado de dentro e sem mais.
 
O que a gente pensa é a coisa mais doida do mundo.
Paro para botar reparo no que se passa em minha mente nesse momento.
 
Absurdos inomináveis tomam de assalto o Brasil varonil, pobre Pátria mãe, esfaqueada por todos os flancos, noticias estapafúrdias confundem nosso tempo, destaques para personagens sombrios e vulgares, o fim de uma possibilidade de firmação, internet sendo usada para transmitir crimes ao vivo, pedidos de perseguição aos pensadores, censura dessas pessoas, o mal permeia, ronda, e infelizmente, começa a mostrar sua cara, descaradamente.
 
Assusta. Será que o que era visto como uma conspiração, é de fato, um fato...
 
Toda essa gente no meio desse mecanismo ultrajante de tornar nosso solo um reinado, uma corte de fazer corar a republiqueta da bananas, das pipocas, dos personagens bizarros, toda essa gente tem família, tem pai e mãe, filhos, deita de noite pra dormir, tem travesseiros de penas de gansos, e dormem, e acordam, e fazem parte do mesmo mundo que a gente.
 
É TÃO ILÓGICO.
 
 
O pensamento salta para uma tentativa de fuga. Para onde fugir. Onde encontrar asilo para uma vida sem esses sobressaltos contínuos, esses assaltos à nossa soberania, à nossa dignidade, que tempos serão, pra onde fugir, lembro do Mujica, o adorável ser humano que completou 81 anos de uma vida honrada, ele e seu país tão calmo e lúcido.
 
O que eu poderia fazer da vida no Uruguai. Pesquisar.
 
Putz, tenho tanta resistência em mudar...
Sou do signo de Touro. Fiz aniversário esses dias. Nada demais. Parabéns e tal. Meu presente para mim mesma está à caminho. O que lembra futuro, e dá receio. Como fazer planos nessa mundo de Deus...
 
Planos. Não gosto dessa palavra. Muito fria. Meta também não. Sonho, a palavra é linda, mas o Universo dos sonhos, bem, quem haveria de querer sair do mundo dos sonhos pra vir parar aqui nessa terra insana, né...
 
Nem planos, nem metas, nem sonhos.
Intenções, não. Desejos, não.
 
Não sei que nome dar ao que pretendo realizar.
Mas tenho coisas que quero fazer.
 
A musica que toca na rádio muda meu foco de pensamentos. Me lembro do pensamento mais insistente dos últimos tempos, e todas as variações. E oscilações. Lugar cativo. Interessante como esse bichinho mimado que sou por dentro gosta de zanzar por certo pensamento. Dureza de segurar.
 
 
Volto à musica.
Nome da musica: DERRENTENDO SATÉLITES.
Uma das minhas musicas prediletas. Sou simplinha. Ou não.
Pedaço da letra:
 
" onde sua mão está agora,
a minha você sabe bem,
quanto mais tempo demora
mais violento vem..."
 
Uau!
 
A d o r o  essa musica.
Acho sensual, erótica, íntima, imagino esse diálogo entre dois amantes, e a cumplicidade que precisa haver para que haja a intimidade solta, sem pudor, sem freios, sem filtros, entregues...
 
Sexo é aquele pensamento que tem seu lugar cativo em todos os universos mentes, quem diz que não, mente, senão...
 
 Tudo gira em torno do sexo:
 
sexo e fome
sexo e sede
sexo e prazer
sexo e amor
sexo e poder
sexo e dor
sexo e medo
sexo e vida,
 
 
O sexo que eu penso é um universo malemolente. Quente e intenso. Lento e urgente. De beijos de corpo inteiro, e alguma coisa à mais. Só minha. Cá dentro ele é das coisas mais bonitas. Um pedaço de paraíso almofadado, perfumado, de passeios percorridos de dentro  pra fora, de fora pra dentro, de uma conexão onde até as partículas lilases da vida gozam felizes.
 
Pois é. Pensamentos saltitantes. Um sucedendo ao outro, terreno de altos e baixos, de felicidades imensas e mágoas, de mergulho e de recuo, de sorrisos e aflição, de uma ansiedade galopante feito um cavalo selvagem, e de ventos e de brisas, de mares e tempestades, de memórias e feridas, de coisas pequenas e queridas, de planos metas e sonhos, um universo de intenções.
 
Pensamentos de inverno. Quentes ideias. De saudade. E temperança. Tem som de criança. Espoletas e fogos de artificio. De canções e poesias, de ideologias, de montanhas e asas, de sossego e corpos refastelados, de céu azul, de uma praia mansa, de uma casinha de janelas imensas, o cheiro de algo bom de comer, vindo de uma cozinha barroca, um bolo, talvez um peixe cozido com ervas na folha de bananeira, uma voz linda chamando pra mesa de toalha colorida e louças brancas, e umas cortinas de tecido transparente  lembrando a gente que aquele ali é  um lugar só nosso, um mundo e meu convidado. O mundo convida.
 
O mundo. Dos mil e um pensamentos. Que não param. E que escritos parecem até mais bonitos e convidativos.
 
Voltemos à vida.
 
E que ela viva. E vivas! Viva o que é dito. E viva o que é entendido. Viva o que a gente não vive mas sonha. E viva o que a gente nem sonha que pode viver. Viva a força do que tem que ser.
E que os dias sejam assim,  mais território para o que nos faz BEM.
 
 
 
*

segunda-feira, 23 de maio de 2016

16:49


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Considerando-se a zona que este mundo está, deveríamos todos fechar as portas. Da casa. Da alma. Do coração.
 
Embora o mais esquisito nessa zona é que nós mesmos somos responsáveis por ela. A zona. A suruba. A xepa. Final de carreira. Fecharíamos as portas e restaria o mundo e seu fluxo natural, onde se pensando bem, é um baita de um caos também.
 
A lei da sobrevivência. Do mais forte. Do maior que come o menor. Tá lá a florzinha bonitinha, vem um bicho, come a flor, mastiga a flor, vem outro bicho, come o bicho que comeu a flor, vem outro bicho maior, come os bichos e a flor, aí vem o leão, come tudo duma vez, deixa as carcaças pros urubus, que dizem que junto às baratas, são os seres que resistiriam bem à uma hecatombe.
 
O fluxo da vida é agressivo e forte. Tem uma força descomunal. O que faz pensar abstrato, o Universo, essa coisa que ninguém sabe o que direito, avançando entre colisões e explosões e o caos, que ao mesmo tempo é
 
PURA BELEZA
 
 
Vida doida, mundo louco, gente, bichos, flores, paixões, política, bem, mal, caos, serenidade, abre a porta, fecha a porta, tranca a mente, escancara, se joga, se prende, esquece, prevalece, e tudo que insiste, e a mente lá,
 
essa desgovernada, tresloucada, mandona, mafiosa mente, que faz conchavos com o coração, com os batimentos, com as coincidências, com as dores, e traz esse fluxo bandido pra dentro da gente, 
 
tá a gente lá, aquela coisinha miúda de nada, uma florzinha de mato, daí vem o acaso-bicho e come a florzinha, e vem o destino e come o acaso e a flor, e aí vêm os fatos e devoram tudo junto, e solta os bagaços pra restar junto à todos os bagaços do mundo, reajuntar, refazer, ciranda cirandinha, vamos todos cirandar, abrir, fechar, olhos, pele, corações,
 
tenho para mim que lá em cima, lá em baixo, todo lado para onde se estende o universo, somos nós por dentro, caos e beleza, todas as mentes de todas as coisas, animadas e inanimadas, colidindo, se esbarrando e de vez em quando, ganhando uns minutos pra ser flor. De mato. Antes que chegue o predador. Que será abatido também. O vai e vem. Não escapa ninguém. Pensar, convém!

ENFIM...
 
 
 
Não faz muito sentido o que aqui está escrito. Mas também, nesse mundo zona sem sentido a vista, escrever é das coisas todas, das menos esquisitas.
 
 
 
*

quinta-feira, 19 de maio de 2016

00:26

 
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se há mesmo interferência dos astros na nossa vida, e é tão poético imaginar que sim,
 
[a racionalidade é nada no mundo das ilusões]

então imagina que louco se a gente pudesse dar uma embaralhada nessas estrelas todas com as próprias mãos, recombiná-las ao gosto do que nos apetece, dar uma estudada, reagrupar e tentar toda noite um acerto, até que o conjunto permitisse aqui em baixo, a gente alcançar o conceito de céu.

Que pra mim, seria:
é, exatamente isso, um eu e um você, possíveis!



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quarta-feira, 18 de maio de 2016

21:51

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Lugar nenhum
também
é um lugar.
 
[ senão, pense!]
 
 
 
*

terça-feira, 17 de maio de 2016

16:20

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Então o outono vai se ajeitando na gente. Ou a gente vai se acomodando no outono da vida. Ameno tempo. De silêncio e manhãs geladas. A gente só aprende mesmo é com a idade. Que a ordem das coisas não é proporcional às vontades. A vontade é própria. Resta é o se ajeitar. Ao frio. À fome. À saudade. Às pequenas grandes rejeições, frustrações, com mimos de toda espécie de delicadeza que nos faça seguir ao sabor desta força que sopra e comanda, e só avança.
 
Avançar. Abraçar o que há. Há de ser o que de melhor houver. E se não for bem daquele jeito, arranja-se um jeito de se, novamente, se ajeitar. Se aninhar nas sensações. Pro frio, o agasalhar. Pra fome, o alimentar. Pra saudade, o suspirar. Pra o que não foi, o imaginar. Para o que pode ser, o esperar. E para todo resto, o viver. Catando folha pro ninho ser o mais quentinho que der. E se não der, esperar o dia em que há de ser.
 
Porque é o que a gente descobre. Prestando atenção. Tem tanto mundo lá fora, passando perrengues de toda ordem, e indo, seguindo o ritmo das estações, das condições, das aflições, e da pequena comemoração do entardecer de mais um dia ter nos permitido ser.
 
Ser o que somos na medida em que vivemos. Em que habitamos este chão, e sobretudo, nosso próprio chão. Habitar-se. Ajeitar-se. E para o frio de dentro, canções. Para a fome de dentro, talvez o cultivo das melhores intenções. E sonhos. E desejos de que tudo avança. E a gente se esbarra. Com novidades. Com surpresas. Com sustos, ou sortes, com tristezas e alguma cura, com saudades e o capricho dos acasos, com o choro, e com a calor do consolo, que vem de singulares menções.
 
Uma troca aqui, outra acolá, uma boa noticia, gente junto, gente que pensa junto, sintonias, inconscientes que se aproximam, instigam, te levam pra frente, ainda que frente seja o destino, o Universo, e todos os versos que ainda hão de rimar, outono com sono, folhas caídas com esperanças renascidas, murchar com aguar, entristecer com acontecer, idas com voltas, quedas com cascatas, águas com flores lilases, e caminhos com beijos, e beijos com trechos de alguma canção que não foi feita pra ser esquecida.
 
A vida, essa menina sabida que tem por mania nos lembrar que só o que importa é achar, um dia por vez, um bom jeito de se ajeitar. Nas estações.
 
 
 
*

domingo, 24 de abril de 2016

14:14

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Entre pistas de um buscar por fora,
surgem evidências de onde estava o tempo todo.
Em estado de se apaixonar.
 
Buscando em outros rostos,
outros corpos, relatos alheios
de fatos em passeios que não são meus,
 
sensação de estar sempre do lado de fora,
esquecida a chave, ninguém pra abrir,
e é sempre gelado, é sempre assustador,
 
percorrer léguas submarinas,
sem perceber o que correto estava o célebre
D I T A D O
 
_ Busque-se a si mesmo!
 
pareciam palavras vulgares de
pouca ajuda,
best-sellers saindo em fornadas,
 
está em você
busque em você
ache-se
aceite-se
ame-se
queira-se
faça-se,
 
 
melodias marteladas refugadas
sem sentido,
palavreado encarcerado
em labirintos descabidos,
perguntando sempre,
 
como
por onde
de que jeito
não tem lógica
é muita retórica
sempre tão fraca,
pobre, sede
do outro,
 
o outro,
sempre o outro,
o socorro, o espelho, o reflexo,
a dependência, a carência, a urgência,
 
[sucessão de dores atrozes, vozes, passagens, velozes]
 
.
.
.
 
Até que um dia você se nota. E você perdoa toda a podridão vestida, sentida, ferida, todas as milhares de flechas que abriram um caminho até você, que descobre que existe sim, UM VOCÊ. Uma novidade. Uma sensação inusitada de experimentar um ser próprio. Um algo inédito de prazer. Inóspita, desconhecida, linda figura que se pode amar, sem medo de errar.
 
QUANDO VOCE PODE AMAR, E AMAR E AMAR E SE DERRAMAR E SE LAMBUZAR E SE ESPARRAMAR E AINDA HAVER UM MAR QUE TE DIZ SIM, SIM, UMA GALÁXIA INTEIRA DE AMOR POR ESSA CRIATURA QUE ME HABITA.
 
[não é vaidade. é RESTAURO. É reencontro. É aceitação. é a firmeza de um chão que te recebe, e te esperava, e te aguardava por mundos e vidas sem fim]
 
 
Todas as voltas que meu mundo deu me trouxeram até mim. Tateio com suavidade, controlo meu exagero no que seja amar, ou descontrolo, esta é enfim a hora de extrapolar, e mimar, e chamar pra ninar, e acarinhar sem medo de ser excessiva, enfim, não haverá fuga, não haverá rejeição, nem frustração, nem um NÃO, aos carinhos, à proximidade, nenhuma queixa será feita à falta de liberdade porque enfim o cativeiro liberta, dentro da gente existe um portal.
 
Ser meu pão.
Ser minha comida.
Eu, apaixonada por mim mesma,
sem saber, mas sentindo,
eu era a minha saída.
 
 
 
*


sexta-feira, 22 de abril de 2016

17:22

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Tardes solares,
outonos que se recusam,
amarelos perpétuos,
 
tudo pede frescor,
e uma nudez refrescante
suave chama chega brisa
 
 
escancaradas janelas
apressadas preces pra ficar
prolongar
permanecer
a beleza aguda das tardes
de sol de
um outono vadio
adiando o frio de dentro
de fora,
corações aquecidos
querido
outono,
 
tarde,
faça-se tarde a frieza,
a esperteza,
faça a fineza de ficar
e resgatar o que o calor
 
de um verão gelado
onde nada aqueceu,
doeu, vira a página,
guardo os livros pra depois,
 
um xodó pra mim,
tardes de luz,
amarela nudez
que resta, brilha, reluz
 
o corpo que cintila,
há estrela,
há fases, e lua,
há urgência em estado de
paradoxo,
sossegada,
como quem vive sem viver,
 
estado de sim,
estado de flor,
estado de ser oque seria,
amada,
 
mesmo sem estar aqui,
quem, alguém, ninguém,
 
 
toda materialidade presente
pressente
que ausente é só um estar
do não estar,
estás,
 
mesmo que não,
mesmo que além,
 
minha boca,
minha pele,
minha cor,
minha sombra está alegre,
 
lá, de onde está, reflete,
tudo suave e leve como este
verão outonal, casual,
desigual,
 
você é mais lindo de longe
você faz amor comigo
na mente,
não mente,
ardente,
feito a tarde onde faço
da nudez,  poema líquido,
sem busca,
sem sentido de ser, sendo
 
 
sem procura, puxo
pra soltar o ar bem devagar
como quem sabe que
vai amar,
amando,
 
 muito nua. E crua.
 
 
 
*

quinta-feira, 21 de abril de 2016

00:33

.

 
Sempre maior se faz o que já se foi.
Palavras antigas. Vespertinas.
Matutinas.
Mas ainda é noite.
E espreita.
 
Nas noites onde todos os gatos
são pardos.
E todo azul, escuro.
Um manto repleto de estrelas,
enquanto uns dormem,
outros não,
insônias em vão,
 
Rondas.
Silêncios que falam mais,
passos madrugam janelas
cortinas camuflam rostos
rostos que não escondem
delírios repetidos
antigos, repassados,
 
De um tempo a outro,
sonhos,
De um sonho a outro,
convulsão,
De uma paixão a outra,
a permanência de uma
ou outra,
exaustão.
 
Sempre maior é o que resta.
O que foi, não.
O que fica é encanto.
Lavado em cachoeira.
Águas que não lavam,
correnteza que não leva
leva lava leve brisa
sopra outra aurora
 
Noite, meia,
lua cheia de pudor,
quanto amor uivando
ao seu redor
à alguns, já conhece
de cor,
de cores e rumores de
que por ali,
uma alma
duas almas
150 almas
vezes 1000 outras tantas
 
tateiam vidros,
soltam gemidos de dor
algum prazer de supor
em vão, então
ouvem-se passos,
em todo canto uma sombra
sua nuance,
sua sombra,
 
sempre tem alguém ali,
por alguém aqui,
e versos, vices,
versam enredos, desejos,
imensidões,
 
 
debruçam-se parapeitos
trancadas janelas
soltas promessas
o anel, o motor, o avião,
 
que pende,
que ronca,
que voa,
 
e este chão, que é espaço
que recebe e solta e chama
águas,
ventos,
elementos,
passagens,
 
todos prontos pra viagem,
de dentro,
o apito noturno do guarda
que sonha, e lembra
também, de alguém,
denuncia
afugenta
 
 
imperceptível presença,
fantasmas de almas amantes
de dias
de noites
de fins e começos
e danças e tropeços,
 
todos salvos,
todos sãos,
faz-se alta, a noite dos
suspiros não reprimidos
 que serão,
mas exaustos bocejam,
 
é o tempo
que ronda e não traz,
passos atrás, a frente, rente, quase se sente
 
 
insistente o sonho
real, palpável, e um sono
que não é fadiga,
é apenas o alivio de não ter
sido percebido,
 
o íntimo caminho
percorrido.
 
 
 
*

terça-feira, 19 de abril de 2016

17:38

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Peguei a dor pela mão,
A coloquei pra dormir,
Ela sonhou que era flor.
 
Era uma vez uma dor
que desabrochou
e sorriu.
 
 
 
 
 
*

 
 
 


segunda-feira, 18 de abril de 2016

00:00




Me exibi pra paixão. E acabei marcada pela dor. Aí era uma vez. Decidi escrever. Convidei a dor pra entrar, e tirei  dela substância, ainda que parca, para me escrever. Escrevi de mim para mim. E me descobri.  Peguei gosto e segui. Letra por letra me atrevi. Escrevi sobre a dor e suas dobraduras porque aos meus olhos elas me pareciam bonitas... (Ah, olhos meus!, gosto estranho o teu) . Olhos que veem e mãos escrevendo.  Escrevi sobre a dor e suas pétalas caídas. Vi poesia. Vi beleza. Vi o lado escuro aceso.  Escrevi sobre a dor líquida, ouvi seu choro, chorei junto à ela, e deixei a  dor febril dos dias dos descobrimentos arder e queimar e me levar ao grande pequeno espetáculo do sentir. Escrevi sobre as avenidas da dor. E por elas transitei. Me perdi. Me encontrei. E depois afundei sem quase voltar.  Escrevi  sobre a loucura.  Porque dor é uma loucura em graduações. Amplifiquei seus sons. Equalizei seus tons. Aderi ao bloco. E cantei enquanto dançava com a dor seus passos descompassados de uma dança insana de rodopios e meias pontas. Alucinei. Porque é o que a dor e as paixões fazem. Alucinam. E nos visitam sorrateiras, uma tão ligeira, enquanto a outra perpetua-nos em ais. Vi poesia nas chegadas. Vi cenas que queriam partir. E rimei alhos com bugalhos porque escrever quebra um galho danado. Passa-se atestado de insanidade mas nos mantém, porém.   Espiei sua rima estranha com o amor. E me atrevi mais. Fui além. Passei quadras. Errei a mão mil vezes mil, e conheci seu lado vil.  Não me poupei, queria essa beleza estranha da dor. Porque eu a vi. A conheci. Virei íntima da dor pra poder chamá-la de amiga. Amei cada pedaço de dor abstrata que vivi. E criei. E chorei. E parti. Parti a louca dor em pedaços, e depois eu mesmo colei seus cacos. Chamei a dor de loucura por tanto insistir. Excessiva.  Fui. Fomos. Somos. Louca pra escrever toda a dor. Escrevi tentando captar sua extra sonoridade. Ora, vazia, ora odiada, ora caminha, ora me escapa, a reconheço por todos os meus passos, e sobre a dor escrevi pra alcançar seu pico. E nele pulei. E dele caí. Me feri e me curei. Gritei e me calei. Fuji e chorei. Fui e voltei. Morri sem morrer. Amei e me enganei. Nas palavras mergulhei sem saber nadar suas letras. Mas foi tudo pela dor. Muitas, causei. Certamente. Causei e virei as costas como carrasca que também sabe instrumentar. Machuquei as letras. Mas respirei e segui. E cantei pra subir. Com a dor. De correr os riscos. A dor de arcar com os prejuízos. A dor que faz perder o juízo, e ainda sim, ficar. Algo como um pecado original. A dor é raiz. Do primeiro segundo. A dor dos átomos. A sina que precipita-se a cada colisão, que repete-se infinita, se exceção. E, então, acordei um dia e,  eis que surge uma flor, e depois um jardim. Semeado de dor. Um mundo de flor por nascer, ou renascer. O inverso possível. A experiência é incrível, mas a gente só descobre depois.
 
 
 
Novas horas.
Algum Repouso.
Hora de mudar.
 
De assunto.
 
 
 
*


quinta-feira, 24 de março de 2016

20:11

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A ciência explica
que os espermatozóides
ao serem liberados no gozo

saem em disparada carreira rumo
ao óvulo para fecundar e virar UM.

LEDO ENGANO.

Quando liberados, eles disparam
apavorados, pensando tratar-se o óvulo
ser uma passagem pra voltar pro jardim.

Quem ganha.
Perde.

FIM.


{breve explanação sobre fecundação}



*

16:41



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Uma coisa é inegavelmente fato ----------------->
A VIDA SEGUE.


E é um espanto. Um soco na boca do estômago a cada olhar. A cada constatar que sim, ela segue. Você pode espernear. Você pode gritar. Você pode se acabar de chorar. A vida. Ela segue. E tem gente que fica pra trás. Azar. Chora, bebê!
 
Pode chorar. E resolvi chorar. Chorar toda a vida que seguiu sem que eu notasse. Devo ter parado ainda antes da colisão da partícula do meu pai com a partícula da minha mãe. Imagino um grande jardim, cheio de Lisyanthus, aquelas flores que têm todos os tons de rosa, passam pelo branco e terminam nos roxos, rosa, lilás, tantos tons, tanto perfume, parece tão bom na lembrança descabida, mas a proposta, tão atrevida, um anjo malvado pergunta, _ quem quer dar um pulinho por aí, fazer parte da vida de algum planeta, não especificou nada, Vênus, Marte, Terra, vagas abertas, e no atrevimento ergo as mãos pensando frente ao novo e a emoção.
 
Fui escolhida pra vida. Na Terra. Mas quando fui pra salinha escura da espera, um arrepio percorreu todo meu ser não-etéreo, e eu tenho certeza que eu quis voltar. Eu pedi pra sair. Eu desisti. Eu pedi. Me deixa aqui. Foi engano. Coisa de criança. Por favor! Pro favor! Já dá pra sentir aqui a dor que é esse negócio de existir. Por favor! Pro favor! Não tinha ninguém ali. A solidão. A vinda. Eu queria voltar. Mas não havia volta. Eu estava ali, na boca do existir. E pensei no recente dom da consciência:
_ que cagada! que cagada! que cagada!
 
[minha mãe sempre conta. Teve que ficar os nove meses da minha gravidez de repouso. Já havia perdido dois bebês antes de mim. Penso que foi sorte deles. Eu também quase não vinguei. Ela quase me perdeu umas tantas vezes. Hoje, sentindo essa dor remota, ancestral, penso que eu não queria. Eu já tinha desistido antes da colisão. Mas nada volta. Nem uma decisão. E aí eu vim, uma bebê cor-de-rosa que não chorou, tamanha tristeza. Não havia como voltar atrás. Estava feito. Ficar. Mamãe conta que eu era o bebê mais quieto do mundo. Não chorava. Não mamava. Ela tinha que forçar. Vomitar. Vomitava a não possibilidade de desistir. Vinguei. E não gostei.]
 
 
As lembranças me doem. Viver não compensa o gasto. Não existe querer. Existe a corrida dos dias, onde nada fica, só a vida que segue, sem que nada se possa fazer, ajeitar, remexer pra lembrar aquele jardim de flores de tons de rosa,
 
AMO tanto as flores, cor de rosa, lilás, brancas, nem precisa perfume, a cor inunda os sentidos, bom de tocar, bom de cheirar, bom de ver, bom de escutar, bom de tocar de novo, bom de lembrar, de intuir... naquele jardim sim, havia o livre acontecer, tão leve lembrar outrora vividos, nunca esquecidos, lembrar nem é o nome, lembrar...
 
NÃO esta coisa terrena, extrema de dor, de coisas feias, de vida que segue, queria vomitar todas as experiências, nada valeu a pena, nada que eu queira voltar, aqui não é o lugar, aqui é a cilada do tempo, da vida piada sem graça  AQUI A VIDA SÓ SEGUE
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pra lugar nenhum.
Vez ou outra há um vislumbre de jardim. Algo que parece. Olhos de assim. Assim. Eu não quero estar aqui. Eu cansei daqui. Eu cansei daí. Eu cansei antes de vir. Eu não queria vir. Eu não queria vir.
 
Saudade. Palavra sem explicação. A gente pensa que sente saudade do vivido aqui. Mas não é não. Aprendida lição. A saudade é de outro lugar. Outro ar. Outro tempo. Espaço sem corpo. Almas livres. Nada a provar. Nada a conquistar. Nada a sentir . O lixo da paixão. O castigo de optar e vir. Renegar o jardim. O pecado do atrevimento. Tudo trocado por NADA.
 
NADA
ESTE É O NOME DO JOGO ----------------->
VIDA QUE SEGUE
 
E só faz magoar. Decepcionar. Magoar. Pisotear. Te provar o minúsculo, o mínimo, a insignificância da sua vaidade. O nome da condição. Sobrevivência. Sofrência.
 
VAIDADE.
Quem nunca, que seja hipócrita, e atire a primeira pedra.
Tudo é vaidade. A raiz de todo mal. O nome da rosa. A vida que segue. VAIDADES. Flores sem cor, murchas de dor, é tudo vaidade, sinônimos de dor. Tudo ORDINÁRIO. Tudo comum. É o que temos em comum. Todos. Não pense em exceção. VAIDADE.
 
A vaidade das mães. A vaidade dos filhos. A vaidade dos idealistas. A vaidade dos artistas. Dos poetas, dos velhos, das crianças, das fianças, das confianças, da esperança, vaidade do adormecer, do meter, do foder, de cada amanhecer, vaidade em dar, vaidade amar, vaidade levantar, vaidade até em cair, vaidade em cada sorriso, o nome do gesto, o nome do gosto, o nome da vida VAIDADE.
 
VAIDADE É VIDA QUE SEGUE -------------->
 
 
Tudo é só vaidade.
O preço a se pagar. Querer vir pra este lugar terrível, triste , onde o único gesto que fala é o chorar.
 
se bem que até chorar, é VAIDADE.
 
 
Vai lá.
No que você  faz é muito bem.
Se fosse eu, corria daqui também.
 
[o nome da licença hoje é foda-se, tô triste demais pra ter que pedir licença pra chorar até dentro da   minha própria casa]
 
 
*

quarta-feira, 23 de março de 2016

00:28

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Dei um pulinho no céu, que é o que a gente faz cada vez que visita aquelas lembranças, azuis que são,  de tanto céu, azuis que são de tanto mar, mergulhos de sonhar, não dormir pra acordar, lá dentro, no mais afetuoso lugar, aquele azul bonito que se intensifica, qualifica sempre mais e mais e mais, banho de sais, perfumes que pairam nas ondas de cada gota desse mar céu azul de lembrar.
 
 
Nem um som. Nem um movimento. É tudo por dentro. Até respirar pede pausa. Como se entre uma puxada de ar e outra, algo raro, único, irretornável, fosse escapar. Não escapa. Pode respirar. Transbordam águas que sempre voltam ao mesmo lugar.
 
A primeira intimidade. O suspiro. A reação. Outra ação. Tão delicada. Noite longa. Madrugada. Nem um toque poderia ter tanto poder quanto a palavra encantada. Despertada. Noites de lua. E estrelas. Ora chuvas. Ora poeira. E aquela zonzeira boa de tocar o irreal, o celestial momento de estar. No outro. E o outro. Te invadir. Sentir. Poderoso verbo. Sentir. Nada te rouba o sentido. São dos sentidos o território seguinte. Portal. Abram-se instantes. De novo. E de novo. Infinitamente dentro e além. Não é da mente. É mais. É céu azul. E mar. Quando nos pomos a imaginar...
 

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Dei um pulinho no mar. E ara tanto azul. Que parecia mais que mar. Já era céu quando fechei os olhos. E as estrelas se sumiram pra deixar o azul ser todo meu. Por uma meia hora. Ou um pouco mais. Estávamos juntos. Como o combinado. Lá no início. Pra Março. As estrelas tocavam pra nós, e a multidão sumia. Sorrir junto era a prova dos nove. Dos dez. Dos milhares de dias que negociamos ficar. Sua mão na minha. Minha mão na sua. Juntas, bocas sempre a procura, a sua à minha, como se a minha não estive a um palmo da sua. Dançamos como loucos. Alucinamos. E rimos. E rimos juntos como se só a gente soubesse o segredo dos sorrisos. O que te fato fazia sentido. Invadimos as portas do céu. Retomamos nosso estado de anjo. Eu, o seu. Você, o meu. E havia invasão. Angelicais eram nossos passos em direção aos nossos próprios passos, que se faziam prazer em compasso. Quando tudo é um prazer. Ou era. Acordar. Abrir os olhos. Despertar. Dentro. E ir e vir e nunca pensar em verbos finitos. Só os bonitos. Outra é a forma de ser dentro do amor. Ali não cabia nada mais, além do amor. Era céu. Azul do mar. Onde eu fui mergulhar. E você veio atrás.  Dei um pulinho no azul, e era tudo azul demais, azul que é a cor da fantasia que só se confidencia à lua, à cama, às aguas do céu às estrelas do mar...
 
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Que lugar é este pra onde a gente vai sem ir, e quer lá ficar , pra sempre, sem nunca mais ter que voltar... Será que o céu é um pedaço de tudo que se perdeu e se amou e se quis, será que o céu é descobrir que a gente era capaz de ser feliz, e assim, como o azul é azul em tanta matriz, ganhar um cantinho lá dentro, anjo ser de um, para o outro, pra dentro, mar, além, é tanto céu, fechar os olhos, e de repente ver a lua,  contemplar o tamanho da lua, e ali na janela, seminua, cantar baixinho qualquer canção que continua, nos ecos, dos suspiros, dos corações vadios, que antes de dormir, acordam pra bulir com sonhos, lembranças, pulos de prazer, azul do céu, bem fundo, no mar, dentro, fora, acima, embaixo, vontade de ir, e lá ficar!
 
 
 
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