quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

19:26

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Nossa!, que aperto que me deu no coração. O que quer dizer isso. Não posso tomar pra mim. Ou devo. Como assim.  Não tô aguentando, quase escrevo teu nome aqui, não o faria, mas quase, sem querer, bem claro, bem exposto, bem definido, bem coração partido, o que quer dizer aquilo... O QUE
 
Engraçado que passei o dia com uma sensação tão doce me percorrendo, cada minuto do dia, uma estranha alegria de te visitar pelo lado lindo, claro que vinham até minha mente as paranóias, as neuroses, os medos, as dores, ( a pergunta: estarei romantizando o inexistente), só que essa minhocas vinham e eram varridas sem demora por uma força contrária que só insistia nas coisas lindas. Criando histórias. Momentos. Futuros. Sorrisos. Beijos. De noite inteira. E de meio de noite. Teu pescoço. Minhas costas. Tuas mãos. Lugares. Mãos dadas. Mais sorrisos. Apego. Afeto. Imenso. Atômico. Supersônico. Suspiros. O que está havendo comigo... perdi o juízo, não estou ponderando, estou delirando de querer, dei um salve à IANSÃ, comprei flores pra Ela, brancas e amarelas, e ela soprou seu elemento o dia inteiro sobre os meus cabelos, soltos, quase podia te sentir, e a razão, ela não achou espaço pra me chamar pra tua falta de presença, pra me lembrar como foi se dando a tua ausência, que de repente, pareceu, ser-me absolutamente necessária para sei lá, aumentar, ou arrumar, ou rearrumar,
 
claro, que só posso falar por  mim... mas quem embalou hoje, e me trouxe doçuras apimentadas e novas madrugadas prometidas por longas estradas, foi Iansã, não me pergunte como, não me pergunte nada, apenas saiba que você habita aí, no seu horizonte, mas habita, uma parte imensa de você habita aqui, bem dentro de mim, assim, do jeito que SÓ VOCÊ sabe, só você pode, só você entende e acende,
 
mas aí eu cheguei, abri as janelas, que continuam permitindo o frescor desse movimento bonito de vai e vem de novas cenas, novos poemas, coloquei-me em poucos panos, e te olhei. Enigmático. Performático. Lindo. Sabe, achei você lindo. No começo. Mas hoje, te olhando, me espanto de o quanto você é lindo. Solto. Pelas barbas de Netuno!, só mesmo uma pessoa sem juízo, eu no caso, em quem não nasceu nenhum dos dentes do siso, que falta gigantesca de juízo, querer alguém como você. Como diria minha vó: sarna para se coçar. Aff.
 
Mas voilá. Se é pra arder de dor e querer ,que seja por você. E se for tudo um engano, bem, eu nem sei, porque essa hipótese é varrida de pronto da minha mente hoje, e assim, nem que eu quisesse, arrumo argumento. Sou louca por você e ponto.
 
Te contei do desmaio aquele dia. Não sei se você entendeu. Não foi metafórico. Foi literal mesmo. Apaguei. E vou esmiuçar aqui pra você.
 Que d e l i c i a !
 
Nunca tinha desmaiado antes. Não cheguei a cair no chão. Foi no café da manhã. Umas 10:00. Estava na mesa, e de repente, me disseram, sumi do mapa, me chamavam e eu não respondia, eu não lembro, só fragmentos, mas foi algo como, sei lá, adentrar numa outra dimensão, mas algo tão bom, tão leve, entrei sorrindo lá nesse tal lugar, tudo leve, suave, parecia uma praia, sei lá, mas a areia era macia, branquinha, muito fresco, muito aromático, muito sei lá, parecia um coração feliz,
 
daí, me pegaram e me levaram, pro chuveiro, me banharam e me deitaram na cama, onde eu sumi de vez. Respirava direitinho, tudo beleza, só que apaguei. Meu... que d e l i c i a . Se morrer for algo parecido, até que eu recomendo. Embora não agora. Não hoje, não neste dia em que mesmo você não estando, está, tão dentro, tão perto, tão tudo.
 
Minha adorada tia avó, ficou assustadíssima, ligou pro médico, ficou ali do meu lado, mas do nada, acordei como se nada tivesse havido, levantei e o resto você sabe que te contei em extensos relatos. Vovó veio com umas histórias de que antigamente era muito comum as mulheres usarem o recurso do desmaio simulado para se ausentarem de decisões difíceis, ou para mostrar uma pseudo-fragilidade estudada, e as donzelas, para poderem ir aos bailes, e as senhoras, para verem seus pedidos atendidos, e as românticas que até hoje desmaiam por prazer.
 
Você, certamente, não é o tipo de homem que se deixaria tapear por um desmaiozinho qualquer. Pra te enrolar, não acharam a linha ainda. Não deve haver recurso pra te levar no bico. Ameaças são uma cilada, sempre dão errado. É feito aquela historinha antiga, o sujeito se diverte gritando _ fogo, fogo!, só pra ver todo mundo correr, e toda vez, o povo corria, até que num belo dia, era verdade, mas ninguém correu e o sujeito morreu.
 
Feito eu, eu acho. Vou sumir. Não vou deixar rastro. Vou te riscar do mapa. Vou te esquecer. Você nunca mais vai me ver. Nunca isso. Nunca aquilo. Nunca aquilo, nunca isso, né --------
 
Nem eu mesma me acredito neste quesito. Espero que esse dia nunca chegue. Espero que muito longe disso, uma belo dia você ache um jeito, e se 'aprochegue', canse de se sentir perdido, palpite meu só, mas é que nesse história só existem duas possibilidades:
_ ou tudo era mentira, e nesse caso, não consigo raciocinar, nem racionalizar,
_ ou era tudo verdade, e aí, em se tratando de ser, tudo pode acontecer, até a nossa historia renascer, e a gente encontrar uma forma de se reconhecer, de novo se conhecer, passo a passo,
sem pressa, ou com toda a pressa de quem ama as estradas.
 
Se existem outras, e devem e podem até haver, não consigo pensar agora, porque está tão bom essa calma, que sei lá, deixa estar.
 
Fui ousada demais hoje.
Coisa de Iansã. Me fez ficar assim, aos meus próprios olhos,
arretada.
 
 
Se precisar da minha mão,
_ VEM!
 
 
 
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