sábado, 9 de janeiro de 2016

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Vamos ao nosso mais novo capítulo.
 
 
Meu amado Baudelaire.
 
Estou à sua altura. Camisola branca, contrasta bonito com o colorido da pele pós sol. Coloquei os brincos novos. As gotas do perfume, estrategicamente escolhido e espalhado. Um cálice de licor faz bonito junto à vela perfumada, acesa, perto da janela, aberta, de onde posso ver a chuva fina cair sem pressa de nada. Dois abajures deixam sépia o tom da noite. Uma manta macia sobre as pernas, mas os pés, de fora, prontos pra cair mundo afora. E música. Uma linda toca agora. Acabou de começar. Música de amar. Música para lençóis inquietos. Música de tocar nas partes mais quentes que só você saber despertar. Te tocar. O livro aguarda ansioso ao meu lado, o mestre dos prazeres nos ditando nossos mais ansiados afazeres. Atiçar quereres. Noite de ultrapassar distância, porque descobertas se revelam.
 
Não se tratava de sombra. Eu percebi a diferença meu caro ser amado. Não eram sombras. Nunca foi sombra. E eu ouvi o seu chamado, ouvi e vi, e o sim que te repito sussurrado, molhado sim que repito no teu pescoço, na tua pele, nas proximidades da tua boca de tanto devorar, o sim que não é pra ser apenas ouvido, mas sentido, enquanto tuas mãos me tomam sua em REFLEXO.
 
 
Finalmente uma novidade. Avançamos um milhão de casas. Ganhamos asas. E estamos em brasa,  você me trouxe pela mão até a palavra que nos reinaugura. Reflexo. Tudo à refletir. Eu em você. Você em mim. Assim, enquanto tocam essas canções,  rhythm&blues, vejo refletindo a nossa dança de amor, corpos colados, o ritmo que nos invade e nos encaixa, sintonia finalmente alcançada, feito a luz do poste copulando com as pedras da calçada, ou esta vela na janela que tremula reflexos e chamados, o meu eu refletido no seu eu querido e amado.
 
Não estou ansiosa. Sei que temos muitos capítulos à cumprir. Sei que haverá o momento em que o rir haverá de ceder verbo à agonia, às saudades e faltas, mas não hoje, não agora, não neste momento mágico em que descobri o mistério do reflexo, a força física desta centelha viva, sou sua mente, e sua mente é minha, e dentro de nós, uma saída, de um para o outro, algo real. Afinal.
 
Anoitecemos juntos hoje. Inédita sensação. As estrelas que vi com você, céu nenhum havia me mostrado. Compromisso novo, cultivar. Manter. Lembrar o lugar que ocupo, enquanto você me ocupa, reflexo de um no outro, em cada movimento de corpo. Meu corpo e o seu, tanto, sempre é pouco pra nós. Mas desatamos esses nós. Ainda, e pra sempre, somos nós.
 
Vamos ver o que diz BAUDELAIRE...
 
 
 
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