terça-feira, 10 de novembro de 2009

11:22

Tortura do pensar! Triste lamento!
Quem nos dera calar a voz!
Quem nos dera cá dentro, muito a sós,
Estrangular a hidra num momento!

E não se quer pensar!... E o pensamento
Sempre a morder-nos bem, dentro de nós...
Quer apagar no céu - Ó sonho atroz! -
O brilho duma estrela, como o vento!...

E não se apaga, não... nada se apaga!
Vem sempre rastejando como a vaga...
Vem sempre perguntando: " O que te resta?..."

Ah! não mais que o vago, o infinito!
Ser pedaço de gelo, ser granito,
Ser rugido de tigre na floresta!

Florbela Espanca


[INFINITO]

*

4 comentários:

Mr. Mojo Risin' disse...

"E não se apaga, não..."

...adoro ler a senhora espanca...

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Se tu viesses ver-me...

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...


Florbela Espanca

Maryama* disse...

Florbela e seus lindos poemas.
Adorei!

Lucy disse...

Lindo,tbem adoro ela.

abraços.

renata disse...

florbela é sempre tão intensa, né queridona?

uma beijoca!