terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

17:52

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Choveu sexta. Choveu sábado. Choveu domingo. Segunda e terça e ainda chove. Novembro. Dezembro. Chovia naqueles dias também. Janeiro. Fevereiro. Águas de Março fecharão o verão. Nova estação. Outono. Retorno da calma. Uma coisa mais lenta pra dar tempo pra alma. Pro coração.
 
Esse órgão vermelho. Da cor das paixões. Logo as folhas das árvores seguirão. É muito chão. Pra um só coração. Percebidas mudanças se perfazem. Tudo é fase. Metamorfose. Muitas faces. Pra um único ser. Quantas caras já tive...
 
O rosto. Tem coisa mais linda no mundo do que um rosto... Os olhos, a boca, a composição tão harmônica, e única. Essa barbaridade de gente que tem mundo, gente que já partiu desse mundo, CADA UM com sua face. Diferente e especialmente original.
 
E para cada rosto único, fases. Rosto de bebê. Tem coisa mais flor do que um rosto que acabou de nascer... a cara da novidade no mundo, minha mãe sempre fala que eu era cor-de-rosa, com chuquinha, que é aquele punhado de cabelinhos  amontoadinhos no alto da cabeça. Minha vó, minha madrinha, sempre dizia, a menina mais linda que o mundo viu nascer em Maio. O mundo dela no caso, que fique claro.
 
O rosto da infância. Aquele par de olhinhos arteiros, descobridores de uma coisa nova por segundo. O sorriso sem dente. Banguelas criancices. Olhar as fotos e ver tantos rostos e um único rosto ao mesmo tempo. A gente passando pelo tempo a se transformar no presente, na coisa de agora, um mesmo rosto pra tanta história.
 
Rostos que se cruzam. Olhos que se olham. Mundos que melhoram nas esquinas dos encontros, e alguns rostos que nunca mudam, ficam retidos na memória, guardados num canto do coração, não o vermelho órgão, mas aquele que deve existir no meio dos olhos, no campo pineal, onde ninguém é igual e onde a vida contempla o permitido. É quase surreal. Senão, pensa...
 
Assim passa-se a vida. Entre faces, entre fases, entre rostos que vimos hoje e  não mais veremos amanhã, ou sim, depende, do que resta, do que embeleza, do que se mantém, do tanto de amorosidade que se preserva, do tanto de suavidade que se cultiva, do tanto de delicadeza que faz-se roda, viva, rostos que amamos, em alguma fotografia bonita, sempre estará lá, no canto esquerdo do peito, a pulsar.
 
Pulsar novembros, dezembros, anos, inteiros, estações, todas, chuva sol, rostos, todos, no mundo, únicos, passando ao sabor do tempo, esse elemento que nos muda. Nos muda. E há de ser para melhor!
 
 
 
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