sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

16:11


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Há males que vêm para o bem. Há bem que vem para o mal. Dualidade. Parece tão pouco resumir em apenas dois lados. Progressão. Abrir o pensamento e multiplicar os lados. Muitas coisas se abrem vindas de outras tantas que se abrem, ou se fecham, ou se bastam, ou se completam...
 
A gente vai se apequenando com o tempo. Vai se apegando às coisas pequenas. As bem pequenas, mesmo. Observar vira mais do que uma distração, vira uma abstração. Só que com os olhos bem pequenos. Tudo vai diminuindo, ficando diminuto não no sentido deteriorar, ou inferior, vai é apenas adquirindo o verdadeiro valor.
 
Talvez fosse dessa matéria que o saudoso Manoel tanto poetizava. Descer até a grandeza das coisas pequenas. E deixar as grandes, as gigantes intenções, os imensos sonhos, as não exclusivas frustrações ao espaço que lhes cabe: O infinito. Ou algum buraco negro para onde devem migrar as expectativas quando sossegadas.
 
 
Pequenos passeios.
 
 
Janelas de casas antigas sempre deixam escapar o movimento discreto das suas cortinas, que por detrás, mostram pares de olhinhos, olhos cansados, olhos pequeninos, um velhinho, uma velhinha, ali por horas, olhando o não visível, assistindo a passagem das suas tantas coragens, as lembranças, que vão ficando crianças, lugar para onde a gente deve voltar.
 
 
Algum princípio. Algum alívio. Algum cantinho sereno. Onde não hajam mais dores. Nem amores. Nem grandes vaidades, apenas amenidades, talvez por fora se tratem até das mesmas, ou talvez a alma não precise mais dessas coisas pra expandir, pra que se possa sorrir pra qualquer um, sem medo algum, talvez haja um lugar só pra se estar, se demorar, apreciar, se gostar, um lugar onde pequeno não seja um sentido pra menos, mas a essência de alguma coisa maior, algo bem perto do que penso poderia ser o amor, um tempo amigo do tempo, um lugar onde viver, esse verbo sim, seja uma coisa maior. Um lugar onde finalmente apareça, o nosso lado melhor.
 
 
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