sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

15:50

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A primeira vez que você traga uma cigarro ele tem o pior gosto do mundo. Você engasga, tosse, o cérebro não reconhece aquele gosto estranho de nada bom, até que você vai dando a segunda, a terceira, e as tragadas vão virando outro tipo de fumaça quando você sopra, e é bonito de olhar, as substâncias vão dando um negócio na cérebro, e na dúvida, você  tenta mais um.
 
 
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E um belo dia você garra gosto. Faz uma companhia. Você, aquela fumaça cinza, os pensamentos, o sobe e desce  dos desenhos que contrastam, e aquele momento é só seu. Ninguém com um mínimo de juízo fuma. Fumar é como assumir o risco, ligar o dane-se pra vida, e encarar a fera de frente, eu vou acabar de qualquer jeito. Vou te ajudar. Tenho o fogo. Sempre aceso. Pra facilitar.
 
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Nada nem ninguém te preenche mais do que a solidão. O silêncio. E aquele lugar. Onde você fica, e são as tragadas que gritam a tua dor. Todas as palavras do mais baixo calão são liberadas, tragada pós tragada, sem que se perca o tom. Um riso de canto de boca. Um auto sarcasmo, um auto deboche, uma auto ironia dando banana pra vida, essa bandida, que sabe como ninguém a hora certa de te cobrar. Antes que ela venha vou parar.
 
 
de fumar.
 
 
 
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