terça-feira, 24 de dezembro de 2013

16:22

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Faz sentido ter mau-humor na véspera de Natal?
_ Pois eu tenho. Um mau-humor colossal. Já durmo mal no dia 23. Acordo rezando para ser dia 26. Mas não. Juro que tento. Tento o mês de Dezembro quase inteiro ser positiva, tento ver o lado bom da coisa, tento tento tento, mas exatamente no dia 24, quase afundo. Fico pendurada ali, no barco deste dia, pratico respiração controlada, tento distrair olhando pros lados, tento nas ver os buracos no barco furado, e de novo, quase afundo.

É que na verdade, e já que tô um mau-humor do cacete, vou me confessar. Pra quem? Aqui, pra mim,  nesta conversa de águas confusas. Eu odeio festa. Eu detesto frescura. Eu não gosto de formalidade. Eu queria passar o Natal em casa, comendo uma comidinha bem trivial, enfiada numa roupa confortável e sem olhos estranhos por perto. Mas... tem festa. E eu não sei dizer: _ não!, eu não vou. Eu vou, entendeu? Eu faço coisas que não quero, e não faço as coisas que eu quero, e isso me deixa puta da vida, muito puta mesmo.

Outra: _ Eu adoro palavrão. Quase nunca escrevo, ou falo, porque tento ser uma pessoa elegante. Mas quer sabe? _ para PQP a elegância. Eu não gosto de lugar chic, não gosto de roupas chic, ( tá, eu gosto de roupa chic, todo mundo tem defeitos), mas não gosto de ostentação, não gosto daquela árvore de Natal com mais presentes do que pessoas, não gosto de ver as crianças distraídas e longe da gente porque tem tanto brinquedo, que o encontro fica pra lá.

Não gosto de barulho de sirenes. Nem de polícia, muito menos de ambulâncias. Mas sempre tem esse barulho na rua. Aí, eu penso: _ coitadas dessas pessoas que estão nesta situação de dor, bem na véspera de Natal, mas aí eu lembro que o caríssimo meu pai resolveu morrer exatamente num dia de Natal, e aí, bom, aí já dá pra imaginar, né?

Minha família é resistente. Ninguém deixou de viver pelo ocorrido. Li num livro que a morte é como um buraco que se abre na nossa frente. Você cai dezenas de vezes nele, até que um dia aprende que tem que dar a volta por ele, mas o buraco sempre estará lá. Nunca fui ao cemitério depois do ocorrido. Às vezes me pergunto se meu pai gostaria que eu fosse. Mas fazer oque lá? Eu não preciso ir lá para lembrar dele. Até porque, ele não está lá. Ele está muito de boa que ele me contou num sonho bonito dia desses.

Houve um Dezembro que foi especial. Houve um acontecimento especial que procuro não lembrar, porque coisas lindas também doem quando a gente lembra. Para este momento lindo, me ocorre a letra de uma canção: ', e quanto a mim, não é fim...'. Coisa boa não acaba nunca dentro da gente. Ficamos eternamente grávidos daquele instante mágico. Aquele sim, parecia um presente de Natal.

Será que existe alguma chance de Papai Noel repetir presentes? O Natal é um milagre. Prova disso é que todos os lugares, dos mais simples aos mais abastados, haja oque tiver havido no ano, lá estarão todos, juntos, com suas lembranças, seus presentinhos, seus corações, renovando a fé na magia de um menino. Então, por ser Natal, e porque Ele é um milagre, vou pedir que meu mau-humor diminua, que eu lembre de algo bem cheio de amor, tipo aquele dia, e aí eu desejo que você, você, exatamente você, deseje o mesmo presente que eu
_ quem sabe o Menininho não resolve atender?

Feliz Natal aos corações de boa vontade,
e aos mau-humorados, que certamente têm um coração bem grandão também!


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Um comentário:

Esculpindo Ilusões disse...

Oiiiieee,

Também não gosto quando ouço o barulho da sirene. Fico muito mal pois sei que alguém não está bem. Mas assim mesmo devo ir em frente.

Feliz Natal!