quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

19:10

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Arejar. Respirar. Acomodar. Abrir a casa. Reencontrar. Os objetos. Os pequenos afetos. O livro pelas meias. A árvore que entra pela janela. O verde que se perde de vista. Passarinhos em visita. O telefone tocando saudades. O abraço do vizinho. Afago. Um trago.
 
Fiz uma longa uma viagem. Não lembro o nome dos confins. Viagem longa. Quase me perco. Mas não foi por um triz. Sou meretriz de mim. Olho minhas mãos. Confere. Olho minha pele, confere. Minhas pernas, meus olhos, meus sentidos, e os cabelos, compridos.
 
Tudo em ordem. Bem te vi vem cantar na janela. É um bom sinal. Tudo igual. Meu elemento é a terra, meu prazer é a raiz, e mais o sol, e o fogo, e as águas, benditas, águas não são aflitas, exceto quando jogam sobre seus encantos, sujeira, detritos, e ainda assim, recompõe-se de pronto.
 
Há um elemento maior. É dele o meu conforto. Trago alguns arranhões. Não sou a fodona. Mas dor é coisa de gente que  arrisca. Não vive de titica. Sou bicho. Lambo minhas feridas e na água contida nesta saliva eu me salvo, e me curo, e nada além disso procuro, que não seja, não ter medo de escuro.
 
Não ter medo de nada.
Ser calejada, tem suas vantagens.
E as letras, são só pra continuar.
 
Continuar à aguar.
 
 
chuá
 
 
 
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