sexta-feira, 27 de junho de 2014

19:59

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Eu confesso:
cai num imenso buraco
existencial,

e pra falar a verdade,
nem terminei de cair ainda,
parece um buraco que
nunca tem fim.



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19:29

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Do que se trata tudo isso, afinal? Trata-se de ganhar? Trata-se de perder? Ganhar ou perder, os dois lados da moeda, o bem e o mal, o certo e o errado, o puro e o insano, do que se trata a vida afinal?
Porque a gente não ganha nunca, completamente. Nem quando perde, é completo. Estamos sempre tropeçando, arranhando ganhos, arredando perdas, contabilizando débitos, créditos e o saldo é sempre, devedor. Porque quando você ganha, você perde algo. Porque, quando você perde, logo mais à frente, alguma coisa te traz a sensação de dádiva.
A gente acha que ganha o tempo todo, mas perde. E é fácil, perder. É como respirar. Perde-se um pouco de tudo, o tempo todo. Perde-se tempo, perdem-se afetos, perdemos viço, sorrisos, e oportunidades que não voltam. Mas ganha-se um pouco de tudo também, o tempo todo. Ganhamos o direito ( ou o dever?) de estar aqui, ganhamos ar, ganhamos bençãos, ganhamos carinhos, pequenos mimos, ganhamos no jogo, ganhamos no tranco, ganhamos. E perdemos. Concomitantemente. O tempo todo.
Daí, que é muito sem sentido a busca por algo irrealizável. A plenitude da palava vitória. É a mais pura ilusão. A gente nunca vai ganhar. A gente nunca vai perder. A gente só vai levando, minha gente, sendo levado pela maré. De sorte. De menos sorte. Do que dér. Do que víér. Ninguém vai se dar bem por completo, enquanto houver alguém se dando mal. A gente só vai trocando de lugar, fazendo de conta que ganha, mas com completo senso de que perde também.
Oque será que a gente não pode perder de jeito nenhum nesta vida? Os dentes, a saúde, os amigos, aquele amor, o ar, o prumo?, oque será que a gente não abre mal de ter, de ganhar? uma casa, um corpo bonito, alguém incrível pra chamar de seu?... a vida?
Oque a gente ganha com isso tudo? A gente perde, quando não sabe que ganha tanto? A gente ganha, quando aceita que perde? A gente perde, quando não dá importância ao que ganha? O que se ganha nessa vida,  nessa busca incessante pra nunca perder, pra sempre ganhar?
Perder é fácil. A razão, sobretudo. A vida é mais do que ganhar.



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sábado, 21 de junho de 2014

20:08

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Assim como na arte,
no amor
você tem que ter algo mágico
algo sublime
algo louco e original

a oferecer, genuína, donativa, vigorosa, inspirada, misteriosa,
simplesmente, porque anseia o amor, assim como a arte anseia ser vista
ou, simplesmente, porque é assim



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segunda-feira, 16 de junho de 2014

19:24

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_ TEM HORAS AÍ?




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19:09

Eu posso escolher. Posso escolher me aborrecer, me entristecer,ou me encolher até virar um caramujo, e desaparecer . Posso escolher isso, e outras coisas também. Posso escolher me entreter, me envolver, e me deter em outras tantas milhares de coisas muito melhores e não sofrer. Eu posso escolher. Preciso apenas crer para ver que sim, eu posso escolher. Posso escolher oque pensar, custe oque custar. Custe muito penar, ou pesar, mas eu posso aprender. Aprender a escolher. Eu posso escolher melhor. Posso até escolher melhorar. Posso escolher que não vou permitir rebaixar, mesmo que, às vezes, a vida resolva mostrar certas coisas e eu precise chorar. Eu posso escolher a inteligência, ao invés da esperteza. Posso escolher a calma, e deixar pra lá a ansiedade que cega. Posso escolher deixar para lá, mesmo que isso signifique, até mesmo, me isolar. Eu posso escolher o movimento inverso. Posso dar prosa ao verso.Ao estranho com quem não converso. Eu posso escolher estranhar sem com isso me decepcionar. Posso escolher correr se eu quiser, e posso simplesmente escolher repousar o tempo sobre um leito de pensamentos calmos e rosados e dar um tempo pra que ele, o tempo, se sinta revigorar. Eu posso escolher abandonar. Largar mão do que me deixa louca de tanto penar, e tocar o bonde para outro lado, para o lado de lá, eu posso escolher oque vai me agradar. E posso escolher me doar. Sem com isso esquecer que sou a primeira pessoa que devo amar. E posso escolher não me magoar.Tanto. Ou, bem menos, ou ainda ignorar as coisas com as quais não concordo, e posso até concordar que é meio dureza, que escolher não é lá um negocinho tão simples, , nem fácil, nem mágico, e aceitar que o escolher se aloja em algum lugar entre o crescer, sem ter medo do que pode acontecer quando a gente resolve, pura e simplesmente escolher.Eu posso reconhecer que me preciso me conhecer. Melhor. Mesmo que isso indique que preciso mudar um pouco. E me amar mais do que pouco. e relaxar. E me esticar. Me alongar. Ampliar meus conceitos e meus tantos preconceitos largar. Eu posso escolher. Ajudar. Ou pelo menos, não atrapalhar. Eu posso tudo desde que eu escolha bem. E para que isso aconteça, só uma coisa eu não posso esquecer: existe o outro além do meu próprio ser.




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quarta-feira, 4 de junho de 2014

19:19

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Bom mesmo
é quando a gente consegue ver a beleza que não é óbvia demais,
quando a beleza é capaz de algo além de nos deslumbrar, quando ela consegue nos tocar por outros sentidos, quando desperta o riso, quando permite à gente, simplesmente, se divertir. *