segunda-feira, 26 de outubro de 2015

19:00

 
O gosto hoje é de DESGOSTO.
Gostar é um gesto fácil, e de durabilidade questionável. Há que se ter disposição para o 'fazer de conta' e fazer de conta é chato demais da conta.
 
A gente gosta do que vê ou do que imagina ver...
 
Quem se importa.
 
Jogo de conveniências. Interesses. Nada é real. Nada é perene. Já posso ouvir ao longe o barulho das sirenes. Chamei o hospício pra me levar. Enlouqueci com o jogo.
 
O TÉDIO é o lugar mais seguro do mundo. Só que não.
 
Tem aquela eterna madrugada que lateja novidades.
 
TUM TUM TUM TUM TUM
 
O coração quer bater mais rápido, tá cansado de quase ficar parado, cansado da lentidão de corriqueira existência, provoca-me,  atiça, dentro dele tem um diabo artista, que me chama, dia sim, dia não, e então, num dia qualquer,  vou até o portão, e pela milésima vez vejo a mesmo trem passar,
 
proibido pra mim, no entanto. Porque, não sei. Carma. Encosto.
Se um dia eu for, descarrilha. É O AVISO.
 
E aí o tédio, e o barulho do trem o tédio, o trem, o tédio, o trem
 
_ que mal tem _ pergunto.
 
E vou. Sem levar nada. Nem a roupa do corpo. A última peça sacode-se ao vento, morrerá ao relento.
 
Não são passos que me conduzem. São asas. Batendo. Eu corro. Eu voo. Apossa-se de mim uma energia divina e perigosa e as lágrimas que eu nem lembrava o gosto dão lugar à um riso pecaminoso que ignoro, perigoso.
 
Chego. Todos me olham. Todos vestidos. Todos absortos. Todos. Quem é essa gente toda. Porque me olham. Nem me dou conta da nudez. Passei tanto tempo do lado de dentro que esqueci que do lado de fora as pessoas não se despem, ao contrário, se trajam em excesso para ofuscar seus interiores macabros.
 
Risos. Gargalhadas. Dedos em riste. A loucura persiste. Estou no inferno. Olho e não vejo. Esbravejo, mas ninguém ouve, quase desfaleço, mas ainda penso. Pesadelo. Mais um pesadelo.
 
Vou me encolhendo. Sou Anna Kariênina. Vou me jogar. O trem nem precisa descarrilhar. Eu vou me jogar. Eu mesma vou me jogar.
 
TIRE SUAS MÃOS DE MIM.
 
 
 
*

17:36

.

o que a gente guarda dentro da gente
é do tamanho da nossa ETERNIDADE,

é chão sagrado,
é um paraíso de dois,

não cabe estranhos!






*

17:30

.

A abertura que você PENSA ver é MIRAGEM,

MIRAGEM,

você não tá nem perto!



*

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

12:52



sua sorte
é que a gente não se esbarra,
senão, esta seria a minha fala:

_ ou fala, ou eu atiro!



*

12:44



De que órbita trata-se esse giro que que não se completa...
Eu penso que te engano. Você tem certeza que me engana. E brincamos de gato e rato pelos paralelos lunares.

Quem será o sol. Quem será a lua.

Qual será a rua daquela canção que nos escreve mas não nos define.

FAZER VALER A PENA.

E que pena quando perde-se a pena. Ou melhor, nunca a tivemos. Nem pena, nem dó nem piedade, nem tinta nem papel, a gente tem o que mesmo...

_Ah, sim!, temos o céu. Temos um céu só nosso, somos criaturas oscilantes que se criam e se recriam, somos tolos brincando de Deus,

brincando, provocando, enganando, trapaceando

(superlativos não vão me conquistar)

Enquanto isso, você sabe da minha preferência pelos silêncios, pelas rondas, pelos escuros, pelos becos, pelos trechos saltitados de um livro antigo, você sabe  como eu te prefiro, mas você

_ NÃO!

e aquela canção, hein...

'sei que você gosta de brincar, de amores, mas só, comigo não'

eu canto daqui, você canta daí, enquanto a lua e o sol continuam a perseguição amorosa que não tem fim.

_ai de você!, ai de mim! ai desse amor que dói assim!



*

12:28

 
aqui
você é
IMAGINÁRIO
 
mas em algum lugar
você
é
 
REAL
 
 
*

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

22:22

.


HÁ QUE SE DANÇAR OS PASSOS!



.

22:20

 
se você pode escolher
ser
tanta coisa
 
VAI ESCOLHER SER TRISTE
 
porque ( interrogação_)
 
 
*


sábado, 10 de outubro de 2015

18:38

Tentei me armar. Como se fosse para uma guerra. Em um lugar longínquo, ermo, e de temperaturas glaciais. Vesti todo tipo de agasalho. Peça sobre peça. E depois uma armadura. E mais armas. E me sentei a beira do abismo, sem saber qual seria a hora certa pra este incerto confronto.
 
Me achei esperta. Estava certa que desta vez eu não seria tão absolutamente PREVISÍVEL. Há que se abrir um parênteses:
 
(uma vez previsível, sempre previsível)
 
Há quem chame de transparência. Há quem veja o despudor. Ou a nudez que não se cobre com vestes de guerra.
 
E você veio pela incontável vez. Tuas horas não se contam. Teus passos não se ouve. Teus pensamentos não colidem. Teu controle não se perde. Tua vista tudo alcança. Teu poder não enfraquece. É tudo teu. O enredo. A razão. TODOS OS PORQUÊS. E ainda o teu egoísmo. E aquele humor que retalha. Você não tarda nem falha. E não precisa de armas. Nem de fogo. Nem de água. Nem de um fôlego para descansar. Você guarda. Você monta guarda. Todos os lugares te são possíveis, e o impossível te cabe. Te veste. Te protege e te dota de sobrenaturalidades.
 
É uma guerra impossível. É o mar frente a praia. É o vento frente a folha, é o inseto frente a janela, fechada, por telas, é a flor do mato frente a construção, é o pragmatismo frente a indecisão, é a luz frente a escuridão.
 
Você veio. E lançou a isca. Previsível o andamento das peças. Um xadrez de mestre. Uma duas três jogadas e CHEQUE MATE. Eu caí com todos os meus peões no tabuleiro.
 
Todas as minhas armas eram nada. Todas as peças de roupas usadas pra me proteger do frio deste jogo insano que não se faz revelar, foram, uma à uma, caindo no chão. E então, lá estava eu, nua, desarmada e amarrada pelas mãos.
 
_VOCÊ NÃO ESCAPA MAIS!
 
Foi sua sentença. Sem mais explicação. Sou a única refém, ou serão quantas. Seus movimentos sugerem tantas. O enredo é de dois, mas serão quantos, quantas, e eu ainda encontro espaço e tempo e ensandecimento para sentir ciúme da tua fúria. Ciúme da tua atenção. Da tua atração. Do teu calor que congela. Da tua noite sem luz. E todos os teus tons de azul.
 
Respiro fundo. Tudo parece igual de todas as outras vezes. Só que impera um silêncio estranho, aquele som nenhum que antecede a caça, o bichinho bobo corre pela floresta verde sem perceber-se alvo em mira.
 
Será abatido. Possivelmente. Ou não. Há que se abrir um novo parênteses:
 
(De tanto dar voltas e dar no mesmo lugar, pode acontecer de algo mudar. Não há lugar pra distração na guerra da paixão. E se o jogo resolvesse virar só para variar...)
 
UM JOGO.
DESTINOS SELADOS.
O QUE ESCREVER.
SÓ O TEMPO DIRÁ.
 
 
 
*

terça-feira, 6 de outubro de 2015

14:14

É.
É como entrar num quarto escuro. No primeiro momento você estranha, tropeça, sente medo, quer voltar, não acha a saída, a respiração sofre, o coração descompassa, e você para.
PARA.
Para onde está. Aos poucos, você volta a respirar. E o coração se acalma. Uma longa respiração te traz os sentido de volta. E o escuro já não é mais tão escuro. Os olhos se acostumam. E descobrem algo.
NÃO ESTÁ TÃO ESCURO ASSIM.
Nem tão quieto. Nem tão pavoroso. Nem tão devastador a ponto de significar um fim. Dá até para perceber algumas coisas. Um pequeno passo para o lado. Um tatear. Talvez nada. Talvez uma estranha paz.
PAZ.
E uma luz ínfima, que não revela, exceto algumas partículas velhas que insistem no movimento de permanecer. Há vida. Há até um suave aroma de alguma coisa que resistiu. Uma rosa seca. Uma taça onde restam gotas de alguma bebida doce, talvez um licor de aniz.
SENTIR.
Não há tempo aqui. Há um relógio na parede onde alcançam minhas mãos. Está parado. Tateando, descubro as horas paradas. Duas horas. Parece madrugada. Esbarro numa mesa de carvalho. Dá pra sentir a antiguidade de sua pátina. Deslizo as mãos por esta madeira e encontro conforto. 
ONDE.
Folhas e mais folhas de papéis. Meus pés tocam as que repousam suas letras que chegaram ao chão. Vou catando, uma a uma, desamassando-as como se para trazê-las de volta. As palavras falham, mas nem por isso, as intenções. Não posso ler o que está escrito, mas posso sentir o sabor. Levo a boca. Sinto gosto de lágrima. De álcool. De sândalo. De dor. E de amor.
AMOR.
Como acontece. Como aconteceu de eu parar aqui. Dentro deste lugar sem portas. Sem janela. Iluminado e sem luz. E porque, estranhamente, me sinto bem aqui...
ALGUÉM MORA AQUI.
A última coisa que me lembro é que eu estava dormindo. Sonhando com você. Sem rosto. Sem presença. Sem alma. Sem existir. Então, acordei no meio da noite, levantei e fui à janela, como quem vai ao encontro de um chamado.
DUAS  HORAS.
Da madrugada. E ali estava um vulto. De um alguém, vestido de preto, de costas, alguém que chama mas não quer resposta. Só quer a pergunta. Só quer a luta. O jogo. Sem regras. No escuro. No tudo, no nada. Sem tréguas. Roleta russa. Vida e morte.
Um convite. Um alerta. Um adeus. Um desespero. Um apelo. Uma saudade que não cede. Uma fuga. Um pecado. Uma vingança. Um amor. Uma loucura dividida. Um sim. Um não...
E AQUI ESTOU.
Dentro deste quarto escuro. Onde você parece estar sem estar. Onde eu estou sem estar. Onde tudo faz sentido. Sentido de labirinto. Onde não existe o segundo, onde não existe mais ninguém. Um lugar onde o tempo parou. Um lugar que revela-se rubro. Rubro-coração. Parece o teu coração. E eu dentro dele. Eu aqui.
NÃO SEI O QUE FAZER AGORA.



 
 
 
 
 
*

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

23:23

.

se você conseguir fazer
a MÁGICA acontecer,

TUDO pode ser.


*

20:08


*

DEIXA ESTA NOITE PRA DEPOIS


*

20:02

.

por mim,
seria sempre entardecer.
o dia ME ensurdece,
exceção quando amanhece, bem cedinho,
tudo mudo, caladinho,

_ ah, o mundo e seus barulhos!,
a gente só emburrece, ou entristece, nada apetece quando a luz é demais,

excessos se apequenam por excesso,
acho que vou ter uma acesso,
eu me atravesso no que posso evitar,
pra que provocar o dia, se a gente pode esperar a calma de uma noite fria ( pergunto)

me escondo do dia, não me revelo na noite,
quero passar despercebida pelas avenidas, ainda que quisesse
te fazer notar,

e mais uma meia dúzia de pares de olhos,
frondosos, amorosos, calorosos, carinhosos que não me fizessem
ter medo de amar,

a noite é boa pra quem não deseja se revelar, nem se transformar, só deseja uma janela baixa, ampla, pra apoiar o queixo e sonhar
sonhar, sem precisar levantar, um sonho preguiçoso,

todo sonho é espaçoso, quase nos rouba a vida,
gente é bicho encolhido, esse mundaréu de possibilidades pensantes, e somos apenas criaturas errantes que têm pressa de chegar,

aonde, tanto faz,
talvez algum canto de noite, onde dê pra respirar um bombocado de ar, degustando um refresco até a MADRUGADA chegar.

Bem sossegada.



*

14:40

me dissolva
essa URGÊNCIA

AGONIA de saber,
por certa,
nossa inviável ( sem via, sem rua, sem mar)

PERMANÊNCIA.


*

14:20

.


me faça acreditar
que isso não é só
PIRRAÇA

não me deixe tão sem graça
aqui, no meio desta praça
com essa cara de palhaça
que não se cansa de esperar!



*