terça-feira, 23 de dezembro de 2014

23:49

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Pra você que não gosta de Natal:
 
_ Você não é um insensível. E você não está sozinho. Quando Dezembro surge por aqui, baixa sobre a terra uma ansiedade galopante. Amor vira uma espécie de moeda, e neste mercado, somos todos, um pouco pobres, e carentes.  Em tempos de tanta ostentação midiática, haja vista que hoje todos têm seu próprio canal de exposição, a felicidade parece pipoca. Salta de uma rede para outra, ocultando, no entanto, o seu verdadeiro perfil. Dezembro é o mês da felicidade fake. Tudo expositivo demais, tudo tão irreal, toda a gente correndo feito doido pelos templos de consumo, festas que ninguém está de fato afim de ir, sem fome, sem sede, outros com fome e com sede, e a gente se pergunta, _ qual o sentido disso?
 
OHOHOH, onde você está Papai Noel, para nos trazer de presente o sentido?
 
Amargo poderão pensar os abençoados pelo dom da boa crença. O que de fato é. É amargo desejar que tudo passe rápido e o ano novo logo comece, e de preferência que logo chegue Março, e com ele as folhas de outono e o sossego da vida real. De onde surgiu essa urgência de ser feliz que paira pelos ares, ou melhor, pelas telas desse mundo de Deus, e nestes Dezembros loucos de pedra? Não entendam os que creem.
 
 
Quero alcançar você que descrê. Quero tocar em você, que como eu, não consegue pular de cabeça neste pula-pula natalino. Dizer à você que você não está sozinho. Nem é um estranho. Nem um desalmado. Na verdade, acho que você traz consigo o mais genuíno espírito do que deveria ser um Natal. Você só queria que a vida corresse normal, e o encontro acontecesse porque os encontros devem acontecer, naturalmente. Porque você acha que o amor não deveria ser moeda, medida em número de pacotes bonitos de presentes.
 
Que presente deveria ser a presença. Espontânea. Desobrigada de data. Que o abraço, deveria ser condição. E a distância, um muro a ser derrubado a cada dia. Que as crianças deveriam ansiar por passeios ao ar livre, por dias de correr descalço na grama, por bonecas de pano, feitas à mão por algum artesão da vizinhança. Você querido, só queria que as pessoas menos providas de vil metal fossem  respeitadas e consideradas dia após dia, você queria que a inclusão fosse oque move o gesto, contínuo, e não um gesto ocasional.
 
Você queria não se sentir um ET só porque se questiona e segue contrariado o roteiro de Natal. Você querer fugir, pegar uma contramão, ou  sorrir quando na verdade se sente constrangido com as gastanças e as exorbitâncias de uma data que tinha tudo para a simplicidade reinar, não faz de você um esquisito. Faz você parecer mais bonito. Você saiba, que você é quem me faz sentir o Natal. O verdadeiro. A indagação do nascer. Do sentido. Do porque. Do presépio. Do anseio. Da busca pelo amor. Da afirmação. Do enxergar o outro como um exercício diário e sem exceção.
 
 
Você me faz sentir especial por dividir comigo suas indagações, suas inquietações, e com elas comungo, e faço delas o meu presente. Um presente que multiplica-se todo dia. E renova-se em bem-querer constante.  Aceite estas palavras, como meus mais sinceros votos de que o sentido toque  tua pureza tão linda, e que todos os teus dias sejam dias de um FELIZ NATAL,
 
 
_ ...e se você me entende e eu te entendo, então, podemos prosseguir aliviados para dentro de mais um Natal. Aguenta firme. Já posso ouvir o barulhinho das folhas correndo ao chão. E o vento sul soprando amor. Amor por você. Sempre.
 
 
 
Beijos.
 
 
 
*

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

19:34

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No prezado momento
fico me perguntando:

_ a gente não era mais feliz 'quando'?...

_Quando, quando? ( perguntaria uma criança)

_ Quando a gente era criança. Será que era mesmo pra gente ter crescido?
Será que algum gene foi removido? Posso te confessar uma coisa ao pé do ouvido?

_ Ouvido não tem pé! ( diria a criança)

_ Eu sei. Ele é um órgão dos sentidos. Metaforicamente, falando.

_ Metaforica oque? ( indagaria, espantada, a criança)

_ Nada criança, é só meu coração que tá comovido. E doído.
Dá um beijinho que passa.


Beijou. Passou. Crescemos. Rápido. Demais.
Bom seria poder voltar, atrás.



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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

01:11

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Acho que não vai ter sol. E mesmo que tivesse, prefiro a noite. Mil e uma noites. De preferência dentro de uma tenda. Talvez feita de flores. E com aquele cheiro, almiscarado de Madagascar. Tenho queda por desertos. E por sombras. Do passado. Esquisito tempo que parece que vai, mas volta, sempre que a noite vem. Tenho loucura por lembrar. Frases. Toques. Coisas fora do lugar. Feito o amor. Ou a fuga. O desencontro. Que favorece tanto um devaneio. Gosto de voltas. Dar voltas entorno. De pensamentos. Coisas soltas. Desconexas que ainda assim, insistem no encaixe. Na acomodação. Ou na ilusão de alguma perfeição inatingível. Ainda lembro oque foi dito. Quando. Quando você pensar em mim. É sempre quando. Você não estará sozinha. Entrelinha. Conceda-me uma vírgula. Uma só a mais, só pra ver se eu poderia ser capaz. De me atirar. Nos teus braços vazios de lógica, e ainda assim, tão óbvios pra mim. Dê-me o tempo de um ponto sobre outro ponto, pra que eu possa te dizer o quanto. Sem condições. Só que seja sem sol. E longe da rua. E sem jogo. Sujo de acusações.  Sem desencanto. Sem solavanco. Nada no tranco. Esquece o barranco. Quero as folhas no chão. Descalçados. Nós dois. Ao som daquela banda que não toca drama, ou você me  faz uma composição, vale até uma suposição, que é só pra gente ver se ainda acha aquela agulha perdida no balaio da nossa falta de noção, palheiro de ilusão, que já foi tanta, que eu acho que até perdi a razão.
 
 
 
*

00:22

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PERFEIÇÃO
como a gente sabe
mas,
 às vezes, faz que não sabe,
não existe,
 
então,
quando o assunto envolve EMOÇÃO
o melhor é deixar-se levar
pelas batidas do coração,
aquele lugarzinho onde razão não é a questão,
 
 
e deixar que role o abraço
permitir-se cair nos braços
daquela assustadora melhor opção:
 
 
acreditar nas incertezas
de uma grande
PAIXÃO.
 
 
[...ou vai ficar com medinho de perder o chão?]
 
 
 
*

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

19:00



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Descortine-se. Mesmo que isso pareça insano. Mesmo que não faça o menor sentido. Mesmo que pareça desatino. Calma.  Dá pra fazer de mansinho, sem causar muito dano, pode ser suave e terno, gesto que se faz pungente, urgente, saca?,  tanta gente se escondendo por trás das cortinas, a gente quer ver a tua vida por trás dos panos, dessas teclas, desses tempos insanos de tantos desenganos, equívoco seguir o rebanho, há que se ser autêntico ainda que isso custe o espanto. Maior o espanto abre-se _ quando.

Quando se experimenta o toque do pano. Desajeitado tatear. Descortinarei eu os meus tantos anos? E o medo do abandono? Porque é só por isso. Somente por isso que somos oque não somos. Que expressamos oque não acreditamos. Que rezamos e não esperamos. Que tropeçamos nos desenganos. Vamos amontoando coisas no cenário vazio, tudo parece tão frio, tão sem cheiro de mato, tão abandonado do fato, inato, de sermos chão, grão, coisa miúda, a  gente é  graúda só mesmo na encenação.

Quem seremos quando o pano cair? Porque ele cai. Certeza que ele cai. Uma hora ele cai. E aí a gente sai correndo catando os trapos, pra emendar como quem tampa ferida com esparadrapo, e tampa tudo, porque,  quem é capaz de amar as feridas?

Quem é capaz de amar a carência? quem é capaz de amar os estragos do tempo, os danos dos tropeços, o choro infantil daquele momento que não se apaga, a gente só se trava enquanto trava as cortinas num nó cego, é ousadia querer mostrar, ou ver, ou ser...

Ver. De verdade. Ver. E se espantar com a beleza que há do outro lado do que ninguém quer ver. A beleza não está naquele palco, baby. A beleza não está daquele lado, baby. A beleza não está ao alcance das suas mãos , baby. A beleza, a que se descortina na surdina de alguma esquina patinada por lágrimas que só se derramam se escondidas,_  ah a beleza, baby!, a beleza está em todo lugar onde seja permitido que as cortinas caiam, e que quando caídas, ainda assim, permaneçam corações...



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18:42

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_WHAT?
 
 
_ bons tempos aqueles tempos, 
idos e  queridos tempos,
em que a ficha caía
e a ligação
 
se completava
sem enrolação...
 
 
 
 
*

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

20:44

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Viver
às vezes, significa aceitar
que nada é pouco ou muito ou basta,
 
 
aceitar que as coisas, todas, tolas ou não,
são oque são, aceitar que a escolha pode ou não
estar na mão,
 
aceitar que quase nada faz sentido,
ou contém explicação,
 
que o bom mesmo é voltar pra casa e manter os
pés rentinhos no chão.
 
 
*

sábado, 25 de outubro de 2014

13:13

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"A gente quer viver a LIBERDADE
a gente quer viver FELICIDADE,

É!,
a gente não tem cara de panaca,
a gente não tem jeito de babaca, a gente não está com a bunda exposta na janela pra passar mão nela,

É!,
a gente quer viver pelo DIREITO
a gente quer viver uma NAÇÃO
a gente quer viver como CIDADÃO

É, É, É....


_ Música de GONZAGUINHA,
muito oportuna para estra véspera decisiva no Brasil.


VOTO 13



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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

13:13

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Uma questão
de se importar
com
o
OUTRO.



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terça-feira, 21 de outubro de 2014

13:13

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Coração
quando é valente
não cansa de ter esperança

e quer pra toda gente
menos medo
menos ódio

coração valente só
quer ver a gente contente
de ver a esperança
vencer.


*

13:13

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XICO SÁ,
se um dia eu crescer
quero ser igualzinha à você.

Te amo, lindão!



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sábado, 27 de setembro de 2014

16:16

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O tempo do amor
às vezes a gente gasta, jogando conversa fora,
No tempo do amor
cabem todas as perguntas, tantas que tanto faz a resposta,

somos portadores do futuro, o prazer está à flor da pele
e a pele é macia, mesmo quando os sentimentos não são,

até que o tempo provoca uma tal metamorfose
que a gente parece que parou, lá, atrás, aonde?...

_ em algum tempo onde todos se apaixonarão outra vez.



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quarta-feira, 24 de setembro de 2014

18:18

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Possuir. Você me possui. Eu te possuo. Somos posse.

E POSE!



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quinta-feira, 11 de setembro de 2014

20:02

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Chove
e tudo refresca
Multiplicam-se partículas
em ar fresco e renovado

Parece um começo de amor.

Colho umas gotas
e lavo meu rosto com chuva
e ao sentir o gosto da chuva que cai
re-descubro alguma coisa que parece VIDA

Líquida, vívida, fluída
Decidida de molhar mesmo quando me recolho
Lembra o amor, decidido de ficar mesmo quando tudo parece fora de lugar.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

18:28

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eu queo do amor
o nascimento
de um novo eu a cada dia
desperto para a alegria
e que me divirta e divirta-se

porque se o amor não for divertido,
perde a graça.



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terça-feira, 2 de setembro de 2014

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

20:22

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Você pode nem acreditar, mas acredite!, tudo gira em torno do amor. Mesmo quando parece que não. Tudo gira. Estamos girando sem sentir, giramos com o mundo e com o amor. Mesmo quando parece que tudo está parado. E não está. O movimento acontece, e acontece por amor. Os astros apontarão tendências, o enquadramento das estrelas indicará possibilidades, a lua à quarto crescente apontará um caminho, mas tudo será inspirado pelo amor. Mesmo que não pareça. Será.

Dá um conforto pensar no amor, mesmo sem saber o que é exatamente este sentimento original, confuso e misterioso que nos inicia, reinicia, e nos permite sobreviver. Porque a gente pode resistir à ele, mas nada resiste aos desígnios do amor. Mesmo quando parece que não.

Haverá o amor em cada esquina. Em cada luz que se acende em um lar. Em cada passageiro do ônibus das seis. Em cada buzina que ensurdece. Em cada nota musical. Em cada alimento que chegue à boca. Em cada palavra. Em cada gesto. Em cada pessoa. Em cada cama que embala o sono, este gesto tão genuinamente amoroso. Reside na intenção.

Tudo vai sendo feito por amor. Próprio. Ao outro. Às coisas. Aos filhos. Aos pais. Ao amantes. Às possilidades. Ao futuro. Ao amanhã imediato. Ao prazer. Àquela sensação de estar fazendo oque for preciso em nome do amor "á". A gente faz as coisas por fundo amoroso. Mesmo que custe caro. Que não seja lícito, ou legal, ou moral, ou mesmo que engorde.

Não há contradição nenhuma nisso. Basta perceber a intenção. Lá estará o amor justificando todos os atos. Não faz muito sentido, mas, e alguma coisa faz muito sentido na vida, além do amor pelo amor?

_ Eu creio que não!



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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

20:00

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Pra quem gosta de
música velhinha pra ouvir embaixo da lua.



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19:19

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Sem vontade de lagrimar?
_ mas como?,

se o amor faz sinfonia tão fina com as lágrimas que devagarzinho
se formam, lá na casa das saudades,

nada de meio, é tudo inteiro,
mesmo quando parece que foi,
que já era, que nada mais,

sentimentos quando imensos,
guardam em suas entranhas a grandeza, de por vezes, CALAR.



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sábado, 9 de agosto de 2014

02:08

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Eu me esqueci.
Esqueci de como eu era.
Esqueci de mim

e esqueci de ver que horas eram
essas horas

esquecidas,

que me fariam te esquecer.

Eu me esqueci.
Esqueci de como você era.
Esqueci de ti

e ao te esquecer, me esqueci de mim,
das horas e agora

tanto faz.

TANTO FAZ QUE HORAS ERAM...



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domingo, 3 de agosto de 2014

00:01

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Perfeito é oque você quiser dentro do seu coração. Dentro do meu, há uma noite de estrelas. Faz frio, mas só do lado de fora. Dentro do meu coração, há uma casa. Uma pequena casa de troncos antigos e duradouros, afetuosos troncos de madeira que cedem seu direito de ser árvore para virar abrigo. Dentro dessa casa tem luz. Uma luz intensa sem ser forte, suave e gerada por fagulhas de amor. O que gera a força pra essa casinha é o amor que ela gera, guarda e salvaguarda. É de facílimo acesso, e justo por isso, pouco avistável. Escapa-nos oque está muito perto. O que é muito simples. O que é calmo e suave. Dentro do meu coração existe um céu de muitas estrelas, existe uma bruma com aroma de ervas secretas, mágicas, e lá existe uma casa. Uma casinha de uma porta e sem janela. Ela é perfeita pra mim. E tem lugar pra você.



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quarta-feira, 23 de julho de 2014

20:18

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Oque será que havia na tal àrvore do fruto proibido? Que propriedade tão louca havia naquela tal maçã que uma mordidinha de nada alterou a rota, transmutando-nos de seres alados à seres expulsos do paraíso? Expulsão. Triste fim de Policarpo Quaresma. Estávamos nós lá, bem a vontade, desfrutando paisagens paradisíacas, e a curiosidade pelo gosto de uma mera frutinha pôs todo paraíso à perder. Não faz nenhum sentido. No entanto, é com essa historinha é que a gente cresce e adquire a noção de desmerecedores. Dá até pra pensar racionalmente e deduzir que deve ser outra coisa, a simbologia é abstrata demais pra ser alcançada, mas o fato é que nas entranhas no nosso DNA, está contida a noção do pecado original.

Pecado original. A gente está tão envolvido com a sentença de que teríamos dor ao parir, e que teríamos que suar pelo pão de todo dia que, não sobrou tempo pra questionar esta praga que se abateu sobre nossas toscas cabeças. Uso a primeira pessoa do plural porque estou tentando falar do Homem, raça, espécie, estes bilhões de seres que habitamos o tempo de hoje sem perguntar o verdadeiro porque.

´Talvez porque não dê tempo. Talvez porque ninguém tenha a resposta. Talvez porque sobreviver nos leve todo o tempo. Talvez porque não faça sentido perguntar. Talvez porque sejamos mesmo assim, desmerecedores. Tenho dó. Dó do tanto que a gente poderia ser e não é. Generalizando, lógico. Porque na mente, no mundo dos pensamentos, das ideias, lá naquele paralelo intangível, não somo assim. Lá a gente merece. A gente decide que merece e cria enredos onde não há barreira. Dimensões intransponíveis. Maldade ou vulgaridade. Julgamento nem transgressões.

Lá na mente. Na alma. No lado de dentro. Onde não tem uma árvore proibida. Onde toda fruta é bendita. Onde a vontade é expedita. Onde o pecado não cabe e não existem tentações. Lá onde tudo está bem. Lá dentro. Onde pode ser que exista um elo pra gente achar o caminho e voltar ao paraíso, que nunca deveria ter sido perdido. *

segunda-feira, 21 de julho de 2014

11:11

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INTENÇÃO:


Para que tudo que surge
minhas EXCLAMAÇÕES encontrem um jeito se
ser AMOROSAS.

Amém!




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segunda-feira, 14 de julho de 2014

20:07

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Talvez, alguém esteja aí pra você.
Talvez, muitas pessoas estejam mais que do que aí por você.
Talvez, o mundo seja um bom lugar. Pra você. Pra um monte de gente.

Talvez, não fosse direito falar nada ao contrário disso.
Nada contrário aos afetos possíveis. Ao amor que existe. Às belezas.
Ao calor das manhãs. Dos abraços. Das cobertas. Do café com leite.
Do pão com manteiga. Do arroz com feijão. Das margarida do campinho.

Talvez o verbo só pudesse, ou melhor, só devesse ser usado no tempo presente,
no tempo da esperança, ou da fé, ou ainda na linda virtude da contemplação. Talvez fosse
melhor calar. E no ato do silêncio, quem sabe, encontrar algum motivo pra ser
digno de falar.

Talvez seja melhor. Talvez seja melhor, calar!
Pelas crianças. Pelos jovens. Pelos velhos. Pelos seres de boa vontade. Pelos bons.
Pelo coração. Por você. Quem sabe até?!, por mim...



*

segunda-feira, 7 de julho de 2014

18:59

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Em caso de sufoco,
não hesite,
GRITE


grite alto, forte e muito,
mas sem barulho
sem incomodar,
na surdina,
na sua

porque acredite
ninguém dá a mínima pra sua dor.

Quer que eu repita?
_ Ninguém dá a mínima pra sua dor.


Então,
em caso de sufoco,
não hesite,
grite e acredite
no que diz
sua dor.



*

18:44

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Eu gosto de falar de solidão. Gosto de falar com a solidão. Tenho um caso de amor com tudo que abraça a solidão. Sou parceira dessas dores ocultas entre páginas, perfis e pessoas. Já provoquei muito pé na bunda por isso. Não pés na bunda amorosos, que isso é clichê, e tudo que é muito clichê parece estar fugindo do estado sozinho de ser, mas pés na bunda da vida mesmo, aquele negócio que acomete pessoas com tendências solitárias. Parece ruim, e de fato, não é moleza. Você tem que ter um punhado grande, mas muito grande de coragem para decidir por ela. É um salto para um lugar desconhecido. Dá medo, tontura, desnorteamentos e formigamentos de toda natureza e a gente até se pergunta: _ porra!, eu não podia gostar de outra coisa na vida? Tinha que ser caída justo por algo de aparência tão assustadora e anti-social? Tinha que ser tão longe da casa da alegria, da casa da euforia, da casa das gratidões e dos grandes corações?... Amar a solidão é uma coisa de gente de coração pequeno. Ou grande demais. Depende do ponto de vista. Porque cabe tanta coisa, e ao mesmo tempo, nada pára por lá. Quando se faz uma exceção, dá ferida. Machuca, arde, queima, agride e aí a solidão acaba sendo um bom lugar.Ou o lugar que resta. Ou o único lugar.

Para a solidão, ou na solidão, eu fecho os olhos e finalmente respiro quem sou. Quem sou? Certamente, ninguém que conte. Os solitários dão sempre um jeito, bastante eficiente de não se fazer notar, ou pior, se fazer notar pelo estranhamento que causam, seus comportamentos, opiniões, e sensibilidade. Parece que a gente é sempre do contra. De esquerda. Extrema esquerda. Uma espécie de terrorista da alegria, sempre com um olho em algum ponto obscuro, que não raro são muitos, e que não interessa à ninguém notar. Faz parte. À Cezar oque é de Cezar!, oras pois. Não é comum haver alegria nas solidões. Quem diz o contrário, não é um solitário, é um hiper relacionado que por opção, vez ou outra, tem a escolha de desfrutar um pouco de si mesmo, sozinho. Isso não é solidão. Isso é elevação. E como são bonitos os elevados!, bonitos, flanam pelas páginas da vida, solicitados e solícitos.

Não!, o solitário de verdade não tem escolha. Mesmo quando o destino abre uma exceção, ele dá um jeito de fazer alguma cagada pra melar tudo e voltar cativo à sua cela vazia de solidão. Solidão... Parece tão silencioso, um silêncio enganoso, como há barulho na solidão!, barulho, gritos, ecos, brumas e fantasmas, muitos fantasmas, torturadores, acusadores, julgadores, juízes de uma história sem graça e sem fim. Amarga é a solidão. Mas, às vezes, quando acostuma-se à ela, finalmente, parece que surge uma trégua. É nessas horas que se deve tomar cuidado: um solitário sempre será tentado a perder a sua réstia de paz. A tentação será um sorriso. Uma palavra. Um aceno mais bem dado. Qualquer coisa ilude o pobre coração de um solitário.

Por isso, solitários, anônimos ou declarados, uni-vos!, protejam-se, cutuquem suas feridas, de forma bem doída, que é pra lembrar que dói sair e depois voltar para o mesmo lugar, e a ferida sangra,e se a gente não dá conta de uma, imagine outras, tantas, novas... pra que? se a gente já sabe que só há um lugar seguro, e esse lugar sagrado se chama solidão.

Dois ditados, pouco populares, pertinentes aos solitários:
'não é permitido ser mordido mais que três vezes pelo mesmo cachorro", e
'quem nasceu pra tostão, nunca vai virar mil-réis'.

É A VIDA COMO ELA É.




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sexta-feira, 27 de junho de 2014

19:59

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Eu confesso:
cai num imenso buraco
existencial,

e pra falar a verdade,
nem terminei de cair ainda,
parece um buraco que
nunca tem fim.



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19:29

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Do que se trata tudo isso, afinal? Trata-se de ganhar? Trata-se de perder? Ganhar ou perder, os dois lados da moeda, o bem e o mal, o certo e o errado, o puro e o insano, do que se trata a vida afinal?
Porque a gente não ganha nunca, completamente. Nem quando perde, é completo. Estamos sempre tropeçando, arranhando ganhos, arredando perdas, contabilizando débitos, créditos e o saldo é sempre, devedor. Porque quando você ganha, você perde algo. Porque, quando você perde, logo mais à frente, alguma coisa te traz a sensação de dádiva.
A gente acha que ganha o tempo todo, mas perde. E é fácil, perder. É como respirar. Perde-se um pouco de tudo, o tempo todo. Perde-se tempo, perdem-se afetos, perdemos viço, sorrisos, e oportunidades que não voltam. Mas ganha-se um pouco de tudo também, o tempo todo. Ganhamos o direito ( ou o dever?) de estar aqui, ganhamos ar, ganhamos bençãos, ganhamos carinhos, pequenos mimos, ganhamos no jogo, ganhamos no tranco, ganhamos. E perdemos. Concomitantemente. O tempo todo.
Daí, que é muito sem sentido a busca por algo irrealizável. A plenitude da palava vitória. É a mais pura ilusão. A gente nunca vai ganhar. A gente nunca vai perder. A gente só vai levando, minha gente, sendo levado pela maré. De sorte. De menos sorte. Do que dér. Do que víér. Ninguém vai se dar bem por completo, enquanto houver alguém se dando mal. A gente só vai trocando de lugar, fazendo de conta que ganha, mas com completo senso de que perde também.
Oque será que a gente não pode perder de jeito nenhum nesta vida? Os dentes, a saúde, os amigos, aquele amor, o ar, o prumo?, oque será que a gente não abre mal de ter, de ganhar? uma casa, um corpo bonito, alguém incrível pra chamar de seu?... a vida?
Oque a gente ganha com isso tudo? A gente perde, quando não sabe que ganha tanto? A gente ganha, quando aceita que perde? A gente perde, quando não dá importância ao que ganha? O que se ganha nessa vida,  nessa busca incessante pra nunca perder, pra sempre ganhar?
Perder é fácil. A razão, sobretudo. A vida é mais do que ganhar.



*

sábado, 21 de junho de 2014

20:08

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Assim como na arte,
no amor
você tem que ter algo mágico
algo sublime
algo louco e original

a oferecer, genuína, donativa, vigorosa, inspirada, misteriosa,
simplesmente, porque anseia o amor, assim como a arte anseia ser vista
ou, simplesmente, porque é assim



*

segunda-feira, 16 de junho de 2014

19:24

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_ TEM HORAS AÍ?




*

19:09

Eu posso escolher. Posso escolher me aborrecer, me entristecer,ou me encolher até virar um caramujo, e desaparecer . Posso escolher isso, e outras coisas também. Posso escolher me entreter, me envolver, e me deter em outras tantas milhares de coisas muito melhores e não sofrer. Eu posso escolher. Preciso apenas crer para ver que sim, eu posso escolher. Posso escolher oque pensar, custe oque custar. Custe muito penar, ou pesar, mas eu posso aprender. Aprender a escolher. Eu posso escolher melhor. Posso até escolher melhorar. Posso escolher que não vou permitir rebaixar, mesmo que, às vezes, a vida resolva mostrar certas coisas e eu precise chorar. Eu posso escolher a inteligência, ao invés da esperteza. Posso escolher a calma, e deixar pra lá a ansiedade que cega. Posso escolher deixar para lá, mesmo que isso signifique, até mesmo, me isolar. Eu posso escolher o movimento inverso. Posso dar prosa ao verso.Ao estranho com quem não converso. Eu posso escolher estranhar sem com isso me decepcionar. Posso escolher correr se eu quiser, e posso simplesmente escolher repousar o tempo sobre um leito de pensamentos calmos e rosados e dar um tempo pra que ele, o tempo, se sinta revigorar. Eu posso escolher abandonar. Largar mão do que me deixa louca de tanto penar, e tocar o bonde para outro lado, para o lado de lá, eu posso escolher oque vai me agradar. E posso escolher me doar. Sem com isso esquecer que sou a primeira pessoa que devo amar. E posso escolher não me magoar.Tanto. Ou, bem menos, ou ainda ignorar as coisas com as quais não concordo, e posso até concordar que é meio dureza, que escolher não é lá um negocinho tão simples, , nem fácil, nem mágico, e aceitar que o escolher se aloja em algum lugar entre o crescer, sem ter medo do que pode acontecer quando a gente resolve, pura e simplesmente escolher.Eu posso reconhecer que me preciso me conhecer. Melhor. Mesmo que isso indique que preciso mudar um pouco. E me amar mais do que pouco. e relaxar. E me esticar. Me alongar. Ampliar meus conceitos e meus tantos preconceitos largar. Eu posso escolher. Ajudar. Ou pelo menos, não atrapalhar. Eu posso tudo desde que eu escolha bem. E para que isso aconteça, só uma coisa eu não posso esquecer: existe o outro além do meu próprio ser.




*

quarta-feira, 4 de junho de 2014

19:19

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Bom mesmo
é quando a gente consegue ver a beleza que não é óbvia demais,
quando a beleza é capaz de algo além de nos deslumbrar, quando ela consegue nos tocar por outros sentidos, quando desperta o riso, quando permite à gente, simplesmente, se divertir. *

sexta-feira, 30 de maio de 2014

19:50

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Pessoas
são uma caixinha de surpresa,

quando você menos espera,
ou quando acha que já captou tudo,

surge um novo compartimento,
uma portinhola secreta, um atalho,
um abismo,
surge o  I N E S P E R A D O ,

é muito interessante, embora isso valha para o bem,
e para o não tão bem assim...


*

quinta-feira, 15 de maio de 2014

20:43

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A lua cheia está vazia. Não é engraçado? c o n t r a d i t ó r i o . Afinal, a lua me entendeu. Estar vazia. A lua está vazia. Será que ela, afinal, entende oque é que o ser aqui da terra sente sempre? Vazio. Parece que está tudo cheio: muitas coisas para fazer, muita gente por todos os lados, muitas coisas, muita materialidade, coisas e coisas e mais coisas, caras coisas, palavras, notícias, fatos grandiosos, pequenas cotidianices, a rede, a grande rede, informação, informação, bares, bebidas, comida, gordura, carência, violência, enganação, ilusão> Todos cheios de vazios. Feito a lua.

Pergunta. Não basta ser ridículo, tem que compartilhar?...

é Dona Lua, que tal o vazio, hein? O que houve? todas as estrelas resolveram olhar pro outro lado? o sol arranjou outro amor bem platônico pra te substituir, ou será que fomos nós, os seres de pouca luz aqui da terra que simplesmente não olhamos mais pra aí?... pra você, grandiosa esfera de energia, tão linda e tão só. Tudo tão lindo. Tudo tão só. Somos sós. Até o sol, cheio de amor pra dar, e, só, ninguém pode se aproximar. c o n t r a d i t ó r i o . c o n t r a d i ç ã o

Escrevo para você lua, nesta tua fase vazia pra te convidar pra chegar. Não literalmente, claro, senão, seria o caos, o fim desta bola chamada terra, mas convido-a a chegar por energia. Chegue aqui, junte seu vazio ao meu. Prometo toda a minha atenção, mesmo que dizer isso pareça desimportante. Vazio lembra isso, né? algo desimportante. Vou te falar: queria habitar algum lugar nos confins da terra, algum canto bem gelado, bem distante, bem fora das conexões, um inóspido lugar onde fosse bem difícil de chegar. Às vezes, penso que o ser humano deseja que o mundo acabe. Todo mundo tão cansado, tão estressado, tão cheio de tudo, tão vazio de tudo. Daí, fico com medo. Vai que o Senhor resolve atender este desejo coletivo de que o mundo se acabe. É que eu não queria acabar. Não sem antes ultrapassar o vazio. Morando tão longe, tão no meio do nada, de repente, lá, esquecida neste lugar gelado, acabo restando neste lugar. Vazio e repleto de nada. Quanto vale uma vida vazia? _ NADA?!... *

sexta-feira, 25 de abril de 2014

20:02

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Parece que eu vou devagar,
mas devagar, é tão depressa...

_ parece devagar pra você?



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sexta-feira, 18 de abril de 2014

17:48

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A gente já devia iniciar o dia com duas palavras em mente: PERDÃO E OBRIGADA. Porque não é assim que acontece?... A gente estala os olhos e , não raro, pensa _droga!, já tá na hora. Antes de agradecer já de arranque precisa se desculpar. Então, a prece precisaria ser mais ou menos assim;
_ Perdão Pai-Mãe de todos nós, porque mesmo sabendo que tenho que agradecer as dádivas, cedo a tentação tantas vezes que, às vezes, vira até costume. Perdoe-me por repetir e repetir as ingratidões que se repetem e não evoluem, de geração a geração. Obrigada por me dar a chance de me desculpar, sempre.

A gente magoa muita gente por aí. Prefiro pensar que nunca é por mal, embora saiba que a semente do sarcasmo, do humor barato, da inconsequência ronda com frequência. O fato é que, intencional ou não, a gente magoa mesmo sem querer magoar. Nem sempre é possível dizer um sim. Nem sempre é indicado poupar um não. Nem sempre a gente quer. Nem sempre a gente pode. Nem sempre é recomendável. Nem sempre. Nem sempre.

É quando, depois da prece matinal que você se dá conta de que precisará tanto ou mais, pedir desculpas, e agradecer a chance real que existe de ser perdoado, da compreensão acontecer, do amor vencer pelas mãos de quem magoa, pelas mãos de que perdoa, por esta natureza extraordinária que nos brinda com capacidades que podem nos fazer ir além da teima, da birra, da criancice, do egoísmo.

Frequentemente, pergunto-me: seria possível passar um dia todo sem magoar algum coração? Um ser iluminado conseguiria? Porque, às vezes, um gesto imperfeito, simplesmente se faz necessário: uma mentira, um desvio, um atraso, uma negativa, um humor péssimo, uma dor latejante qualquer, VARIÁVEIS nos expõem à tratativas intermináveis entre o uso da palavra perdão, e da palavra obrigada.

Como tudo na vida é exponencial, acaba que quem magoa a outro, acaba magoando a si próprio também, como da mesma feita, quem pede perdão, deve perdoar-se sobretudo. É a multiplicação dos gestos intercalados entre o sim e o não. Entre a noite e o dia, entre o sol e a lua, entre oque é bom, oque deverá tornar-se bom.

E a Terra no meio disso. E a gente no meio disso. E as pessoas à quem tanto devemos agradecer. E as tantas à quem devemos pedir perdão. E o nosso corpo. E a nossa alma. E o nosso próximo capítulo, ali, nas mãos do nosso mais próximo, a quem vamos alegrar, e entristecer, para ao final de mais um dia, deitar, e fazer uma prece onde novamente o pedido de perdão abre o uso do verbo, seguido pelos tantos agradecimentos, e no fim, que deve ser no meio e no começo e para todos os lados possíveis, as emanações amorosas, porque nessa ciranda de erro e acerto, só mesmo o Amor, pra acertar.

FELIZ PÁSCOA!



*

sexta-feira, 28 de março de 2014

18:40

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Minha viagem é ao centro da terra, e chegando lá descubro que o centro da terra sou eu. Não é estranho viajar pra tão longe para descobrir que estava tão perto?

_ não, não!, não é privilégio meu. Se você seguir viagem até o centro da terra, descobrirá, igualmente, que o centro da terra é você.

E assim, sucessivamente, com cada mente que produz. Lá, no centro da terra, descobre-se que podemos criar. Como Deus? ... Não!, nem tanto. Podados fomos quando expulsos do Paraíso, restou-nos somente a ponta da pinha calcificada pelas materialidades que nos distraem.

Mas ainda assim, meio capengas, podemos criar. E oque criamos, conecta-se à todas as outras criações, e assim, do centro da terra, do nosso centro, unimo-nos em uma criação a que chamamos mundo.

Tá bom pra você?
Pra mim tá meia boca. Dá pra melhorar um BOMBOCADO, por isso minha viagem é ao centro da terra, onde descubro que eu sou o centro da terra. Se eu melhorar pra MIM, melhoro pra você. E assim, sucessivamente.

No nosso caso de amor, somos dois, ou somos mil? Em que dimensão você está agora? Em que rede está você, engaufinhado? Tô falando muita besteira?

Tô, né? Mas eu te juro,não pensava em mais nadica de nada se soubesse o caminho pr'alguma ilha bem distante, um canto que fosse, que tivesse água, e éter, dizem que é a substãncia mágica...,relaxar, ver você... estar nos teus braços e simplesmente te amar. Não precisei viajar até o centro da terra pra descobrir isso. Mas precisei viajar. E viajei até lá, e muitas vezes vou voltar, que é pra descobrir um jeito de te alcançar...


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domingo, 16 de março de 2014

15:55

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O amor está te seguindo?
Estarei eu à seguir o amor?
O amor está nos seguindo?
O AMOR ESTÁ!
Sempre está. Mesmo quando parece que não está.
O amor insiste. Ele está à nossa frente,
e sempre à frente de nós.
Amor é o nosso passo quando é dado
e está em cada passo recuado,
por proteção
por cuidado
o amor parece resguardado
mesmo quando se arrisca por todo lado...



Estaremos nós enredados por uma misteriosa
espiral amorosa de onde não se tem escape?
Quem haveria querer escapar ao amor?
Quem poderia escapar do amor?
Quem se arriscaria a perder o fio de contato com o amor?
Talvez você. Talvez eu.
Por algum motivo telúrico, passadas vidas, desencontradas,
Somos amantes de outras estradas.






*

segunda-feira, 10 de março de 2014

00:33

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'O TODO está para a maior parte
assim como
a maior parte está para
a menor parte'


Existem subterrâneos inacreditáveis
e transponíveis bem diante dos nossos
belos olhos

Abre-te sésamo!
Perfuma-me gergelim



*

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

03:14

.


Um lugar que guarde a inspiração mais que perfeita
sobre tudo que se pode obter de um amor,

o erotismo de presenças ausentes,
mas tão presença que quase se poderia ouvir a voz dos poetas,
dos pensadores, dos que nos fizeram chegar até este momemto
das nossas parcas certezas,

e ali, sob as bençãos dos sábios do amor,
contaríamos uma cena da nossa história,
Platão, suspirando que só amamos oque não temos,

tendo a visão do nosso amor, confirmando ou desconfirmando esta certeza:

sendo ou não sendo meu, sendo ou não sendo sua,
SERÍAMOS, neste que seria um LUGAR PERFEITO PARA UMA NOITE DE AMOR.



*

domingo, 23 de fevereiro de 2014

23:14

.


"vida é fonte de alegria,
o nosso pecado original
é que temos tido muito pouca
ALEGRIA"




Vida longa à Alegria!!!






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23:12

.


o segredo da maior fertilidade
e do maior gozo da existência é:
VIVAM PERIGOSAMENTE!

construam as suas cidades debaixo do Vesúvio!
enviem os seus navios aos mares desconhecidos!
vivam em guerra com seus iguais e com vocês mesmos!
sejam ladrões e conquistadores...!


_ assim falou Zaratustra



matáfora para ser VENTO



*

23:08

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de corpo presente,
e até algum coração,

e aquela loucura bifurcativa
de querer insistir desejar contemplar

uma plenitude cósmica
que somente a tua presença
revela

enquanto a chuva cai
logo ali
e não coloca nenhum ponto
nos meus is...


*

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

11:11

.


Não te parece lógico
pensar que o amor possa ser tudo

e mais alguma coisa à mais?...




*

19:01

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Ando sempre atrás da lógica. Sou excepcionalmente apaixonada pela lógica das coisas. E isso é muito incoerente, já que também ando e sempre atrás do mistério que se abriga sob todas as coisas, sem que a lógica seja possível na maioria das vezes. Mas vale a caminhada. Quando você decide ir pra alguma parte, você parte. Vai. Prossegue. Embarca, desembarca, tantas vezes quantas forem necessárias porque, você quer chegar. Quando finalmente chega, respira e pensa: _Bom , muito bom! Bucar a lógica de alguma coisa é tipo isso. Estabelecer um itinerário e sair. Pernas para que te quero. Leve-me. Só que a condução desta procura é a mente. E a ajuda vem da alma. Mente e coração. Porque a lógica só se faz coerente quando aloja-se tanto num, quanto em outro.

Tantas coisas. Tantas lógicas perdidas, achadas, corroídas, conservadas. Procura-se a lógica, desesperadamente!... Porque eu penso as coisas que eu penso? Porque encasquetei com o Teorema de Pitágoras? Porque não posso simplesmente aceitar que poderia ser só mais um enunciado matemático que diz que a soma do quadrado dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa?... Poderia ficar por aí, não poderia? Mas não. Eu queria a lógica disso. A lógica de um teorema que nasceu lá nos tempos das pirâmides, ou até antes, foi enunciado por Pitágoras, quando nascia a Filosofia, por volta de 500 a.C., e se mantém atual e aplicável até hoje nos mais variados segmentos.

E o mais difícil, é que é base de uma filosofia. Porque se você aplicar o desdobramente deste teorema irá perceber que ele abre formas, e dobrável, vai até um núcleo, que seria o início. Se você olhar um raio de sol no fim de uma tarde normal, o triângulo 3:4:5 de Pitágoras estará lá, e se você desenhá-lo num papel, poderá desdobrá-lo ad infintum se isso fosse possível fazer no papel. Como fórmula matemática, no entanto, isso é possível. E na vida real também.

Oque pensamos de desdobra desta forma. Pois é energia. E tem massa. Como a Noética, a ciência do pensamento já confirmou em estudos de Física Quântica. É tão absolutamente fascinante imaginar que existe o desdobramente real do que pensamos que quase não tem lógica imaginar. Mas nem por isso não existe. Existe e é um fato. Tão fato quanto a lógica de que, se você acorda cheio de boas vibrações num dia, quase sempre tudo se desdobrará, neste dia, em acontecimentos favoráveis. Da mesma forma, se você acorda meio de bad, uma corrente de coisas esquisitas tendem a acontecer.

Tá dando pra entender a lógica?
A pira que é ter o dom de pensar? E a pira maior que é, imaginar, que através de um pensamento devidamente controlado, você pode fazer alguma coisa que você quer muito acontecer?
Tá entendendo onde eu quero chegar?

_ eu só tô nessa pira toda porque eu quero ver você. Dá pra acreditar na lógica de uma coisa dessas? Não era muito mais simples e lógico eu pegar o telefone e teclar os teus números e dizer, _ você aceitaria o convite das minhas reticências?..., mas não!, eu tenho que embarcar em viagens porque minha mente tem pernas, ou asas, e eu, como você sabe, adoro voar. Atrás de alguma lógica, e de um dia, quem sabe, simplemente te encontrar. Bem ilógico isso!

(...)



*

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

20:37

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EU SÓ SOSSEGO

PORQUÊ

' É PREGO '

MARTELAR






*

18:18

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Tem uma lição que toda criança nasce sabendo decor: quem não chora não mama. Mas não é essa a principal lição. É que toda criança nasce sorriso e só quer saber de se divetir, descobrir o mundo, viver o hoje, sabendo que amanhã é uma coisa abstrata guardada para amanhã, independente de qualquer coisa. Criança é lição de esperança. Mesmo que o mundo não lhe seja bom. Olhe para uma criança um pouco mais demoradamente, e você vai comprovar que ela vai acabar rindo. É da sua natureza. Natureza roubada porque depois, há que se crescer, e manter o sorriso, dependerá de o quanto se tem que chorar, para poder mamar. Na vida adulta, choro corresponde justamente em ser adulto, em ter a inocência quebrada não se sabe nem pra quê, enquanto que mamar é o direito ao sorriso certo, é o conforto de não se sentir sozinho. Sorrir, é alguma diversão que resta. Alguma fé. Alguma ilusão. E sorte. E todo tesouro feito de coisinhas que se puder juntar. Em criança serão pedrinhas, cacos, brinquedos... enquanto que em adulto, a lista muda, mas ainda serão brinquedos disfarçados de 'coisas adultas'.

Eu sei disso porque já fui criança.
Eu sei disso, porque ainda sou, embora não tenha mais idade pra ser,
porque todo mundo cresce um pouco, mas não esquece de o quanto era bom, deitar e dormir, comer fruta no pé, ler e não conseguir entender tudo, se espantar com a alegria, se admirar com a coragem, brincar de esconder e desejar ser achada, jogar o lenço no menino bonito, correr, deitar na grama, contar figuras nas nuvens, e sonhar mil coisas para um futuro que nem parece que existe, porque o sorriso distrai tudo, e é por saudade à distração que eu insisto em sorrir ao invés de simplesmente, explodir.

Lições que se aprende em criança.



*

10:10

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Acho que vou embora para Jijoca.
De Jericoacoara.
Quer vir também?






*

10:00

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é como a chuva, não é?
ou como o canto de um pássaro,
ou como um raio de sol no fim de alguma tarde em que não houve um nós,
mas estávamos nós, cada qual em sua parte da tarde em que não houve
encontro, mas houve o estar, o existir, o pensar, o fazer parte sem fazer,

entendo.
é como a chuva, não é?
_ ela chove. e fim. e depois, volta a chover. e fim.

Amor chuva. A chuva sempre volta a dizer:
_ eu ainda te amo.


*

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

23:44

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Só pra saber:

de vez enquando, uma vez que seja, só para variar,
será que por acaso

É PERMITIDO DESISTIR?


[cansada]



*

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

19:20

.

se não me envias flores
compro-as eu,
ou tanto melhor, colho-as em meu próprio jardim,

só não me prive do teu afeto,
tampouco me poupe da tua dor,

seja qual a forma do teu amor, devolvo-te sempre, em mais amor.


*

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

21:21

.

Farei escancarada
minha morada
para que terna seja a chegada
do teu inesperado gesto, da tua palavra
as parábolas inventadas pelo teu silêncio lento,
tendo o cuidado de vestir-me em
grinalda de pétalas desta chuva fina que não pára,
chuva para que não haja lágima, mas surpresa, cativa alquimia e ternura e saudade curada, minha janela, é a tua véspera madrugada.
Não tarda!


*

20:55

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"Amar é brincar. Não leva a nada. Não é para levar a nada. Quem brinca já chegou.
Fazer amor é brincar com o corpo.
(...)
O sentidos precisam sair do túmulo onde os deveres os enterram.
Corpo brincando: é nele que acontece a alegria."


_ Por Rubem Alves




*

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

02:02

.

"o mundo é dos que sonham
e toda lenda é pura verdade..."




*

01:08

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Adoro Schopenhauer. Adoro aquele seu mau-humor e sua incerta superioridade de se considerar detentor de tantas verdades. Gosto das suas regras. Da sua acidez. E de tudo que no fundo apenas fala de o quanto ele desejava ser amado. Era rígido mas queria ser admirado. Dizem que Goethe frequentava os saraus culturais que sua mãe promovia em casa. Já pensou em ter Goethe na sala da sua casa, para debater assuntos como a terra o céu e o ar? Adoro Goethe. Ele é maravilhoso. Digo assim, no presente porque certas almas são imortais. Ou todas seriam? Não sei, mas amo Goethe. Li certa vez uma biografia acerca dele, escrita por seu secretário particular, que o descrevia como um homem amante das cores, da estética, dos bons hábitos, não os meramente burgueses, mas os aristocráticos hábitos do bem viver, do bem pensar, do bem se ver, do bem se amar. Morreu um homem belo, mesmo no avançar da sua idade, músculos rijos, um rosto marcado por uma suave pátina, oscilações da sua cartela de cores primárias. Influenciou o pensamento de todos .( Mas de todos, e de longe, foi o mais feliz). De Freud, por exemplo. A quem amo também. Foi um bon-vivant acima de tudo. Dizem que fazia uso de alguns "aditivos" para pensar. Pensou e associou de tudo. Por exemplo, côcô, para ele, simboliza dinheiro. Já pensou? tudo a ver! tudo a ver! Debato-me com um dos seus últimos ensaios "O Mal Estar na Civilização". Se eu compreendi direito, para ele, uma vida feliz, para um individuo, consistiria em ter um amor, e um bom trabalho. Conclusão bem careta para alguém como Freud, que teve uma vida pra lá de animada. Dizem que Lou Andreas-Salomé quase morreu de tanto amor por ele. Enquanto Nietzsche morria de amor por ela. E Rilke à espreita. E a fila andava... Não é assim que se diz? A fila anda!, mas Freud parece não ter tido muito problema com isso já que o destruidor de corações era ele. Um viciado pela novidade das paixões. O que nos traz novamente à Schopenhauer que se perguntava:_ só o breve, só a novidade interessa? Responde Freud!, há que se envelhecer para não enlouquecer? Virar uma criatura adequada e trabalhar direitinho, e amar alguém bonitinho para se obter o vislumbre desta tal felicidade? Desconfio que nem ele sabe. É muito interessante fuçar a vida destes grandes homens e mulheres do passado. Descobre-se que amaram. E muito. E passaram por todas as tormentas existenciais, e sofreram as agruras de seus amores, e viram suas paixões se esgotarem, para, no final,e agora faço uso de uma expressão contemporânea, dita por outro ser amável, Oscar Niemeyer, concluirem, mui provalmente que:
_ nasceu, morreu, fudeu! (E a vida no meio disso!)

Sim!, foi Niemeyer quem disse essa pérola. E também disse "a vida é um sopro". A vida é um sopro. Um sopro gostoso pra uns. Um sopro longo para outros. Um sopro. Feito um gozo. Um choro. Um abraço. Um beijo. Ou feito o breve péríodo de uma paixão. Um sopro que nos escapa...


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23:56

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muito pessoal,
tanto,
que não deveria ser escrito,

mas quem ama lá tem noção de algum perigo?
quem se sente enlouquecer, lá se preocupa em se preservar?
quem ama as letras e encontra nelas, e somente nelas, alguma paz... faz oque?

escreve.

Hoje é um daqueles dias de confusão na minha mente tão naturalmente confusa. Eu tento, eu juro que eu tento não pensar insanidades, não ficar buscando uma lógica para as loucuras que penso, e sinto, e sinto tanto não conseguir entender, meu pensamento é limitado, não tenho tempo, não tenho espaço, não tenho liberdade, não sou dona de mim mesma... sou dona deste pequeno momento, mas nem deste aproprio-me devidademente, porque o dedico à você, quando de verdade eu preciso tanto de mim. E eu não me alcanço. Eu estou do outro lado desta que sou aqui fora. Lá dentro de onde nem sei, eu sei que existe alguém.

Minha cabeça lateja suaves pontadas de uma dor distante. Minha pele arde. Odeio o calor. Odeio o calor. Odeio. é tão feio, né? dizer que se odeia alguma coisa. ódio. quase nunca falo dele. não escreve-se sobre este lado obscuro que todo ser, no entanto, guarda, ou esconde. Não sei se sou capaz de muito odiar. Mas não gosto do calor. Ele me faz mal. Me afasta de você. Por que eu sinto isso? Porque você é frio. Distante. Uma tempestade. Um floco de neve. Uma tsunami. E as vezes, discretamente, você é uma manhã de sol. Sol de outono. Lindo e morno.

Fala-se tão mal das coisas em estado morno. Eu gosto. É calmo, confortável, é como um colo, livre de febres, livre de dores, livre de tudo que possa fazer mal. Se você estivesse aqui, agora, não queria me acabar em  calores infernais no seus braços. Talvez em alguma outra hora. Mais fresca. Tipo às 06:00 da manhã. Quando o dia, nem ele mesmo, sabe se já é dia ou ainda resta noite. Hora perfeita. Mas não agora. Nesta hora que agora me tem, eu só queria colo. O teu colo pra me aninhar. Pra me amornar. Pra me fazer entender por alguns segundos que fosse que tem que ser como é. Não há escolha para certas coisas na vida, né? Elas são como têm que ser e ponto. Só que eu queria uma vírgula. Uma carinhosa vírgula para estabelecer um pequeno tempo para sermos nós dois. Uma meia dúzia de minutos só pra ser de você. e você de mim. E depois tudo poderia voltar a ser este amontoado de horas sem sentido real, essa correria inútil para ser algúem, para ter coisas e parecer oque desejam que a gente seja. Um bando de babacas com uma montoeira de babaquices pra ostentar.Valeria à pena. Agora eu acho que sei. Haverá uma nova chance pra nós? Vem aqui pra me acalmar? Eu preciso de água. Minha cabeça dói, pesa, tem toneladas de pensamentos e eu nem sei de onde eles vêm, nem pra onde eles vão, embora eu tenha quase certeza que eles não vão embora, eles ficam e se acumulam, embora o espaço que guardo pra você, só para você, nesse espaço, _ah!, nesse espaço, querido, ninguém mete a mão. Ninguém mete a mão. Já falei do aperto neste meu coração? Coração sente falta. Por que reclamar, né? Para que? Toda gente escreve sem parar que é pecado reclamar, que a vida é bela, que as misérias são todas, miseráveis almas incapazes de compreender o VAZIO. Tem dores que não são materias, mas, nem por isso deixam de doer. Ou doem tanto quanto toda dor. Dores serão comparáveis? Não. Sempre haverá uma dor maior. Mas mesmo assim, a dor do vazio existe. Ele existe, não existe? Diz que existe o vazio... Diz que sou oque te falta. Diz que você não vai me faltar. Diz que vem me abraçar. Diz que vai passar. Diz que vai passar. Vai passar. Vai passar... Eu sei que vai passar. *

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

18:58

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A gente sempre quer. Eu quero. Você quer. QUERER que é um verbo mais que humano. É o verbo da primeira pessoa. E de todas as outras. Como a gente quer!... A gente quer manter oque tem, e quer mais. Dureza é conciliar tanto querer. A gente quer o sol, mas sente falta da chuva, tão linda e amiga. A gente quer o som dos afetos por perto, mas também quer o silêncio que restaura a alma, que sempre quer calma... Quer viajar o mundo, mas quer deitar o corpo naquela única cama de sempre. A sua cama... Quer amar, e amar, e amar livremente como se do amor só se pudesse usar as asas. Mas também quer prender. Ter para seu. Trancafiar-se em alguma ilha deserta só pra ser de alguém que será só seu, até a chegada do tédio, que a gente não quer que chegue, pois quer que a paixão pra sempre o domine e seja eterna, e dure, e afaste todo risco.... Ah! como a gente quer. Quer ser jovem pra sempre, mas quer ser sabido das coisas da vida, quer ser magro, mas quer fartar-se de todas as delícias que mãos sagradas são capazes de preparar, quer solidez, segurança, mas quer passear de madrugada, subir telhados abandonados e fazer amor sob a luz da lua azul. Mas não quer cobrança.Quer a delicía de ser criança. A gente quer tempo. Todo tempo do mundo, para poder até perdê-lo em dúvidas inúteis. A gente quer ir embora, mas quer pra sempre ficar. A gente quer ir contra, mas quer todo mundo a favor. A gente quer chorar de rir, mas nunca de dor. A gente quer a cura total. Pras feridas da carne, e virar imortal. A gente quer ser desprendido de tudo, de todo e qualquer supérfluo material, mas a gente também quer uma bebida bem fina, almofadas macias, frutas frescas, e um palácio para virar Sherazade em mil e uma noites de amor... A gente quer um príncipe, mas não quer saber de usar as amarras que prendem a cintura de uma princesa. A gente quer a virgindade das coisas. Das pessoas. Dos afetos. Dos amores. Das delícias. Mas quer poder experimentar, sem proibições. A gente quer o perfume dos sentimentos mais nobres, mas quer o direito de estar à margem de qualquer convenção. A gente quer pular do oitavo andar, mas não quer se machucar. A gente quer subir na árvore, quer a fruta madura, e quer água fresca ao alcance das mãos. A gente quer tudo na mão. A gente quer do outro, tudo, mas dar tudo a gente não quer. A gente quer que venha até nós todo o vosso reino, mas que seja sempre feita a minha vontade...

O Querer. Tão notável direito. Tanto querer misturado neste balaio de gato, parece uma torre de Babel...quem se entende?... quem quer abrir mão do que é seu? E eu? E você? Oque a gente quer? Eu quero a folha de um papel, um papel mágico que aceite que eu ali deposite todo o meu querer, meu querer que é você, e depois que ela sirva também pra você, e virada a página, branca de novo a folha, que aceite também o seu querer, que poderia ser eu, e todos os seus demais quereres, já que os teus parecem, sempre, tão mais justos do que os meus... E então a gente vira a página, JUNTOS, e alguma coisa fantástica acontece, algo que nos permite entender além do querer, e aí a gente vai fazer DIREITINHO, exatamente do jeito que a gente quis: um risco sobre tudo que passou, e arriscar num verbo novo, e só vai sentir. Sentir, que é um verbo que vai muito alèm do só-querer.


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segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

19:19



As letras que uso
uso-as como suspiros

POR TI




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19:06

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Um bom amigo é feito passarinho,
só a menção do seu canto, já faz a gente acordar pra vida.

Amigo é o beija-flor do amor.



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sábado, 25 de janeiro de 2014

00:28

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Um jeito diferente de dizer que
eu (ainda) te amo:

Sonhei contigo.
Um sonho em forma de beijo.
Era um beijo, o sonho.
Sonhávamos, ou nos beijávamos
de olhos abertos, OLHOS ABERTOS?
porque no sonho, ou no beijo,
não cansávamos de olhar
para acreditar que éramos mesmo
nós dois, num sonho,
que era um beijo.

_ aí você acorda,
e só quer voltar a dormir,
pra voltar a sonhar,
e pensei que te contar seria como reconfirmar o meu amor.
Confirma ?...


*

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

20:08

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No final das contas, somos seres sozinhos. Por mais que tudo. Por mais que haja amor. Por mais haja um monte de gente por perto. Ou meia dúzia de gatos pingados. Numa aldeia. Na grande cidade. Nas festas. Tanto faz. Estranho é pensar que a gente só não é só, completamente só, quando finalmente está sozinho. Sem nada por perto. Tipo absoluta solidão. Daí pinta a consciência de que originalmente somos um. E cada um com seu cada um, seguimos aos esbarrões. O universo é só. As estrelas, por exemplo, olhando-as daqui, parecem numa grande festa celeste. Parecem sorrir em seus trajes brilhantes. Mas, não!, estão a centenas de milhares de quilômetros de distância umas das outras. Como se comunicam? Que nem nós. Só que diferente. A gente abre a boca e fala. E ninguém escuta. Na real, ninguém escuta ninguém, porque os universos são espelhos de dentro onde só entra quem já entrou. Quem já está lá dentro. Um ser de cada vez. Um entruncado emaranhado de universos onde a única chance de comunicação está nos ouvidos d'alma. Alma que não entende palavras, mas a música do que quer que se queira dizer. Creio que com as estrelas, que não possuem boca, são etéreas de uma forma especial, acontece delas cantarem através do pisca pisca dos seus brilhos. Não dá para ouvir daqui, mas elas cantam. Elas não falam. Elas brilham notas musicais. Conformaram-se com suas solidões de tanto brilho, e sem mais, como que por obra do acaso descobriram a música amorosa que consegue ultrapassar as barreiras da não-audição, e brilham em celebração. Barreira esta que a gente daqui, estrelinhas de brilho muito parco,não sabemos como. Estrelas se comunicam por energia. Umas para as outras. Não pela sua própria solidão, mas pela solidão da estrela mais próxima. Nós, precários seres de pouca luz, seguimos tentamos com palavras, fazer algum tipo de música para o coração. Alma, energia, essas palavras tidas como esotéricas e sem muita razão. Enfim. Certamente não me fiz entender: não sou estrela, não sei ser quântica, só tenho as palavras e um punhado de solidões.


*