terça-feira, 19 de janeiro de 2016

15:00

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Nível de irritação: GIGA
Se houver mais que giga, considere.
Dá até uma tontura na cabeça. Meu pulso, esquerdo, tem uma veia que palpita. Coisa mais estranha do mundo. Dá pra ver a pulsação, como as batidas do coração, fica pulsando e dá pra ver, literalmente, tipo uma bolhinha, dá um certo pânico, tomo umas gotas de floral, outras de homeopatia, Coca-Cola, toca a campanhia, da loja, abre a porta, sorria, você está sendo filmada, no que posso ajudar, ladainha decorada de atender gente afetada em falas paralelas, não estou nesse mundo, não estou naquele mundo, vago, um recipiente de guardar rolhas de vinho, momentos divinos, mais dois castiçais e velas perfumadas, soma, recebe, embrulha, acompanha, sorri, mecanicamente, deve ser bom trabalhar aqui, confirmo, me salva, deixo escapar, abraço beijo, promete voltar, indicar, falta lugar pra estacionar, concordo, muito carro, muita rua, muita gente, calor, dos infernos, saudade do inverno, do vazio, de antes de você, sento, inspiro, expiro, aperto, decido não mais olhar, BE LOVE, tudo é cognitivo, nada sinaliza, no entanto, arrisco com uma sombra que anseio ser sua, a silhueta é sua, decorei teus contornos, másculos entornos, desejo que seja, não faz sentido, confirma seus segredos, pede perdão por não contar, pede sinal, sinalizo, sigo as montanhas, o barulho das cachoeiras, viro a direita, não, o nome da rua é direita, vou pra casa, faça as malas, vou pra onde, olho, não olho, não olho, só sinto;
 
Sinalizo, irritação, nível batendo a cabeça no chão, você tem que ser feliz e linda, meu!!!!, e eu que sou incoerente, desligo, não ligo, tá possível, tá aberto, sem chave, escancarado, é só entrar, e resolver falar antes que eu verdadeiramente resolva pirar, antes que eu deixe de ser essa vira-latas sarnenta, e mergulhe numa apatia irreversível, não conte com minha eterna inquietação, o limite existe, quer um sinal, avance umas casas, abane umas bandeiras, para de comer pelas beiras, perde você as estribeiras, faz você, dá seu jeito, se vira;
 
seja feliz, seja calma, seja linda, seja flor, seja suave, seja calma, seja doce, seja o caraleo a quatro, faz o estrago, pede o conserto, pra vir e me desacertar de novo, parece esse rio caudaloso, tô com agua até o pescoço, e tenho que me virar, vou ali, regar as flores do canteiro, molho os pés, a barra do vestido, os braços, o rosto, rego a mim mesma desse calor enlouquecedor, sinto dor, amor;
 
você não tá entendendo, eu sou só duas pra dar conta de todas essas personas que você administra com esse seu irritante sossego milenar, não te falta nada, te sobra ar, e nem pra cantar no meu sonho você se põe a prestar...
 
Nível de irritação: não me encosta, não!
funcionário, folgado, funcionária, corpo mole, vai, cobra, chama as falas, favas contadas, vira as costas, volta, tem que ficar no encalço, senão a coisa não rola, e pra que, pra juntar uns trocados que ficam guardados para o dia D, eu quero o dia B, tô por um triz, com tudo, comigo, com sua palavra que não consigo entender, se é pra valer, se é pra esquecer, se é pra voltar mil casas no jogo, e fazer de conta que vamos nos conhecer de novo, pela milésima vez, tudo de novo, tudo de novo, tudo de novo, registra:
 
eu quero um jogo novo, quero novas regras, quero definir alguma coisa, tal seja que não seja um jogo, pelo menos UMA VEZ.
 
 
 
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