quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

01:02

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Para amar a gente precisa aceitar a ingenuidade como dádiva. Nem tem como ser diferente. Amar é se entregar, e à toda entrega corresponde o verbo confiar. E confiar, você sabe, não?... confiar é se atirar sem sombras nem dúvidas num buraco que guarda o breu e  ao mesmo tempo resplandece em partículas cor de amor. Amor. Não existe o completo. Não existe a perfeição. Não aqui. Pelas nossas terráqueas bandas de cá. (Quem sabe acolá?). Somo seres imperfeitos que insistem em afirmar sua própria perfeição, solicitantes  da extensão desta perfeição almejada. É quando a gente consegue abrir mão deste grau de ilusão que o amor se concede. Que a graça de amar se faz possível. Que torna-se admissível o outro olhar. Aquele que enxerga um pouco mais para além. Que nos convida á um mergulho para dentro dos olhos de um outro alguém. Sem nada esperar além do que não seja aquele olhar, e o  desfrutar, se entregar ao que é mais bonito no amar, que é conseguir confiar.
 
Há sempre o risco. E o risco é grande, e é sempre belo. Tão belo quanto deve ser o infinito de um instante que é o amar.  Infinito, é tão bonito que não dá nem pra acreditar. Está certo, é prudente vigiar, embora não haja possibilidade de se entregar sem os olhos fechar. Olhos fechados. Abertos. Repletos de acreditar. Faz bem querer bem. E bem, por mais que logo mais, à frente, a gente possa se estrepar, ainda assim, tudo que a gente quer é acreditar e se entregar e multiplicar-se em  amar e amar e amar.
 
Amem, pois, e muito,  em 2015. Amém!
 
 
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Um comentário:

ticoético disse...

Eu lembrei daquela tua pérola escrita que fala do gostar e aí leio essa,que fala desse sentimento ainda não conjugado,o amor,e vem voce desenrolando a vida com uma simplicidade sei lá,absurda,eu sei que é difícil mesmo dominando a teoria conseguir sucesso na prática,mas é um doce te ler.

Abraço!