segunda-feira, 21 de março de 2016

23:01

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Parece que ontem foi o dia da Felicidade. Hoje, segundo consta, é dia da Poesia. Parece, inclusive, que todo dia é dia de alguma coisa. Boa. Faz sentido. Comemorar. Se eu pudesse inventar um dia para alguma coisa, inventaria o dia das Mãos. Dadas.
 
Senão penso: Quando penso em mãos penso logo em carinho. Porque tudo que é carinho passa necessariamente pelas mãos.  A comida, as casas, as poesias, os contratos, os agrados, a cura. Pelas mãos nascem os bebês, pelas mãos, por cada par de mãos passa a construção de uma história. Histórias de conquistas, de batalhas, de avanços. Grandes e pequenas coisas começam a se concretizar pelas mãos.
 
 
As mãos que obedecem aos pensamentos. Penso no grande, e nos delicados gestos das mãos. Como tem amor nas mãos... O amor, esse convite da paixão pra se estender e ficar nas mãos de alguém. Pro querer. São as mãos que acenam de longe o símbolo do que vem pra ficar. Tem felicidade nas mãos. E dizem que ela ali está. Em nossas mãos...

Felicidade. Quanta felicidade já não passou pelas palmas das mãos de cada um... Quanta poesia foi escrita no alto das noites, lápis, papel, um teclado, AS MÃOS, ponte que nos permite expressar para além das palavras, no GESTO. De abraçar. Porque o abraço começa nas mãos. De pegar o telefone, e teclar. Mãos chamam.São as mãos que enxugam as lágrimas do rosto, e perfumam a pele do corpo. São as mãos que convidam. São as mãos que aceitam.
 
Mãos divinas. Mãos feridas. Mãos deviam ser sempre o bem, embora hajam para o mal. Pensamento, pés, boca, olhos, regidos. Tudo tem lado. Tem movimento a ser escolhido. Mãos. Feitas para o belo. Poderia... Mãos - convite. Porque convite é pra ser pra algo bom. Ninguém convida alguém para algo que não se justifique honrado:
_ vem faxinar comigo aqui em casa, hoje!, ou _ vem fazer as contas aqui comigo, ou _ vem se foder comigo pra eu não me foder sozinho!..., não, convite é coisa boa que pressupõe honraria. Como as mãos. E a felicidade. E a poesia.
 
E as mãos, ali. Em convite. Me dê suas mãos, vamos ver o sol nascer. Me dê suas mãos, vamos dançar até a música cansar. Me dê suas mãos, vamos sair pelas ruas e sentir a chuva nos lamber vontades. Pelas mãos selam-se intenções, pelas mãos passam correntes, pelas mãos conectamos o corpo ao corpo desejado, com as mãos sentimos tudo que é amado.
 
Amor é uma coisa de mãos. Vivas, às mãos. Dia do amor. Vivas, ao amor. Todo santo dia. A gente junta as mãos sem sentir e faz pedidos. E fala com elas. E come com elas. E sente com elas. E convida com elas. Nasce na alma, pega o trem dos pensamentos, e vem até elas, o comando, os convites, os gestos de amor.
 
Amor amplo. Variado. Irrestrito. Tanta gente. Tanto amor. Tantas mãos. Entrelaçadas. Às vezes, afastadas, nem por isso, não sonhadas, o toque, o delírio, a aproximação, o calor que vem das mãos, e que a gente passa, transmite, emite, nas mãos, o convite é pra fazer de todo dia, dia de amor.
 
Dias de amor. Dia das mãos. Mãos que se dão. Convite:
Aceita, ou não...
 
 
 
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