sábado, 31 de janeiro de 2015

22:28

.



Bebi água do mar
até ficar meio tonta,
é que eu queria de volta
o teu hálito de onda...
 
 
 
 
 
 
*

20:28

.
 
 
 
O AVESSO
DO TEMPO
É ESTA TUA DEMORA
QUE INSISTE
EM NÃO
IR
EMBORA
 
 
.
.
.
 
 
 
 
 
 
*

20:26

.

Coisa esperável, o amor...
O silêncio que nos cerca parece fim de uma viagem,
traz  efeito de vertigem,
de balanço, de um morno remanso sem fim,
ou ainda qualquer coisa que valha, uma subido grito, um gemido,
tantos ais perdidos neste labirinto,
 
 
_ Durou quanto?
o tempo,
aquele outro tempo,
ou foi um destempo aquele meio minuto?
 
 
que se cumpriu, mesmo sob a ameaça cumprida
de haver toque nenhum,
fez-se visita, assim, quase sem dar na vista,
nos dando apenas o tempo do registo;
pisco um olho, depois outro,
 
e penso, penso e penso,
como eu insisto, nisso,
os cílios, meus, femininos artifícios,,
lembram-me de o quanto eu ainda, acredito...
 
Acredito no que não foi, tendo sido,
e no que é:
 
o amor,
sono,
reminiscências,
resplendores,
ardores,
explosão,
carícia,
 
mirando eu meus olhos,
derretidos,
quase escorridos cor de mel,
tão acostumados à esta amarga desconvivência
a verdade, coincidência ou não,
fica ziguezagueando em  esparrela,
 
_ tem cabimento um beija-flor
não sair da minha janela?
 
 
 
*

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

11:11

.
 
 
 
um sim é um sim
um não é um não
 
mas antes disso
há muita
indecisão
 
 
 
*

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

21:00

.
 
 
Talvez haja uma chance. Talvez seja uma saída. Quem sabe uma entrada? Uma estrada nova, uma estrela que nasce no céu, o broto de uma flor que não vingava até então...Talvez seja uma brasa. Um riscado. Uma gastura. Uma febre. O calor... Talvez não seja o tempo das águas. Talvez seja o tempo do fogo. E da rapidez. Dizem a lucidez ser filha da calma, mas quando se está no meio do caminho, quem quer ter calma? Quem não saúda um pouco de insensatez? Tudo que se quer é agora. Para agora. O tempo é fugidio demais para os líquidos, no fogo há uma luz apressada, uma urgência que não quer saber de licenças, invade e fim.  E nada tem fim. Tudo permanece. Menos oque se sente. Passou o tempo de ser descrente. Há um brilho estranho desta vez. Há um pulsar acelerado da vida querendo queimar. Varrer. Suceder. Ocupar sem cerimônia. E decidir sem pensar. Oque se ganha com tanto pensar? Pensar foi gestação. Acende-se o fogo do parir. Do fazer surgir. De viver pra rir. De permitir que se alastre. Faça rastro. Vire cinza e se espalhe. Pelo vento. Mas guarde a chama. E esparrame-se em mais chama. Chama que chama para um novo existir. A vida. A vida não é de mentir. E muito menos de brincadeiras:_ já chega de marcar bobeira. A vida quer mais; quem  se contenta com 'xurumelas' e meia dúzia de velas amarelas?..., a vida quer ser bela, pra ontem, acelerou, está rápida como um rastilho, vívido, ímpeto, puro há de vir que veio, cheio de si, e nada parece que vai impedir partículas urgentes em colidir...
 
 
[impressões/intuições muito pessoais para Dois mil e Quinze]
 
 
*

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

01:21

.
 
 
é esquisito
pra mim
dizer isso:
 
_ mas eu acredito
invisto
e até insisto
que é possível
um milhão de formas
de ser feliz...
 
[acaba sendo tudo uma questão de encontrar]
 
 
 
 
*

01:02

.

 
Para amar a gente precisa aceitar a ingenuidade como dádiva. Nem tem como ser diferente. Amar é se entregar, e à toda entrega corresponde o verbo confiar. E confiar, você sabe, não?... confiar é se atirar sem sombras nem dúvidas num buraco que guarda o breu e  ao mesmo tempo resplandece em partículas cor de amor. Amor. Não existe o completo. Não existe a perfeição. Não aqui. Pelas nossas terráqueas bandas de cá. (Quem sabe acolá?). Somo seres imperfeitos que insistem em afirmar sua própria perfeição, solicitantes  da extensão desta perfeição almejada. É quando a gente consegue abrir mão deste grau de ilusão que o amor se concede. Que a graça de amar se faz possível. Que torna-se admissível o outro olhar. Aquele que enxerga um pouco mais para além. Que nos convida á um mergulho para dentro dos olhos de um outro alguém. Sem nada esperar além do que não seja aquele olhar, e o  desfrutar, se entregar ao que é mais bonito no amar, que é conseguir confiar.
 
Há sempre o risco. E o risco é grande, e é sempre belo. Tão belo quanto deve ser o infinito de um instante que é o amar.  Infinito, é tão bonito que não dá nem pra acreditar. Está certo, é prudente vigiar, embora não haja possibilidade de se entregar sem os olhos fechar. Olhos fechados. Abertos. Repletos de acreditar. Faz bem querer bem. E bem, por mais que logo mais, à frente, a gente possa se estrepar, ainda assim, tudo que a gente quer é acreditar e se entregar e multiplicar-se em  amar e amar e amar.
 
Amem, pois, e muito,  em 2015. Amém!
 
 
*