sábado, 23 de outubro de 2010

12:00

VOCÊ TEM FOME?
Eu jurei pra mim mesma que não ia usar, em hipótese alguma, esse espaço onde tento falar de coisas etéreas para falar de política, e precisei reinterar esse juramente zilhões de vezes porquê oque tenho assistido nesse momento político no nosso país é algo que exigiria muitas manifestações. Mas, hoje, fui comprar umas coisas na banquinha, e sem querer querendo perguntei ao dono qual seria a sua escolha no segundo turno, no próximo domingo. Então, ele disse que não sabia. Então, eu perguntei à ele se ele estava satisfeito com o país nos últimos anos. Ele fez que que sim meio de má vontade, mas disse que não aceitava a política assistencialista do atual governo e disse que um governo precisa governar para os ricos também. Eu me engasguei e perguntei à ele se ele se achava rico. Ele não respondeu, mas disse que não aprovava o Bolsa Família, disse que não achava justo o dinheiro dele ir parar nas mãos de "gente que não faz nada". Então eu perguntei à ele oque ele aprovava, o dinheiro dele ser usado em maracutaias e não beneficiar ninguém, porque em benefício dele, "um rico" é que não seria. Bem, ele disse que ele trabalha e que por isso tem as coisas e que quem não tem, que trate de trabalhar.
Aí é que vem a questão que me faz estar aqui, escrevendo essas coisas, por pura indignação.
Senão, vejamos. Já tive em minha família e entre amigos, gente que não conseguia empregar-se. Gente preparada, estudada, que penou muito para conseguir se colocar e que muitas vezes, viu-se em desespero e com vontade de desistir. Eu mesma, tendo muito mais do que preciso, reclamo muito da vida, digo que estou cansada, tenho estresse, depressão, dias em que não tenho vontade de nada. E eu tenho tudo. Nada me falta, eu posso quase tudo oque eu quiser em termos materiais, e mesmo assim, certas vezes me vejo anestesiada, sem forças, paralisada. Então, penso nos milhares ou milhões de pessoas nesse país que vivem abaixo da linha da pobreza, morando em seus barracos, amontoados feito ratos, vivendo de restos, vivendo sei lá eu de que. Penso nessa gente e me pergunto de onde eles tiram forças para se levantar de manhã e respirar. Que dirá, sair pelas ruas e conseguir um EMPREGO. Eles têm má vontade? Eu sinceramente acho que eles têm uma vontade de viver quase inacreditável. Em meio à condições tão miseráveis, eles reagirem é quase um milagre. Eles têm filhos, eles têm sonhos, eles são gente, eles são iguais a mim e iguais ao tremendo babaca da banquinha, só que não tiveram a sorte do destino colocá-los numa condição favorável. Então, vem o atual governo tentar oferecer à essa gente alguma dignidade. Condições de ter comida, basicamente. Um corpo, para ter forças, precisa estar nutrido. Eu peço perdão se isso fere convicções contrárias mas, eu vejo hoje, muito mais pessoas empregadas, reagindo, produzindo graças á esse estímulo aparentemente tão fugaz, meia dúzia de pacotes de comida que fazem um povo que não tem nada, levantar e sorrir por então, ter algo pra comer. E alimentados, a força deles que pra mim, é descomunal, multiplica-se, e eles viram gigantes, e enchem as fábricas, a construção civil, toda e qualquer oportunidade de trabalho preenchidas por essa gente que encontra alguma diginidade em parcos pacotes de comida. Não são palavras levianas. Não me considero uma ignorante política, tenho em minha família a tradição de se informar, e quando falo isso, falo a partir de muita informação, vasta informação apresentada em pesquisas, matérias, jornais, revistas, internet, todo e qualquer veículo de informação digno apresentará as elevadíssimas taxas de crescimento da economia e do avanço que temos atualmente na busca por igualdade de condições de um povo. E não bastasse isso, tenho funcionários, meus e da minha família, e posso ver, ano a ano a melhoria das suas condições de vida. Todos hoje têm sua casa própria graças a mais um avançado programa chamado 'minha casa minha vida', que os burgueses de plantão podem achar imbecil lendo seus jornais dentros de seus condomínios, mas que fez mais uma vez, de um povo sofrido, um povo um pouco mais digno. Quando a gente tem tudo, e vive cercado pela proteção material é difícil refletir sobre a dor do próximo, especialmente quando o próximo está sujo, feio, faminto, e desesperado, mas essa é a gente do nosso país, e eu desejo do fundo da minha alma que eles caminhem de mãos dadas com esse governo rumo a um pouco mais de respeitabilidade humana.

3 comentários:

z i r i s disse...

Be,

confesso que por muitas vezes evitei usar meu espaço para falar desse assunto. Por isso admiro sua coragem. E concordo linha a linha, divimos pensamentos semelhantes.

Há tanto o que se falar a respeito não?
Há tantos ainda em sono profundíssimo, com quem não se pode falar nesse assunto...


E ao distinto homem da banca, devo dizer que dor de barriga, dá em qualquer um... Depois da dor o alívio e a compreensão do que foi ingerido. Tempo!

um abraço

Carol Castelano disse...

bem q tu podia ser presidente haha' - brincas ;*
é FATO tudo que disse, esse país precisa levar um empurraozinho p/ frente ): país cheio de hipocrisia.

Letícia Campos Padula disse...

concordo plenamente!
beijos