quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

14:14

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Seguir é a palavra. Delicadeza arranhada exige força armada. Não sou flor que se cheire. Nunca fui, nem pretendo ser. Talvez, nem flor eu seja. Estou mais pra mato. Cacto. Não caibo no formato. Nem no conto do gaiato.
 
Seguir é a palavra e a lição é sempre a mesma. Arme-se. O amor foi-se embora desse mundo no dia em que nasceu. Ele estremeceu frente à tanta feiura. Paura.
 
E a vida é dura, cara pálida. Toda dor acaba válida. É a única forma. É a norma. Se conforma! Respira o alívio. Sobe os muros, solta os cachorros, liga o alarme, não faz alarde, guarda tua sorte à sete chaves, se resguarda, o tempo da delicadeza é do lado de dentro, não tem nada de tempo, vento é coisa de mau agouro, o mal não tem nome nem logradouro.
 
Reluz mas não se trata de ouro. É resto de roubo. Energias sugadas nas madrugadas, tranquem suas salas, o inimigo está à espreita, são da seita dos malditos, parecem eruditos, roubados aqui e ali, alguns dizeres bem ditos, esquisitos são os mansos, que permitem o infiltrar.
 
 
Se aviso fosse bom, a gente lia. E relia. E tratava de decorar pra não se machucar. Delicadeza é jóia rara, cuide, nada chegue perto que lhe judie, à alma não lhe cabe açoites, coices, foices, abram-se os sentidos, perdigueiros façam-se os instintos, e que 'nunca mais' vire um tempo de verbo permanente, o sinônimo de um aviso imenso no portão que deve ser ermo pra poupar propriedade:
 
É BOM SE AFASTAR.
 
(sob o risco de atirar)
 
 
 
 
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