sábado, 10 de outubro de 2015

18:38

Tentei me armar. Como se fosse para uma guerra. Em um lugar longínquo, ermo, e de temperaturas glaciais. Vesti todo tipo de agasalho. Peça sobre peça. E depois uma armadura. E mais armas. E me sentei a beira do abismo, sem saber qual seria a hora certa pra este incerto confronto.
 
Me achei esperta. Estava certa que desta vez eu não seria tão absolutamente PREVISÍVEL. Há que se abrir um parênteses:
 
(uma vez previsível, sempre previsível)
 
Há quem chame de transparência. Há quem veja o despudor. Ou a nudez que não se cobre com vestes de guerra.
 
E você veio pela incontável vez. Tuas horas não se contam. Teus passos não se ouve. Teus pensamentos não colidem. Teu controle não se perde. Tua vista tudo alcança. Teu poder não enfraquece. É tudo teu. O enredo. A razão. TODOS OS PORQUÊS. E ainda o teu egoísmo. E aquele humor que retalha. Você não tarda nem falha. E não precisa de armas. Nem de fogo. Nem de água. Nem de um fôlego para descansar. Você guarda. Você monta guarda. Todos os lugares te são possíveis, e o impossível te cabe. Te veste. Te protege e te dota de sobrenaturalidades.
 
É uma guerra impossível. É o mar frente a praia. É o vento frente a folha, é o inseto frente a janela, fechada, por telas, é a flor do mato frente a construção, é o pragmatismo frente a indecisão, é a luz frente a escuridão.
 
Você veio. E lançou a isca. Previsível o andamento das peças. Um xadrez de mestre. Uma duas três jogadas e CHEQUE MATE. Eu caí com todos os meus peões no tabuleiro.
 
Todas as minhas armas eram nada. Todas as peças de roupas usadas pra me proteger do frio deste jogo insano que não se faz revelar, foram, uma à uma, caindo no chão. E então, lá estava eu, nua, desarmada e amarrada pelas mãos.
 
_VOCÊ NÃO ESCAPA MAIS!
 
Foi sua sentença. Sem mais explicação. Sou a única refém, ou serão quantas. Seus movimentos sugerem tantas. O enredo é de dois, mas serão quantos, quantas, e eu ainda encontro espaço e tempo e ensandecimento para sentir ciúme da tua fúria. Ciúme da tua atenção. Da tua atração. Do teu calor que congela. Da tua noite sem luz. E todos os teus tons de azul.
 
Respiro fundo. Tudo parece igual de todas as outras vezes. Só que impera um silêncio estranho, aquele som nenhum que antecede a caça, o bichinho bobo corre pela floresta verde sem perceber-se alvo em mira.
 
Será abatido. Possivelmente. Ou não. Há que se abrir um novo parênteses:
 
(De tanto dar voltas e dar no mesmo lugar, pode acontecer de algo mudar. Não há lugar pra distração na guerra da paixão. E se o jogo resolvesse virar só para variar...)
 
UM JOGO.
DESTINOS SELADOS.
O QUE ESCREVER.
SÓ O TEMPO DIRÁ.
 
 
 
*

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