terça-feira, 5 de novembro de 2013

19:09

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Paixão é teimosia. E faz seu reinado nas águas que não passam por baixo de uma ponte ligadora. Às vezes acontece de ser tão teimosa que, sabe-se lá como, faz a ponte acontecer e vira oque chamam de amor, que já é outra coisa, outro tom de céu, sem nuvens e quente como um banho de mar numa praia só sua. Paixão é diferente. É insistente. E adora um não como resposta. Ama e odeia, se alimenta de dores e enche a cara nas águas tintas das impossibilidades. Nada viverá mais eternamente do que uma paixão irrealizada. Imorredouras serão suas chamas imortais. Mesmo quando parece que não dá mais. Você finge que acaca. Finge que é para poder voltar pra casa, colocar as mágoas de molho em lavandas mornas, pra ver os estragos na cara, pra limpar as feridas, e chorar um pouco, baixo o suficiente pra não fazer alarde, pra poder ouvir a chuva, e pra não afugentar calmarias, raras, com suas clavículas fracas, e ficar ali, imóvel, e lamber os dedos que guardam o sabor das maçãs daquele rosto, e por fim se aprumar dentro de um vestido preto, enegrecido fingimento, fazer de conta que foi doce, oque deveras poderia ter sido, se não fosse..., paixão é sem dúvida nenhuma coisa de louco, de dominados e dominantes seres, os que se entregam, os que os tomam, e um lamento, este que sim, para sempre existirá, o lamento doce do que poderia ter sido, se ao invés de um poço, tivesse existido o raio de uma ponte que se pudesse atravessar...


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