quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

23:56

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muito pessoal,
tanto,
que não deveria ser escrito,

mas quem ama lá tem noção de algum perigo?
quem se sente enlouquecer, lá se preocupa em se preservar?
quem ama as letras e encontra nelas, e somente nelas, alguma paz... faz oque?

escreve.

Hoje é um daqueles dias de confusão na minha mente tão naturalmente confusa. Eu tento, eu juro que eu tento não pensar insanidades, não ficar buscando uma lógica para as loucuras que penso, e sinto, e sinto tanto não conseguir entender, meu pensamento é limitado, não tenho tempo, não tenho espaço, não tenho liberdade, não sou dona de mim mesma... sou dona deste pequeno momento, mas nem deste aproprio-me devidademente, porque o dedico à você, quando de verdade eu preciso tanto de mim. E eu não me alcanço. Eu estou do outro lado desta que sou aqui fora. Lá dentro de onde nem sei, eu sei que existe alguém.

Minha cabeça lateja suaves pontadas de uma dor distante. Minha pele arde. Odeio o calor. Odeio o calor. Odeio. é tão feio, né? dizer que se odeia alguma coisa. ódio. quase nunca falo dele. não escreve-se sobre este lado obscuro que todo ser, no entanto, guarda, ou esconde. Não sei se sou capaz de muito odiar. Mas não gosto do calor. Ele me faz mal. Me afasta de você. Por que eu sinto isso? Porque você é frio. Distante. Uma tempestade. Um floco de neve. Uma tsunami. E as vezes, discretamente, você é uma manhã de sol. Sol de outono. Lindo e morno.

Fala-se tão mal das coisas em estado morno. Eu gosto. É calmo, confortável, é como um colo, livre de febres, livre de dores, livre de tudo que possa fazer mal. Se você estivesse aqui, agora, não queria me acabar em  calores infernais no seus braços. Talvez em alguma outra hora. Mais fresca. Tipo às 06:00 da manhã. Quando o dia, nem ele mesmo, sabe se já é dia ou ainda resta noite. Hora perfeita. Mas não agora. Nesta hora que agora me tem, eu só queria colo. O teu colo pra me aninhar. Pra me amornar. Pra me fazer entender por alguns segundos que fosse que tem que ser como é. Não há escolha para certas coisas na vida, né? Elas são como têm que ser e ponto. Só que eu queria uma vírgula. Uma carinhosa vírgula para estabelecer um pequeno tempo para sermos nós dois. Uma meia dúzia de minutos só pra ser de você. e você de mim. E depois tudo poderia voltar a ser este amontoado de horas sem sentido real, essa correria inútil para ser algúem, para ter coisas e parecer oque desejam que a gente seja. Um bando de babacas com uma montoeira de babaquices pra ostentar.Valeria à pena. Agora eu acho que sei. Haverá uma nova chance pra nós? Vem aqui pra me acalmar? Eu preciso de água. Minha cabeça dói, pesa, tem toneladas de pensamentos e eu nem sei de onde eles vêm, nem pra onde eles vão, embora eu tenha quase certeza que eles não vão embora, eles ficam e se acumulam, embora o espaço que guardo pra você, só para você, nesse espaço, _ah!, nesse espaço, querido, ninguém mete a mão. Ninguém mete a mão. Já falei do aperto neste meu coração? Coração sente falta. Por que reclamar, né? Para que? Toda gente escreve sem parar que é pecado reclamar, que a vida é bela, que as misérias são todas, miseráveis almas incapazes de compreender o VAZIO. Tem dores que não são materias, mas, nem por isso deixam de doer. Ou doem tanto quanto toda dor. Dores serão comparáveis? Não. Sempre haverá uma dor maior. Mas mesmo assim, a dor do vazio existe. Ele existe, não existe? Diz que existe o vazio... Diz que sou oque te falta. Diz que você não vai me faltar. Diz que vem me abraçar. Diz que vai passar. Diz que vai passar. Vai passar. Vai passar... Eu sei que vai passar. *

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