quarta-feira, 25 de setembro de 2013

19:00

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E se alguém inventasse um spray que nos tornasse invisíveis? _ ah!, isso seria bom DEMAIS! Muitas coisas passariam a ser possíveis, pensar nisso faz meus pensamentos pulsarem feito meu coração repleto de você. Adivinha pra onde eu iria por primeiro de tudo? _ lógico que você sabe! ( ou não sabe?), eu iria te ver, lógico! Ver mesmo, porque pelo fato de eu estar invisível, eu não seria vista por você, e uma vez que você não soubesse que estava sendo observado, nos mínimos detalhes, seria você autenticamente, cem por cento de você à disposição cem por cento da minha observação. Poderia ver qual a primeira coisa que você faz ao abrir os olhos pela manhã. Como se espreguiça, se sai correndo, se fica aqueles cinco minutinhos preciosos buscando réstias de um sonho bom, saberia qual a sua primeira palavra, e que horas são. Eu seria o seu tempo passando passando passando por você. Pouparia-me de pudores e veria você se banhar, se secar, se vestir, se preparar para o dia em que o impossível seria real. Não gosto de pensar que poderia ver algo que eu não gostasse, como sua atenção ser destinada à outro alguém especial, ou que você olha para as garotas bonitas da rua, ou um beijo. Isso não valeria no jogo da invisibilidade. Junto à esse poder deveria-se poder acrescentar o poder de só vermos oque desejamos muito ver. E oque eu desejo muito ver é sempre você. Você e seus movimentos, você e a sua vida, você e o lugar que eu poderia ocupar na sua vida. E que lugar... Descobriria pelas minhas andanças em torno de você que eu existo aí, mesmo não estando aí. Estupefata, ouviria você dizer o meu nome antigo ao acordar. Veria você se virar para um painel de fotos minhas, tiradas sorrateiras em todas as ocasiões mais inusitadas, como aquele dia que tropecei na calçada irregular da minha rua, ou no outro, em que catei todas as guimbas de cigarros que os desalmados apagam nos vasos de plantas do lado de fora da loja. Descobriria, encantada, que você canta meu nome enquanto se banha e que confere no celular se eu mandei alguma mensagem. Veria você tomando iogurte na janela da cozinha, enquanto um bem-te-vi canta seu canto que faz você lembrar de mim. Ouço você falar pra si mesmo, _ como posso esquecer se todo som me lembra você?... Você termina o iogurte e lava o copo, bom moço educado aos moldes antigos, ótimo sinal, ponto ponto pontos pra você! Tão meigo, conferindo tudo antes de sair pro trabalho, apressado, não sem antes voltar para pegar o cd daquela banda muito louca que você ouve e segue e adora, adora até mais do que à mim. E eu até nem ligo porque no fundo você acha que aquele som duro aplaca a dureza das impossibilidades amorosas nossas e todas. Amo a sua banda também. E amo o fato de você preferir descer as escadas do que pegar o elevador. Tenho medo de elevadores, então é um alívio saber que você usa as escadas e nunca ficará preso em um elevador. Gosto tanto desse seu jeito de vestir. Moderno mas muito neutro, um tipo de quem não quer ser percebido, como se você pudesse passar lotado pelos olhos dos outros. Impossible, querido! Você tem aquela eletricidade que é irresistível. Vejo isso imediatamente quando você põe seus pés na rua, e aquela vizinha assanhada, corre na janela pra ver você sair. Posso ver isso, sabia? Mas não te conto nem sob tortura.

Ops!, mas oque está acontecendo? Estou vendo meus pés? Minhas pernas? Meu Deus!, o efeito da invisibilidade dura apenas 30 minutos? Não é possível! Mas que spray de invisibilidade mais sem potência!!!, sorte que você já está longe e não me viu. Pois é, sou eu de volta. Só que desta vez, com outro tipo de invisiblidade. A minha, conhecida e característica, mas valeu!


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