sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

16:26


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Estou tímida de falar com você. E assustada. Medo do tudo ou nada. Nem estava querendo seguir nesses relatos, mal elaboradas ousadias, tardias talvez, mas tomei uma ar, outro ar, mais um bocado de ar, e aí, como sempre agarrei-me às palavras pra sossegar.
 
Falar de coisas pequenas . Coisas amenas. Quantos dias. Não lembro mais. Quinze. Dez. Não levou nem isso, talvez cinco pra abrasar. Certas coisas nunca deveriam acabar. Uma palavra criança. Uma palavra novinha. Procuro, procuro, uma pequena palavrinha que fizesse o rumo da prosa mudar.
 
Sino dos ventos. Filtro dos sonhos. Orixás. Tomo um chá, um café, olho pro chocolate, e sinto ânsia. Talvez esteja grávida. De um fantasma. Foi tanto amor naquelas madrugadas que vai que né, não era uma utopia e me fecundou de poesia.
 
De prosa. De agonia. De fantasia. De alegria. De uma inexplicável vontade de voar, de mergulhar no mais alto ponto do mar  de onde não me fosse possível voltar. Fecundada por você. De você. E perdida. Quero gerar uma palavra. Nunca dita. Uma palavra em que se acredita sem precisar de prova, uma palavra nova pra acertar em cheio o coração, a mão, o órgão vital, nada que tenha sido dito igual, mas qual, qual a palavra ainda não nascida faria sumir o gosto de despedida dessa hora meio marcada, se não houver furo, e ao longe a gente deixar o barulho, os ciscos, os cascos, os cacos,  aquelas doses de veneno, os extremos, e só sentar, naquela grama verdinha, brisa passando fresquinha, pés descalços, encostados naquela árvore frondosa, só se deixar levar, pelo que der, pelo que vier, vieiras, não perder as estribeiras, ir pelas beiras do bem-me-quer...
 
DO
BEM
ME
QUER
 
 
( o que eu queria era te roubar daquela estrada vazia,
eu queria te trazer pra perto do meu mar...)
 
 
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