quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

18:18

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Tem uma lição que toda criança nasce sabendo decor: quem não chora não mama. Mas não é essa a principal lição. É que toda criança nasce sorriso e só quer saber de se divetir, descobrir o mundo, viver o hoje, sabendo que amanhã é uma coisa abstrata guardada para amanhã, independente de qualquer coisa. Criança é lição de esperança. Mesmo que o mundo não lhe seja bom. Olhe para uma criança um pouco mais demoradamente, e você vai comprovar que ela vai acabar rindo. É da sua natureza. Natureza roubada porque depois, há que se crescer, e manter o sorriso, dependerá de o quanto se tem que chorar, para poder mamar. Na vida adulta, choro corresponde justamente em ser adulto, em ter a inocência quebrada não se sabe nem pra quê, enquanto que mamar é o direito ao sorriso certo, é o conforto de não se sentir sozinho. Sorrir, é alguma diversão que resta. Alguma fé. Alguma ilusão. E sorte. E todo tesouro feito de coisinhas que se puder juntar. Em criança serão pedrinhas, cacos, brinquedos... enquanto que em adulto, a lista muda, mas ainda serão brinquedos disfarçados de 'coisas adultas'.

Eu sei disso porque já fui criança.
Eu sei disso, porque ainda sou, embora não tenha mais idade pra ser,
porque todo mundo cresce um pouco, mas não esquece de o quanto era bom, deitar e dormir, comer fruta no pé, ler e não conseguir entender tudo, se espantar com a alegria, se admirar com a coragem, brincar de esconder e desejar ser achada, jogar o lenço no menino bonito, correr, deitar na grama, contar figuras nas nuvens, e sonhar mil coisas para um futuro que nem parece que existe, porque o sorriso distrai tudo, e é por saudade à distração que eu insisto em sorrir ao invés de simplesmente, explodir.

Lições que se aprende em criança.



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