sexta-feira, 25 de abril de 2014

20:02

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Parece que eu vou devagar,
mas devagar, é tão depressa...

_ parece devagar pra você?



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sexta-feira, 18 de abril de 2014

17:48

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A gente já devia iniciar o dia com duas palavras em mente: PERDÃO E OBRIGADA. Porque não é assim que acontece?... A gente estala os olhos e , não raro, pensa _droga!, já tá na hora. Antes de agradecer já de arranque precisa se desculpar. Então, a prece precisaria ser mais ou menos assim;
_ Perdão Pai-Mãe de todos nós, porque mesmo sabendo que tenho que agradecer as dádivas, cedo a tentação tantas vezes que, às vezes, vira até costume. Perdoe-me por repetir e repetir as ingratidões que se repetem e não evoluem, de geração a geração. Obrigada por me dar a chance de me desculpar, sempre.

A gente magoa muita gente por aí. Prefiro pensar que nunca é por mal, embora saiba que a semente do sarcasmo, do humor barato, da inconsequência ronda com frequência. O fato é que, intencional ou não, a gente magoa mesmo sem querer magoar. Nem sempre é possível dizer um sim. Nem sempre é indicado poupar um não. Nem sempre a gente quer. Nem sempre a gente pode. Nem sempre é recomendável. Nem sempre. Nem sempre.

É quando, depois da prece matinal que você se dá conta de que precisará tanto ou mais, pedir desculpas, e agradecer a chance real que existe de ser perdoado, da compreensão acontecer, do amor vencer pelas mãos de quem magoa, pelas mãos de que perdoa, por esta natureza extraordinária que nos brinda com capacidades que podem nos fazer ir além da teima, da birra, da criancice, do egoísmo.

Frequentemente, pergunto-me: seria possível passar um dia todo sem magoar algum coração? Um ser iluminado conseguiria? Porque, às vezes, um gesto imperfeito, simplesmente se faz necessário: uma mentira, um desvio, um atraso, uma negativa, um humor péssimo, uma dor latejante qualquer, VARIÁVEIS nos expõem à tratativas intermináveis entre o uso da palavra perdão, e da palavra obrigada.

Como tudo na vida é exponencial, acaba que quem magoa a outro, acaba magoando a si próprio também, como da mesma feita, quem pede perdão, deve perdoar-se sobretudo. É a multiplicação dos gestos intercalados entre o sim e o não. Entre a noite e o dia, entre o sol e a lua, entre oque é bom, oque deverá tornar-se bom.

E a Terra no meio disso. E a gente no meio disso. E as pessoas à quem tanto devemos agradecer. E as tantas à quem devemos pedir perdão. E o nosso corpo. E a nossa alma. E o nosso próximo capítulo, ali, nas mãos do nosso mais próximo, a quem vamos alegrar, e entristecer, para ao final de mais um dia, deitar, e fazer uma prece onde novamente o pedido de perdão abre o uso do verbo, seguido pelos tantos agradecimentos, e no fim, que deve ser no meio e no começo e para todos os lados possíveis, as emanações amorosas, porque nessa ciranda de erro e acerto, só mesmo o Amor, pra acertar.

FELIZ PÁSCOA!



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