sábado, 18 de janeiro de 2014

17:55

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Estive pensando. Quer dizer, eu vivo pensando, né? É engraçado quando você reclama que eu penso demais, _ existe alguém no mundo que não pense? A gente pensa o tempo todo. A questão dos pensares vem a ser oque a gente pensa. É sempre prudente lembrar da quântica das coisas todas, que um único pensamento tem a força atômica de um mundo inteiro, então, a questão do bem pensar é escolher oque pensar. Só que não funciosa assim. A gente nem sempre consegue pensar no que deveria pensar. Por exemplo: eu não deveria pensar mais em você. Não deveria mesmo. Você não faz por merecer. Não do jeito que eu quero. Ou do jeito que eu penso que deveria ser. Porque eu penso de um jeito diferente do jeito como você se comporta . Porque você é um clandestino do amor. Entende oque isso quer dizer? Você é uma espécie de fora da lei, da lei do amor, as coisas são do seu jeito, e este seu jeito é complicado, eu não consigo entender direito como é amar assim, do seu jeito, mas aí, acontece a coisa mais estranha: eu adoro este jeito. Adoro sem fazer sentido. Não tem cabimento dentro de mim este gostar bandido, que me rouba de mim mesma, que faz a ocupação do meu coração sem aviso, domina meu território amoroso, e toma conta, e dita as regras, concebe e desconcebe nossas trocas, e o meu pensar, que se bandeou pro teu lado, adora esta aritmética toda, vai entender!, aí eu penso que o teu amor me lembra a beleza dos números. Tudo que é cabível se fazer com eles. E todos eles me lembram você. Imagine a miscelânea infinita de você na minha cabeça, de zero a dez, nascem todas as infinitas combinações possíveis, de onde eu penso que pra mim, teu amor é numeral. Uma equação sem fim. A variável oscilante, as vírgulas, tudo que vem antes e depois de cada zero. Incalculável, embora eu ame ficar calculando. Dá uma tonteira boa, e sempre se pode começar de novo, e de novo, e mais uma vez, sem fim. De zero a dez, você é o meu infinito. Já pensou que tudo que é isso? É de fundir a cabeça. Daí eu preciso de ar. Vou pra sacada, e entre as mais ou menos vinte tragadas do cigarro que me faz companhia, eu me vejo, invariável, pensando em você. Ou tra vez. Em todas as combinações possíveis entre você e eu. E isso, estranhamente, me deixa feliz. Oitenta por cento feliz. Porque o todo, só você por perto me traz. Será que um dia eu chego à cem? _ Hein, meu bem?...


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