quinta-feira, 26 de março de 2015

20:15

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Deve ter sido coisa daquele passarinho cantando na minha janela. Só sei que acordei com carinho. Um carinho enorme no coração. Pelo ser humano. Todo ELE. Toda gente, toda forma de ente, é tanto que chega doer  no coração. De tanto carinho. Pelo ser, humano. Todos sem exceção. Os que estão à direita. Os que estão à esquerda. Os que estão ao meu lado, os que estão longe, os que combinam comigo, e todos os que não, os que eu consigo entender, e todos os que me parecem estranhos no ninho. Os estranhos e seus caminhos. Até me lembram passarinhos, esses seres humanozinhos.
Destitua o ser humano de suas roupas, das suas coisas todas, seu lugar social, seu vil metal, e ali estará um ser passarinho. "Metaformize": tão bonitinho, tão puro e desprotegido esse ser quando desprovido... Quem é o ser humano sem as suas materialidades? Observado ente, observante ser.
Dá tanto carinho no coração... Um único ser é um mundo todo, e ao mesmo tempo, é um nada. Nada versos nada. Um grão. Um sopro. Um pó. Tão só... Nasce, sofre pra crescer, sofre pra entender oque fazer do corpo, e de todo sentimento que se acumula em sua cabecinha ululante, e ainda que cresça, e ainda que faça e aconteça, não haverá fortaleza que o proteja de um giro próprio, um giro que não lhe permite decidir. Só se iludir. Só da pra ir. E cair. E tornar a ir, e se possível se pondo a rir de sua própria insignificância.
Rir pra não chorar. Ah!, este mar de estrelas em que está contido mesmo sem notar... Tão engraçado o ser humano. Pensa que vai pro céu num dia desses, e se benze, _ Deus nos livre e guarde!, sem se dar conta que já está no céu, só sente seus pés tão firmes no chão, ser da terra, quando de fato, está flutuando pela imensidão do tudo. Do Todo. 'Metaforize': Imagine a terra. Rodando, rodando. Agora imagine-a de longe, mais longe ainda, suspensa por entre estrelas e espaço que se expande ao infinito. Deixe-se levar. E vá além. E mais além, e então, olhe todas as estrelas ao redor, as constelações, os planetas, as novas, as super novas, os sóis, as luas, e solte-se mais, e sinta o silêncio canção, e por instante, um instante só, volte seu olhar para trás.
Procure alguém. Onde foram parar os seres humanos? Cadê os passarinhos e seus ninhos, onde foram parar seus caminhos e seus descaminhos? Não dá um imenso carinho no coração imaginar o ser humano no meio dessa imensidão?
 
 
 
 
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Um comentário:

ticoético disse...

Sim,dá,e também emociona ler esse poema reflexão,és muito do que escreve?!
Porque é muito belo.

Abraço !
PS:todos têm o seu inferno!