quarta-feira, 4 de novembro de 2015

15:40

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Você sabe que eu não sei o tom do seu azul. Mas parece que nele, sempre chove. Deve ser de propósito, haja vista, você conhecer minha predileção pelas águas, pelos líquidos sentimentos que são os mais frágeis e os mais fortes, os que vencem as pedras sem que elas sequer percebam.
 
O que eu não sei é lidar com essa alternância. Pedra. Agua. Pedra. Agua. Pedra. Duais. Laterais. Tridimensionais. Excepcionais criaturas que na mistura são iguais.
 
Falo da tua indiferença, mas sou indiferente. Falo da tua mentira, mas mentiras me compõem dos pés às minhas tantas mentes que se alternam entre realidades, paralelos, fantasias, caos, cais, porto sem mar, mar sem areia, areia sem sal, sal sem alimento, comida sem fome, fome sem você, você e minha fome,
 
tua fome que me quer,
 
Silenciar turbilhões sentimentais é luxo que não nos cabe. Embora seja um luxo poder se dar ao luxo de divagar o inexistente como se a dor fosse real, poder fazer do pranto sua língua quando nada te molha, te falta, poder perambular madrugadas como se tudo fosse nada, e fazer verso, e reverso, e entregar-se à prosas sem nexo, tudo em nome de que...

Em nome de que, quem sabe,
 
Uma novidade avassaladora. Uma escapada no tempo. Paciência é advento do que há de vir, oque faz o verbo sorrir, acontecer, porque é disso que deveria se tratar toda palavra, toda rima, toda menção, todo refrão, tem que ser musica, e tem que tocar, e tem que abrir uma coisa alucinante no coração, algo que seja identificável, inegável, irrevogável,
 
algo que supere, ou então sente e espere o próximo trem chegar á estação.
 
 
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