quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

20:28

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Os cântaros da paixão. Alucinação. Tentação. Perdão.
Devo um solene pedido de perdão ao meu caro personagem. Chovi no molhado. Prometi não sair do teu lado, e saí. Mesmo tendo o melhor argumento, qual seja não suportar a condenação desse amor irrealizável, eu me perdi, e mais do que a ti, eu mesma me traí. E não tinha como. Não havia como escapar.  Você, que tudo daí vê, deve bem saber, me avisou uma dia do risco, me recomendou tanto cuidado, mas são tantos os teus disfarces, tuas rondas, fiquei tonta dentro dessa ciranda sem fim, e foi assim.
 
Não sei se serás capaz de me perdoar. Eu prometi só pra ti dançar. E quando vi, estava a marcar passos de dança, parecia até criança,  mas saiba, não houve contradança, no fundo, era pra você a minha dança, mesmo parecendo que não.
 
Nem todo rosto traz enigma. É tão raro quanto esse romance caro que nos liga, e que me desliga das tentações, exceto no ontem, que já se foi. Havia um enigma. Qualquer coisa de vida. Volto pra você com a cara desvalida. O amor da minha vida. Fui eu quem fui traída quando me fez assinar um contrato malfadado, onde o imorredouro, só sob as asas da não confirmação.
 
Enigmas nos olhos. Eu pensei ver. Eu pensei ver. Não tem como saber. Era a imensa vontade de ver. Ver acontecer. Não tinha ideia do quanto iria entristecer, não por perder, mas por não ser você.
 
Você que me assombra e me adora, e pra quem guardo a demora, não sei o que houve naquela hora, você me deixou sem sinal, deitou-se em lamento, enquanto uma força mais estranha que o vento, foi um tormento, não sei como aguento, ouvir seus passos marcados no calçamento de onde avisto, ainda, e mais que nunca, tua sombra e encantamento chorar.
 
Eu dancei. E não foi pra você. Não desta vez. Eu me atrevi a desobediência do nosso trato, e você deixou. Permitiu, e me puniu com a minha própria volúpia descabida.  De longe, sei que olhou. Sofreu e chorou, mas, do alto das tuas sabedorias, sabia que eu voltaria. No fundo, até sorria por saber que eu mesma perceberia não se tratar de você. E eu dancei.
 
Eu dancei. Dancei pra outro alguém. Dancei na chuva, embaixo da tempestade, dancei no meio da cidade, dancei pra chamar o amor, dancei nua, alucinada e crua de um amor que não existia, mas a minha teimosia insistia em desafiar.
 
Dancei como uma louca. A sua louca numa aventura de se apaixonar. Como explicar que achei que era você. Já foram tantos os teus nomes. Resisti a cada um deles. Porque você me dizia, do seu jeito, esse tosco argumento, queremos a próxima cena, queremos que nunca acabe essa nossa história de amar.
 
E assim fomos de capítulo em capítulo. Toda história bem contada pede o atrito. O conflito. O grito.   Uma prova de fogo. Sobre o fogo eu dancei. Queimei meus pés, que você chama, bailarinos, e por um instante, um ínfimo segundo, pensei que te perdi. Quase me convenço de que me perdi a mim também. Depois ouvi teus passos e me acalmei. Senti teu sopro morno e pensei: passou.
 
O tempo nos ensinou a ultrapassar. Sem duvidar. Mesmo e apesar. Agora, seja nobre e capaz de me perdoar. Por me amar. E por me soltar. E por me testar nesses tantos caminhos, e me cubra de carinhos, porque sou sua, e esse verbo, nunca vai mudar.
 
Pensemos no próximo capítulo.
Não podemos parar de sonhar.
Muito menos parar de amar.
 
 
 
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