sábado, 28 de abril de 2012

15:23



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[ela]

Às vezes eu saio na chuva sozinha. Pra ouvir de perto a sua melodia. A última canção de um amor irrealizável. Tua vingança, minhas não respostas. Tua eterna pergunta. Os meus mil atrasos. Atraso de mil dias que não passam. Passaram-se os dias e eu não vi! Tava distraída vendo  a chuva que cai, e sai para fora de mim. Você ocupa-me demais. Precisei sair pra respirar. Acho que não vou mais sair daqui. Desta rua, desta chuva, desta pergunta que não cala. Que não responde. Que ficou muda de tanto perguntar. A mesma pergunta de sempre. E o sempre que não vai embora. Teima. Quer ficar. Quer me inundar.  Quer me molhar de lembranças. Teu rosto é a minha lembrança. Às vezes perto. Sempre de longe. Olhando. Me olhando com aquele olhar perguntador:

[ele]

_  Você não vai sair dessa chuva?

Vem aqui pra eu te secar. Te esquentar. Aquecer o teu rosto. Ver os teus tantos rubores. Tua vida que emana ao sabor das minhas mãos. Sinto o fogo que se alastra em teu pensamento. Que sou eu. Eu que te penso. Eu que te rondo. Eu que te apavoro. Eu que te sofro.  Eu sei que você não vem!.... Prefere a chuva que molha ao meu ser que te queima. Te arde. Te condena pela ausência. Pela presença. Pelo teu  ser que faz o inferno em chamas existir aqui. Do meu lado. No meu dentro. No meu corpo. No meu existir. No meu último fôlego de amor por ti.  Vou sair pra chuva também. Mas saiba: _ se eu te encontrar, nem pense: Você não vai escapar de mim!

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