domingo, 6 de março de 2016

15:50


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O lado bom da crítica repetida e repetida e repetida é que você acostuma com ela. Vira balela. Se expor é um lance sacana. Quase uma auto sabotagem. No início parece que falta peça na engrenagem, mais aos poucos você percebe até vantagem e rola solto na bobagem.
 
Não fazer sentido é libertador. Conhecer o que pensam de você, idem. E vice e versa. Versos livres. Rimo e sou o que quiser.
Sou puta, pergunta, _ Sou puta. Sou dramática, pergunta, _sou dramática. Sou paranóica, pergunta, _sou paranóica. Sou sem noção,pergunta, _ sou sem sem noção. E danço até o chão. Perde tempo criticando, não!, sou um caso sem solução.
 
Por isso, dou-me o direito de falar do que eu quiser, inclusive de AMOR. E sem pedir licença. O verbo amar é meu. Tanto quanto seu. E de todo mundo. Ninguém é dono do verbo, talvez dos advérbios, mais ou menos ébrios, falo e faço o amor que puder.
 
Embora dele, do amor, saiba quase nada.
 
Sei, ou desconfio, do que ele não seja, e com certeza amor não é ter que mudar. Se você não pode ser amada como é, então, é furada. Roubada. É fim da estrada. Ou encruzilhada. Muitas vezes é o que acontece, a gente vai seguindo, tentando fazer bonitinho, e a bifurcação surge:
 
ser ou não ser,
quem sou ou quem deveria ser,
mudar pra agradar ou se autenticar...
 
 
Quem ama agrada. Mas não TEM QUE agradar. Quem ama não prende, mas também não afasta. Quem ama quer se surpreender, mas também quer ser surpreendida.
 
Me lembra o verbo PROSTITUIR.
Algo em troca de algo.
 
Amar é pra sorrir. Isto tem quem ser fato. Se não for, vira relato de dor e tristeza por não aceito como se é. Coisa de mané.
 
Mudar é importante. Evoluir. Melhorar. Se estender. Perceber e ir além. E o amor nos permite isso. O que não significa sem limite.
 
 
ás vezes a gente cruza com uma pessoa que parece uma ave rara, voo lindo, asas longas, canto sereno, sedução sem fim, e a gente quer amar aquele pássaro, a gente quer pra perto, a gente quer pra gente, a gente quer porque quer. Só que às vezes, a gente não é da mesma espécie. A gente é uma ave mais calma. Mais casa, comida e roupa lavada. Mais um do outro. Mais démodé. Mais antiquado. Nossas asas são normais, nosso canto até desafina, não tem como virar ave de rapina da noite pro dia, nem do dia pra noite, nem tem por onde. Não bate. Não rola. Não combina. Cada macaco no seu galho. Amor não se presta a quebrar galhos.
 
Então você aprende que não tem como.
 
 
Aprende que, às vezes, ou até, frequentemente, querer não é poder. Não tem como se adulterar, se macular, se judiar em nome do amor. Porque não deve ser disso que se trata o amor. 
 
Penso até que o amor parte do pressuposto de um SIM.
Sim, você é doida, mas eu gosto da sua loucura. Não quero te empurrar goela abaixo uma cura. Quero te abraçar e mergulhar na sua loucura. Amor é complicado demais pra gente ainda por cima ter que se mutilar. TER QUE ACEITAR. Amor é aceitar e ponto. E não 'ter que'.
 
O que tem é que ser bom. Ser junto. Ser querer por perto. Ser preferencial. Ser diferencial. Ser desejo. Ser ansiedade. Ser ciúme, sim, ciúme medido, porque pouco caso no amor não existe, querer pra si coexiste.
 
Amor é sem cabimento, e é de um descabimento sem tamanho pensar que o amor aguenta a ausência tanto quanto supor que não vai haver dor quando se é preterido.
 
Amor te faz, sempre, PREFERIDO.
o MAIS QUERIDO. o ser mais que bem vindo.
 
Se não for assim, não é amor. Nem pra um, nem pra ninguém.
 
E amor que suga o natural do seu ser pode ser chamado de tudo, menos de amor, coração!
 
Surpreendente é o nome da LIÇÃO.
 
 
 
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