domingo, 21 de fevereiro de 2016

20:22

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Achar um novo tom. Permitir-se continuar. Sob a condição de mudar. De dar uma nova cara pra coisa toda. Sem mudar tanto.
 
O tempo é hoje, e hoje, todo mundo fotografa. Todo mundo escreve. Todo mundo lê. Todo mundo é poeta. Todo mundo faz prosa e verso. Todo mundo é réu confesso. Da sua loucura. Da sua bravura. Da sua fúria. Da sua feiura.  Da sua própria loucura. Talvez a coisa toda até nos cura. Da realidade. Nos acrescenta alguma habilidade pra tocar o bonde, já que dentro e fora nunca se acharam tão longe. Tão distantes.
 
Escrevo por lucidez. Faço o caminho inverso. Revelo sem nada revelar. Aqui e ali. Só eu me completo. Porque conheço o trânsito. E imagino ser parecido pra todo esse mundo dessa gente que tira fotografia da alegria, que escreve fantasias e faz rimas e prosas e abusa do direito de se expressar no que fazem é muito bem.
 
Eu gosto da loucura. No escrever. Mas tem quem, nem. Sempre tem aquela fiscalização que é o cão. Dia desses veio um "disinfeliz" me cobrando o seguinte:
 _ mas tu só pena no virtual!. PQP!, eu devo merecer, né. Em tempos em que tá todo mundo pelado por dentro e fora pra todo lado, criatura vem me cobrar que eu escrevo sobre penar.
 
Meu!!!! Tu quer que eu escreva sobre o que... sobre as minhas facilidades adquiridas ao longo da vida, quer eu escreva sobre a linda sacada de onde escrevo agora, sentada sobre um monte de almofadas macias e coloridas, uma linda árvore de fundo, frondosa, imensa, e as luzes bonitas da cidade onde me encaixo sem precisar correr mais do que uma quadra pros afetos, pros concretos, papo reto, felicidade a gente vive, se fosse pra falar amenidades eu estava no tal FB postando fotinhos de viagem, de festa e os escambáu a quatro...
 
O que mais me espanta é a audácia das pessoas em se sentirem a vontade pra te questionar, enquanto a pouca vida que levam nada tem a expressar.
 
Desabafo. Nem era pra isso que ia escrever. Mas aí você pensa em escrever e lembra da vigilância, vem a irritação e quando vê, fala demais. E não quero, além do mais.
 
Quero ficar aqui bem tranquila, falar as abóboras as couves as batatas que eu quiser, e amanhã acordar pro meu dia e assim sucessivamente até quando Deus quiser.
 
Oras, pois!
O fato é que a crítica foi contundente. Gargalhada. De novo. Again!
Estava, anterior a essa chatice, decidida a perceber a poesia nas coisas mais simples. Dar um tempo na loucura, me permitir a frescura de escrever, por exemplo, que mudei os cabelos.
 
Cansei deles rebeldes. Lavava, batia com os dedos e deixava secar ao natural, o que revelava uma cabeleira rebelde e louca. Cansei. Estavam parecendo minhas ideias. Rebeldes e loucas. Agora estão lisos. Uma seda. Compridos. Acastanhados com reflexos dourados. Bem comportados. Como por dentro. Tentando me comportar.
 
Ontem fui ao salão. Mãos e pés. Depilação. Sobrancelhas. E banho de luz nos cabelos. Enquanto chovia uma chuva calma de tarde inteira. Delicia de frescura. Uma tarde toda no salão. Um exercício interessante de observação de comportamento. As mulheres chegam com seus rostos já exaustos de uma semana toda em suas lidas, pra se entregarem aos tratos, e quando saem, saem tão bonitas, o sorriso volta, toma-lhes as mãos até a porta.
 
Melhor coisa de ir a um salão. ALGUÉM LAVAR SEUS CABELOS. A coisa mais calma e relaxante da vida. Quer dizer. Tudo bem, tem outras coisas, mas não vem ao caso. Ou vem... Na intimidade de dois amantes, coisas inusitadas, delicadas, como fazer a barba do seu amado, ele lavar os seus cabelos, massagem de olhos vendados, opa!, nada de enveredar pra esses caminhos, só queria escrever um pouquinho, ainda que tão fútil pareça, até que o melhor aconteça, e me faça relatar a loucura engrandecida de uma história que deseje ser contada em prosa e verso, dentro e fora, imaginária ou real. Paradoxal.
 
Licença de Domingo, perdão aos incomodados, um beijo à quem passar. Espero não incomodar. Mais. Ninguém. Amém.
 
 
[Olhando bem, você vê além]
 
 
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