sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

12:59

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O universo das coisas. O universo dos versos. O universo das pessoas. O que faz uma pessoa feliz. O que faz duas pessoas felizes ao mesmo tempo. O que faz um grupo de pessoas rirem juntas. O que faz a felicidade querer ficar. Quanto tempo ela pode aguentar. Sem que suas asas inquietas a chamem pra voar.
 
Felicidade borboleta. Felicidade beija-flor. Felicidade terra. Calçada. Estrada. Felicidade momento. Nascimento. Onde ela se demora. Ninguém aprende na escola. Não tem como passar cola. Argola. Corrente. Prender. Só ver. Seus detalhes.
 
 
Alguém sempre está feliz nos arredores.
Observo do meu posto sentinela a felicidade de um menino. Que trabalha comigo. Nem trinta primaveras mas um sabedor de felicidades intuitivo. Gosta de futebol. Gosta de jogar futebol com os amigos mais do que tudo. Exceto um tudo que se chama Romeu. Seu filho. E exceto sobretudo a sua amada menina. Fico imaginando que romântico o momento em que decidiram chamar o seu lindo menino de Romeu. A felicidade ao lado...
 
Esse menino está feliz. Vai se mudar pra casa nova. Uma casa novinha. Pequena e linda. Um ninho pros passarinhos. A menina dele gosta dele. E gosta das coisas bonitinhas. Cada coisa no seu lugar. O Romeu tem quatro anos, de felicidades genuínas. Gosta do homem aranha, de ver o pai jogar bola, e de chocolate. Sobretudo gosta do pai. E da mãe. E dos avós. E da escolinha onde ele entra sorrindo e sai dormindo. Bem sossegado.
 
A felicidade se demora. Constato. A felicidade se demora na coerência. Na insistência. Na inocência. Na paciência. Nas almas tranquilas. Que apreciam jogar futebol com os amigos. Que apreciam ver o seu querido jogar futebol com seu amigos. Na criança criada sem frescura, só com amor e água pura. Felicidade, pelo visto, sem rende às ternuras.
 
 
Daí, lembrei dos velhinhos. Tão tranquilos. Velhinhos gostam de pescar, de merendar, de cochilar, de contar causos, não andam mais descalços, seus pezinhos tem calos, seus cabelos são ralos, suas rugas apertam os olhinhos, mas o sorriso resta num cantinho, no outro, tão leves, seus ossinhos frágeis, suas artérias delicadas, e as lembranças viram um tempo de filme, preto e branco, deixa pra lá as imagens!, vamos lembrar o estilingue, as tardes de Domingo, todo mundo reunido, a felicidade aparecendo sem ser convidada, não se faz de rogada frente à essa gente que não espera sentada a sua nobre chegada, felicidade ama atrevimento, e como parecem felizes os atrevidos. Os velhinhos no café do outro lado da rua. O meu amigo do trabalho. O Romeu. Que gosta de abraço. Apertado.
 
_ Que a felicidade não saia do seu lado!
 
 
 
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