sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

17:21

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É que se a beleza não vem, você tem que embelezar. Se a alegria não vem, você tem que alegrar, se a saudade não passa, você tem sentir, e se a paixão não cessa, você tem que sangrar, se o acaso não conspira, você aceita e pira, se a lágrima quer cair, você não tem como reprimir.
 
Porque existem as ventanias. E elas são de ir.
Porque existem os temporais. E eles são colossais.
Porque existem os amores. E alguns, oceânicos.
 
E você tem que se afogar. Deixar cada gota te levar.
É que se tem vida, você tem que viver. Se não tem acolhida, tem que correr. Se não existe a fome, é quase um morrer. É na sede que não se pode ceder. É que quando é pra acontecer, a gente só precisa comparecer.
 
Porque existem as vontades. E elas são fome.
Porque existem os destinos. E eles são norte.
Porque existem os avisos. Asas de sorte.
 
Ou não. É que quando existe a dúvida, você tem que escutar. É que quando dá bandeira, você se ajeita, mas se alguém te rejeita, você faz que aceita, porque existem as escolhas, e em alguma delas você vai sobrar. E se arder, tem que soprar. E se for de entristecer, a gente tem que fazer sementes pra renascer.
 
Porque existem os caminhos. E eles não param.
Porque existem os carinhos. E eles falham.
Porque existem os enganos. E como eles falam...
 
 
É que quando o coração bate, você tem que respirar. É que quando está frio, você conhece o arrepio. É que quando um coração se abre, você tem que ser doce. É que se existe o abuso, você tem que suspender o uso, é que quando fica escuro, você tem que se acender pra iluminar.
 
Porque existem os medos. E eles não tolos.
Porque existem as manipulações. E elas não são máquinas.
Porque existem as asperezas. E elas ferem as delicadezas.
 
 
É que realmente existe a beleza. E dela a gente quer a cama e a mesa. Precisa saber fazer sobremesa. Com calda de framboesa. Servir com a proeza de uma fina meretriz, sem perder a classe naquele triz que desperta as cenas, sereia, princesa, submissa, agressiva, ordinária, extraordinária como uma atriz.
 
Porque existem as fantasias. E elas são reais.
Porque existem as loucuras. E elas são divinais.
Porque existem as urgências. E não há tempo, elas são terminais.
 
 
É que existe a vida. E não tem como evitar as armadilhas. Os lobos uivam, eles precisam  seguir com a matilha. É que existem os sonhos. E eles devem ser acordados. Devem ser realizados. Os sonhos precisam ser superados para serem alcançados.

porque existe o sonho.
 
Porque existe você. E você é imenso
Porque existo eu. E eu sou mínima.
Porque existia um NÓS. E os nós, às vezes, nos largam à sós.
 
É que existe a vida. E a vida é assim. Porque existe o fim.
 
 
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