quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

20:08

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No final das contas, somos seres sozinhos. Por mais que tudo. Por mais que haja amor. Por mais haja um monte de gente por perto. Ou meia dúzia de gatos pingados. Numa aldeia. Na grande cidade. Nas festas. Tanto faz. Estranho é pensar que a gente só não é só, completamente só, quando finalmente está sozinho. Sem nada por perto. Tipo absoluta solidão. Daí pinta a consciência de que originalmente somos um. E cada um com seu cada um, seguimos aos esbarrões. O universo é só. As estrelas, por exemplo, olhando-as daqui, parecem numa grande festa celeste. Parecem sorrir em seus trajes brilhantes. Mas, não!, estão a centenas de milhares de quilômetros de distância umas das outras. Como se comunicam? Que nem nós. Só que diferente. A gente abre a boca e fala. E ninguém escuta. Na real, ninguém escuta ninguém, porque os universos são espelhos de dentro onde só entra quem já entrou. Quem já está lá dentro. Um ser de cada vez. Um entruncado emaranhado de universos onde a única chance de comunicação está nos ouvidos d'alma. Alma que não entende palavras, mas a música do que quer que se queira dizer. Creio que com as estrelas, que não possuem boca, são etéreas de uma forma especial, acontece delas cantarem através do pisca pisca dos seus brilhos. Não dá para ouvir daqui, mas elas cantam. Elas não falam. Elas brilham notas musicais. Conformaram-se com suas solidões de tanto brilho, e sem mais, como que por obra do acaso descobriram a música amorosa que consegue ultrapassar as barreiras da não-audição, e brilham em celebração. Barreira esta que a gente daqui, estrelinhas de brilho muito parco,não sabemos como. Estrelas se comunicam por energia. Umas para as outras. Não pela sua própria solidão, mas pela solidão da estrela mais próxima. Nós, precários seres de pouca luz, seguimos tentamos com palavras, fazer algum tipo de música para o coração. Alma, energia, essas palavras tidas como esotéricas e sem muita razão. Enfim. Certamente não me fiz entender: não sou estrela, não sei ser quântica, só tenho as palavras e um punhado de solidões.


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4 comentários:

Anônimo disse...

Ah Be, teus últimos dois textos vão de encontro comigo no exato momento em que eu estava sentido algo semelhante ao que tu escreveste. Bonito e sincero.

Gui

lianto segreto disse...

O romantismo é banal.
O romantismo é normal.
O romantismo é carnal. Tampouco afetivo e emocional. Sugere às sensações, os delírios de um corpo que dança em noites com sol e lua.Estrelas se fragmentam perante ao mistério do céu infindo.Nada se corrompe ao Amor.Dá ao Amor o amor que se recolhe ao frio inverno sustentado com seu nervo na fibra quente do coração.Esse que em transe alucinado com os delírios na cabeça de quem é capaz de suportar o absurdo de viver pelo amor.Em primaveras,floresce e perfuma.E aqueçe com o doce frescor de uma suave brisa.Em encantos e maravilhas,verdade e fantasia,tristeza e alegria. A dor que arde ao peito do jeito de fazer com que se abra ao peito para abrigar tudo que possa encontrar.

O amor não é dado a rotinas. E nem a doutrinas,tampouco fundamentos. Sem razões e fins.No instante que habita o infindo mar da vida que nos tira do lugar.O impulso de querer a vida. E nos tira o medo da morte.Acompanha a eternidade.Com o salto para se jogar e lançar tudo que é capaz. Seja para confrontar o que nos permite ter a paz.

Be Lins disse...

Adoro quando você aparece, Lianto, e escreves suas impressões, e expressões, tudo muito lírico, doce, amoroso.

Te agradeço por compartilhar aqui esta tua forma de pensar,
que acrescenta muito,

e deixo um beijo
com carinho.

Be

Be Lins disse...

Olá, Gui!

Que prazer tenho em saber que meus escritos te alcançam, e te fazem, de alguma forma, companhia.

Seus posts também vêm muito de encontro às minhas maneiras de pensar, de sentir,
vou sempre lá, e sinto-me feliz, quando de repente, algo parece coincidir e tanto, com tantas coisas que guardo em mim.


Um beijo grande,


Be


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