terça-feira, 23 de dezembro de 2014

23:49

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Pra você que não gosta de Natal:
 
_ Você não é um insensível. E você não está sozinho. Quando Dezembro surge por aqui, baixa sobre a terra uma ansiedade galopante. Amor vira uma espécie de moeda, e neste mercado, somos todos, um pouco pobres, e carentes.  Em tempos de tanta ostentação midiática, haja vista que hoje todos têm seu próprio canal de exposição, a felicidade parece pipoca. Salta de uma rede para outra, ocultando, no entanto, o seu verdadeiro perfil. Dezembro é o mês da felicidade fake. Tudo expositivo demais, tudo tão irreal, toda a gente correndo feito doido pelos templos de consumo, festas que ninguém está de fato afim de ir, sem fome, sem sede, outros com fome e com sede, e a gente se pergunta, _ qual o sentido disso?
 
OHOHOH, onde você está Papai Noel, para nos trazer de presente o sentido?
 
Amargo poderão pensar os abençoados pelo dom da boa crença. O que de fato é. É amargo desejar que tudo passe rápido e o ano novo logo comece, e de preferência que logo chegue Março, e com ele as folhas de outono e o sossego da vida real. De onde surgiu essa urgência de ser feliz que paira pelos ares, ou melhor, pelas telas desse mundo de Deus, e nestes Dezembros loucos de pedra? Não entendam os que creem.
 
 
Quero alcançar você que descrê. Quero tocar em você, que como eu, não consegue pular de cabeça neste pula-pula natalino. Dizer à você que você não está sozinho. Nem é um estranho. Nem um desalmado. Na verdade, acho que você traz consigo o mais genuíno espírito do que deveria ser um Natal. Você só queria que a vida corresse normal, e o encontro acontecesse porque os encontros devem acontecer, naturalmente. Porque você acha que o amor não deveria ser moeda, medida em número de pacotes bonitos de presentes.
 
Que presente deveria ser a presença. Espontânea. Desobrigada de data. Que o abraço, deveria ser condição. E a distância, um muro a ser derrubado a cada dia. Que as crianças deveriam ansiar por passeios ao ar livre, por dias de correr descalço na grama, por bonecas de pano, feitas à mão por algum artesão da vizinhança. Você querido, só queria que as pessoas menos providas de vil metal fossem  respeitadas e consideradas dia após dia, você queria que a inclusão fosse oque move o gesto, contínuo, e não um gesto ocasional.
 
Você queria não se sentir um ET só porque se questiona e segue contrariado o roteiro de Natal. Você querer fugir, pegar uma contramão, ou  sorrir quando na verdade se sente constrangido com as gastanças e as exorbitâncias de uma data que tinha tudo para a simplicidade reinar, não faz de você um esquisito. Faz você parecer mais bonito. Você saiba, que você é quem me faz sentir o Natal. O verdadeiro. A indagação do nascer. Do sentido. Do porque. Do presépio. Do anseio. Da busca pelo amor. Da afirmação. Do enxergar o outro como um exercício diário e sem exceção.
 
 
Você me faz sentir especial por dividir comigo suas indagações, suas inquietações, e com elas comungo, e faço delas o meu presente. Um presente que multiplica-se todo dia. E renova-se em bem-querer constante.  Aceite estas palavras, como meus mais sinceros votos de que o sentido toque  tua pureza tão linda, e que todos os teus dias sejam dias de um FELIZ NATAL,
 
 
_ ...e se você me entende e eu te entendo, então, podemos prosseguir aliviados para dentro de mais um Natal. Aguenta firme. Já posso ouvir o barulhinho das folhas correndo ao chão. E o vento sul soprando amor. Amor por você. Sempre.
 
 
 
Beijos.
 
 
 
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2 comentários:

Lu disse...

Poxa Be....você escreveu tudo o que eu sinto em relação ao Natal. Eu não sou um ET. Obrigada. Feliz verdadeiro Natal! :)

ticoético disse...

Minha querida,creio que não sou um desses gênios tão racionais e brilhantes,grupo no qual você se encontra,quando se trata de datas comemorativas,...me sinto um bobalhão.um vendido.mas é que é tão bonito e raro a família reunida,mesmo que não seja aquela família tradicional,mas é a família que nos cabe,isso me emociona de uma forma indescritível,infelizmente hoje a maioria precisa de um impulso puramente capitalista pra fazer feliz a minoria que crê no prazer do simples encontro e da confraternização que,mesmo forçada se faz presente...enfim.acho que entendeu que eu dou valor a isso...um bom natal super atrasado...enfim,abraço !