terça-feira, 28 de janeiro de 2014

18:58

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A gente sempre quer. Eu quero. Você quer. QUERER que é um verbo mais que humano. É o verbo da primeira pessoa. E de todas as outras. Como a gente quer!... A gente quer manter oque tem, e quer mais. Dureza é conciliar tanto querer. A gente quer o sol, mas sente falta da chuva, tão linda e amiga. A gente quer o som dos afetos por perto, mas também quer o silêncio que restaura a alma, que sempre quer calma... Quer viajar o mundo, mas quer deitar o corpo naquela única cama de sempre. A sua cama... Quer amar, e amar, e amar livremente como se do amor só se pudesse usar as asas. Mas também quer prender. Ter para seu. Trancafiar-se em alguma ilha deserta só pra ser de alguém que será só seu, até a chegada do tédio, que a gente não quer que chegue, pois quer que a paixão pra sempre o domine e seja eterna, e dure, e afaste todo risco.... Ah! como a gente quer. Quer ser jovem pra sempre, mas quer ser sabido das coisas da vida, quer ser magro, mas quer fartar-se de todas as delícias que mãos sagradas são capazes de preparar, quer solidez, segurança, mas quer passear de madrugada, subir telhados abandonados e fazer amor sob a luz da lua azul. Mas não quer cobrança.Quer a delicía de ser criança. A gente quer tempo. Todo tempo do mundo, para poder até perdê-lo em dúvidas inúteis. A gente quer ir embora, mas quer pra sempre ficar. A gente quer ir contra, mas quer todo mundo a favor. A gente quer chorar de rir, mas nunca de dor. A gente quer a cura total. Pras feridas da carne, e virar imortal. A gente quer ser desprendido de tudo, de todo e qualquer supérfluo material, mas a gente também quer uma bebida bem fina, almofadas macias, frutas frescas, e um palácio para virar Sherazade em mil e uma noites de amor... A gente quer um príncipe, mas não quer saber de usar as amarras que prendem a cintura de uma princesa. A gente quer a virgindade das coisas. Das pessoas. Dos afetos. Dos amores. Das delícias. Mas quer poder experimentar, sem proibições. A gente quer o perfume dos sentimentos mais nobres, mas quer o direito de estar à margem de qualquer convenção. A gente quer pular do oitavo andar, mas não quer se machucar. A gente quer subir na árvore, quer a fruta madura, e quer água fresca ao alcance das mãos. A gente quer tudo na mão. A gente quer do outro, tudo, mas dar tudo a gente não quer. A gente quer que venha até nós todo o vosso reino, mas que seja sempre feita a minha vontade...

O Querer. Tão notável direito. Tanto querer misturado neste balaio de gato, parece uma torre de Babel...quem se entende?... quem quer abrir mão do que é seu? E eu? E você? Oque a gente quer? Eu quero a folha de um papel, um papel mágico que aceite que eu ali deposite todo o meu querer, meu querer que é você, e depois que ela sirva também pra você, e virada a página, branca de novo a folha, que aceite também o seu querer, que poderia ser eu, e todos os seus demais quereres, já que os teus parecem, sempre, tão mais justos do que os meus... E então a gente vira a página, JUNTOS, e alguma coisa fantástica acontece, algo que nos permite entender além do querer, e aí a gente vai fazer DIREITINHO, exatamente do jeito que a gente quis: um risco sobre tudo que passou, e arriscar num verbo novo, e só vai sentir. Sentir, que é um verbo que vai muito alèm do só-querer.


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Um comentário:

Jason Jr. disse...

Estão no meu cantinho (suas palavrinhas) passeando como sempre!
:)
;)
Super beijocas aBELINha.
*-*