quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

01:08

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Adoro Schopenhauer. Adoro aquele seu mau-humor e sua incerta superioridade de se considerar detentor de tantas verdades. Gosto das suas regras. Da sua acidez. E de tudo que no fundo apenas fala de o quanto ele desejava ser amado. Era rígido mas queria ser admirado. Dizem que Goethe frequentava os saraus culturais que sua mãe promovia em casa. Já pensou em ter Goethe na sala da sua casa, para debater assuntos como a terra o céu e o ar? Adoro Goethe. Ele é maravilhoso. Digo assim, no presente porque certas almas são imortais. Ou todas seriam? Não sei, mas amo Goethe. Li certa vez uma biografia acerca dele, escrita por seu secretário particular, que o descrevia como um homem amante das cores, da estética, dos bons hábitos, não os meramente burgueses, mas os aristocráticos hábitos do bem viver, do bem pensar, do bem se ver, do bem se amar. Morreu um homem belo, mesmo no avançar da sua idade, músculos rijos, um rosto marcado por uma suave pátina, oscilações da sua cartela de cores primárias. Influenciou o pensamento de todos .( Mas de todos, e de longe, foi o mais feliz). De Freud, por exemplo. A quem amo também. Foi um bon-vivant acima de tudo. Dizem que fazia uso de alguns "aditivos" para pensar. Pensou e associou de tudo. Por exemplo, côcô, para ele, simboliza dinheiro. Já pensou? tudo a ver! tudo a ver! Debato-me com um dos seus últimos ensaios "O Mal Estar na Civilização". Se eu compreendi direito, para ele, uma vida feliz, para um individuo, consistiria em ter um amor, e um bom trabalho. Conclusão bem careta para alguém como Freud, que teve uma vida pra lá de animada. Dizem que Lou Andreas-Salomé quase morreu de tanto amor por ele. Enquanto Nietzsche morria de amor por ela. E Rilke à espreita. E a fila andava... Não é assim que se diz? A fila anda!, mas Freud parece não ter tido muito problema com isso já que o destruidor de corações era ele. Um viciado pela novidade das paixões. O que nos traz novamente à Schopenhauer que se perguntava:_ só o breve, só a novidade interessa? Responde Freud!, há que se envelhecer para não enlouquecer? Virar uma criatura adequada e trabalhar direitinho, e amar alguém bonitinho para se obter o vislumbre desta tal felicidade? Desconfio que nem ele sabe. É muito interessante fuçar a vida destes grandes homens e mulheres do passado. Descobre-se que amaram. E muito. E passaram por todas as tormentas existenciais, e sofreram as agruras de seus amores, e viram suas paixões se esgotarem, para, no final,e agora faço uso de uma expressão contemporânea, dita por outro ser amável, Oscar Niemeyer, concluirem, mui provalmente que:
_ nasceu, morreu, fudeu! (E a vida no meio disso!)

Sim!, foi Niemeyer quem disse essa pérola. E também disse "a vida é um sopro". A vida é um sopro. Um sopro gostoso pra uns. Um sopro longo para outros. Um sopro. Feito um gozo. Um choro. Um abraço. Um beijo. Ou feito o breve péríodo de uma paixão. Um sopro que nos escapa...


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