quarta-feira, 23 de julho de 2014

20:18

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Oque será que havia na tal àrvore do fruto proibido? Que propriedade tão louca havia naquela tal maçã que uma mordidinha de nada alterou a rota, transmutando-nos de seres alados à seres expulsos do paraíso? Expulsão. Triste fim de Policarpo Quaresma. Estávamos nós lá, bem a vontade, desfrutando paisagens paradisíacas, e a curiosidade pelo gosto de uma mera frutinha pôs todo paraíso à perder. Não faz nenhum sentido. No entanto, é com essa historinha é que a gente cresce e adquire a noção de desmerecedores. Dá até pra pensar racionalmente e deduzir que deve ser outra coisa, a simbologia é abstrata demais pra ser alcançada, mas o fato é que nas entranhas no nosso DNA, está contida a noção do pecado original.

Pecado original. A gente está tão envolvido com a sentença de que teríamos dor ao parir, e que teríamos que suar pelo pão de todo dia que, não sobrou tempo pra questionar esta praga que se abateu sobre nossas toscas cabeças. Uso a primeira pessoa do plural porque estou tentando falar do Homem, raça, espécie, estes bilhões de seres que habitamos o tempo de hoje sem perguntar o verdadeiro porque.

´Talvez porque não dê tempo. Talvez porque ninguém tenha a resposta. Talvez porque sobreviver nos leve todo o tempo. Talvez porque não faça sentido perguntar. Talvez porque sejamos mesmo assim, desmerecedores. Tenho dó. Dó do tanto que a gente poderia ser e não é. Generalizando, lógico. Porque na mente, no mundo dos pensamentos, das ideias, lá naquele paralelo intangível, não somo assim. Lá a gente merece. A gente decide que merece e cria enredos onde não há barreira. Dimensões intransponíveis. Maldade ou vulgaridade. Julgamento nem transgressões.

Lá na mente. Na alma. No lado de dentro. Onde não tem uma árvore proibida. Onde toda fruta é bendita. Onde a vontade é expedita. Onde o pecado não cabe e não existem tentações. Lá onde tudo está bem. Lá dentro. Onde pode ser que exista um elo pra gente achar o caminho e voltar ao paraíso, que nunca deveria ter sido perdido. *

2 comentários:

Anônimo disse...

Nunca houve árvore de maçã no Éden, e sim árvore do conhecimento do bem e do mal. E a proibição era para esta árvore. E o pecado não foi o fato de comer do fruto desta árvore e sim pela desobediência ao que Deus tinha determinado.

"Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás."
Gênesis 2:17

Be Lins disse...

Caro anônimo,
muito grata por seu comentário.

Quanto ao oque eu escrevo, abuso da licença poética, abrindo mão, com frequência, da exatidão e lógica das coisas.

Quanto ao paraíso perdido, suas supostas árvores e a maneira como se vê Deus, ( seja como um Ser acima de jogos de obediência, ou como cada um quiser),
a subjetividade é absoluta.

Todo respeito por suas crenças,
mas permita-me às minhas também.

Atenciosamente.