domingo, 14 de fevereiro de 2016

16:41

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Foi só um toque. Rápido. Talvez, distraído. Contido, não, porque o verbo conter não te cabe. O vento. Este, sim! Ou algo assim.
 
Fiquei acanhada. Sem saber o que fazer. Ideias ingênuas são perigosas,  li isso logo cedo. É que ficou tudo suspenso. Fiquei no suspense daquele vácuo entre uma chamada combinada e não cumprida.
 
Se fechei algumas portas não foi na sua cara. Foi pra me proteger. Esperar é um verbo irritante. Altamente corrosivo. Quem espera vê a demora se alongar. Feito um gato em dia de banho de gato, nunca acaba a demora.
 
E você espera. E demora. E você espera. E demora. E você espera, já sabe, né. Demora. Aí você percebe sua respiração em suspense, suas mãos em suspense, seus pensamentos paralisados no suspense, as falas ensaiando revidar o suspense, e de repente se dá conta de que dói. Dói esperar. Dói quando é a demora quem vem.
 
Então, por um mínimo de sanidade mental, você para de esperar, e fecha o canal pra poder respirar. Pra não pirar dentro desse único verbo que domina a mente da gente que espera.
 
Enfim, tem por onde, no entanto.
 
 
 
Lembro de um dos seus sonhos. Relatados pra mim com detalhes. Uma noite. Um bar. Um vento. Uma tempestade colossal. Lembra a musica de Alceu, " e deixou os meus nervos de aço no chão", rio sozinha, nervos de aço, os tenho, só isso justifica a incontida alegria do seu segundo distraído.
 
Foi uma semana difícil. Umas críticas pesadas. Um cansaço animal.

Irritação com gente que toma o que é teu, no caso seu, VOCÊ aí, que nem sei se vem aqui, mais, ademais, e faz confusão. Só existem dois aqui. Você e você na minha imaginação. E eu. Que não conto. Só proso. Nem verso. Vale também o inverso.

Foi uma semana difícil. Por pouco não me explodo. Essa aqui. Que vive aqui. O meu outro lado da moeda. Que você conhece. Um lado só. O outro, nem sabes. Um lado bom. Um lado ruim. Os dois lados bons. Os dois lados ruins. Dualidade me irrita. Lados se complementam, e aumentam na medida que irrestrita se faz a progressão.

Dos teus lados, adivinho. Não!, Suponho. É estranho a paixão fragmentada. Ou talvez justo por isso, justificada. O desconhecido. O almejado. O idealizado. Superado. Decepção. Medo. Suspense.
Era uma vez, é inicio. Ou fim. Ou o que...
 
Lembro de uma coisa por você pensada: nossos defeitos talvez sejam o que mais nos aproxima e possibilita. Sempre me vem à mente essa frase codificada, que na verdade não traduz nada porque somos uma história interrompida pelas montanhas, pelos eventos, pelos excessos, pelos inversos, e por alguma coisa muito óbvia que eu não consigo acessar.

Tudo que é muito óbvio guarda algo mais. O que me faz pensar sobre a grande descoberta da semana. A confirmação da Teoria das ONDAS GRAVITACIONAIS de Albert Einstein, que já a cem anos atrás, apaixonado e visionário, deleitava-se sobre possibilidades só naturais aos grandes apaixonados. Vi tanta correlação com a gente essa coisa toda. Não entendi nada de nada na verdade da teoria, tô estudando, voltando aos poucos às pequenas pesquisas sobre os grandes mistérios, as conspirações, minha piração preferida, mas a experiência foi desenvolvida e confirmada pela LIGO.

É a sigla do centro de experimentos lá: LIGO.
Achei tão gravitacional essa correlação de paixões. Ondas que se confirmam através de um LIGO.

Eu ligo. A LIGO liga as ondas. As ondas nos ligam. Ligações.
Interrupções. As ondas se ligam. Se esticam. Se religam. Ligam.

Olha como é poético:

Todo corpo emite ondas.
(Ondas: feixes de energia que distorcem o tecido tempo-espaço)
Essas ondas produzem perturbações no espaço. Qualquer massa em movimento, um corpo, dois corpos, produz ondulações, ondulações, pra lá, pra cá, vai , e volta, balança, balança, nesse tecido espaço-tempo.
Quando essas ondas passam aqui pelo planeta, o tempo-espaço que a Terra ocupa se alterna entre SE ESTICAR E SE COMPRIMIR.
 
Quanto maior a massa, e note que PENSAMENTO também tem massa, maior o movimento  e maiores são as ondas. Que chegam e de novo, esticam e encolhem, para que novamente se recombinem.
 
RECOMBINAÇÕES.
 
Eu não sei o que isso quer dizer cientificamente, mas na questão poesia eu achei lindo. Estica, encolhe, se recombina, estica e puxa pra perto. _Puxa!, dizem que é uma nova janela para o Cosmos. Um espectro totalmente novo. E tudo que é em cima, é igual aqui embaixo. Ou seja!
 
Estamos à  caminho de algo inimaginável. De bom. É o que sinto no meu coração. O pedaço do meu coração que se liga ao Infinito. E disso, eu tenho certeza. Estamos à caminho de algo inimaginável de bom. Sei que as ondas que comprovadas se fizeram essa semana sugerem um mundo novo a ser visto. Lá em cima. e AQUI. E nesse caso,  não resisto à associação:
 
Minhas ondas te beijam para além do tecido espaço-tempo.
Em alguma dobra do tempo, o espaço pra você, é sempre, e se você quiser,  pelas ondas alcanças o meu BEIJO.
 
 
 
 
[p.s. licença para escrita solicitada. É só um ensaio de flauta]
 
 
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Um comentário:

Anônimo disse...

A gravidade pela teoria da Relatividade é responsável por distorcer o tecido espaço-tempo como o efeito de uma bola de chumbo sobre uma colcha esticada, onde existe o acúmulo de massa acontece também uma distorção no espaço e por sua vez no tempo. Com essa descoberta recente fica a prova experimental que faltava para “quantificar” a gravidade e reafirmar cientificamente o que já dizia a teoria Einsteniana da Relatividade.

"Suas ondas me beijaram por todo meu espaço-tempo. Por consequência minhas ondas fluem te admirando em todas as dobras do espaço além tempo."

De seu admirador secreto.

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