quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

17:29

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Não seria correto considerar que te chateio com meus escritos, considerando-se que aqui é a minha casa, e sendo minha esta casa, boto nela as cores que eu quiser. Falo as merdas que eu quiser. Subo o volume da música que eu preferir. Ando nua se assim desejar, grito, canto, danço na varanda pra Iemanjá, acendo mais velas que posso contar, durmo na sala, viro o quarto de lado, penduro coisas na janela, coloco toda teimosia pra cozinhar em banho maria enquanto tomo um banho de água fria pra me relaxar. Você pensa que eu sou vazia. Que eu preciso de você pra me preencher. Pra fazer acontecer. Como se eu não existisse...
 
EQUÍVOCO
 
Eu para comigo, encho de sentido cada fragmento que se sonhe vazio. Meu temperamento é o excesso. Minha virtude é a paixão. Minha única falta de medo é a solidão. Não sou só. Nem sozinha. Vivo em meio à mil companhias. Reais. Inventadas. Tenho virtudes aladas. Que me permitem ultrapassar. Nada passa. Só o que eu quero que passe. Daí é um sumiço sem volta. Se você está aqui é porque eu quero. Suspeito que quero demais. Sou eu que aguento os meus ais. Se tem visita, só posso dizer o reclame: _ desculpa a bagunça, senta ali, na balança, enquanto procuro uma bebida pra gente tomar. Água de cores. Uma jarra de vidro, agua com gás, e frutas coloridas dentro. Gotas múltiplas de limão. O acréscimo de álcool fica em suas mãos.

Não seria má companhia na sua vida. Pareço excessiva como uma invasão, mas é só uma impressão. Na verdade, gosto da introspecção. Se bem que teria aquela coisa da emoção, sei não, desconfio que seria sua do jeito certo. Pelo menos na minha imaginação. Que não aceita o não. Acontece de fulano querer sicrana, que quer beltrana, que sei lá, blablabla, o excesso de afeto dos outros me irrita também. Penso se os meus excessos de te querer soam incômodos, cômodo por cômodo confiro se deixo pistas de você, me alivio, mas não suponho, vai que né...

Você disse que me queria para além das minhas retinas. Queria sua a alma minha. Guardei esse dito. E nela você está. E em tudo mais como a canção que acabou de tocar. Nos meus lápis, sobretudo, Tenho muitos. Todos com a ponta sem apontar, alguns quebrados, de todas as cores, resolvo dar um trato neles, aproveito pra contar: 162 lápis de escrever. Todos apontados e distribuídos de forma bonita, bem na minha vista. Como são lindos. Como estão repletos de saber. De você!

Mas o que seria do lápis sem o papel... De onde conclui-se que tenho muito papel. Cadernos de capa-dura, muitos, agendas, pequenas, imensas, tenho a letra grande, corrida, ocupo um página toda só com meia dúzia de palavras, e ela só foi aumentando, a minha letra corrida de tanto escrever teu nome perfeito pra fazer par com o meu.

Embora não saiba o seu nome. O seu nome de dentro. O nome que te toca. O nome que chama. O nome que te desperta. O nome que te coloca em alerta. O nome que usas pra fazer serestas, pra atravessar as frestas que te consomem, coisa de homem essa coisa de não querer se envolver, desaparecer, deixar-se fazer crescer pra depois do susto ou do riso ou do gozo, sentir o vento soprando em seu rosto, chamando outros mundos pra explorar.

O que faria a diferença. O que te faria ficar. É uma pergunta que insiste na ponta dos meus lápis. Persiste em cada folha de papel em branco que eu volto a rabiscar. Teu nome. Quero o teu nome. O único nome de homem que me faz uma coisa na alma, e me arrepia cada centímetro de pele, pele em branco, minha pele, que você não quis explorar.

Não vou chorar. Não hoje. Não na semana de Iemanjá. Não quando penso que a vida é um ir e vir constante. Não quando eu me sinto assim, flamejante de lembranças, e a casa é minha, e eu faço nela o que eu quiser. Escrevo seu nome na paredes. Desenho corações. Estrelas. Lua. Céu. Desenho o vento que te leva, desenho o vento que não te traz. Escrevo meu nome junto ao seu. Esse mundo aqui é meu. Esse mundo agora é seu. Um pedaço seu que virou meu, esbreveje você quanto quiser, não se entra na alma de uma mulher insana sem assobiar e chupar cana, faço a cama que continua sendo o seu lugar,  o seu trono, o meu sonho, sim meu SONHO, todo mundo sonha, me deixa sonhar em paz, tanto faz se você me engana,  olhar o infinito, os atritos que fazem a energia navegar, eu nem ligo, mantenho a chama acesa, porque eu quero assim, porque eu sou assim, e porque  só eu sei o que você significa pra mim.

Eu amo o infinito.
Eu tenho um infinito em mim.
E é um infinito de você.



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Um comentário:

Sara S2 disse...

Impressionante. Esse texto sou eu. Sinto e passo pela mesma coisa.