terça-feira, 15 de março de 2016

23:19



Nostalgia. Deve haver uma definição precisa por aí, mas por aqui, nostalgia é uma sensação do que poderia ter sido se fosse o eu de hoje no comando do ontem.
 
Porque no frigir dos ovos, mal um minuto chegou e já passou a bola pro próximo minuto, pro outro, e o próximo,  assim ininterruptamente, ininterrupta_ mente,  adoro essa palavra, ininterrupta, que pra mim significa que nunca cessa, que nunca nunca para, nem pra respirar.
 
Mas acaba. E a vida continua. Ainda que nula. Anula. São só tempos de nostalgia. E parece meio que pra todo mundo. Embora , não.
 
Tudo tão chato. Tudo tão definido. Tudo tão passageiro. Nada permanece. Tudo já é ontem. Tempos chatos onde todo mundo sabe de tudo. Política. História. Poesia. Ética. Psicologia. Medicina. Arte. Comportamento. Amor.

A NOVIDADE. A NOVIDADE. A NOVIDADE.


Até da dor todos são especialistas. Sobraram poucos anarquistas. Idealista natos, hoje, um bando de ingrato, todos a cuspir nos pratos em que não tenha sido um banquete, fartaram-se. Falta senso. Falta imenso, sangue nas veias que pulsou em outrora quando a hora cabia na hora.

Roubaram das horas a primazia. Escravos da alegria. Efêmeros. Ligeiros. Fagueiros. Trapaceiros. Traficantes de ilusões. Roubaram o dom da retidão. O posto do coração. A qualidade mudou de mão. Contramão.


[o que me faz lembrar de uma palavra recente: SAGACIDADE. Seus sinônimos, agudeza, manha, malícia, aptidão para aprender por indícios. Vontade de vomitar quando penso nessa palavra dos espertos. Dos sagazes. Ama-se o sagaz. Linda! Sagaz!
Parece o oposto da palavra ingenuidade, que de repente, parece ser a palavra errada, a qualidade retardada, a palavra da hora é sagaz. Socar a cara, dizer o que der na telha, ser categórico, dono das verdades, teóricos de araque, meia pataca, é disso que você gosta, SAGACIDADE. parabéns! ]


Nostalgia é coisa de gente esquisita. Que sobra. Que resta. Que não se encaixa nos moldes sagazes dos jogos vorazes que urgência se faz que se atrasem as horas, que volte o tempo, que regrida a história, embora equívoco notável, a história só se repete, de trás pra frente, de frente pra trás, rumo aos céus ou aos confins dos infernos dantescos onde deitaremos nossas carcaças, os bobos, os puros sem pudor, os que cultivaram o erro, o grande erro de sentir sem medir. Os despudorados de coração. O chão. Dê-se razão à

Darwin. Os fracos devem ser eliminados, os fortes perpetuem a espécie. Os sagazes. Os valentes. As grandes mentes. Que dizem coisas enormes. Que provocam nestes corações pequenos interrogações que podem soar estranhas, mas nascem das entranhas, a gente não tem manha, mas sonha, onde é a porta de saída, abrimos mão de despedidas.


Tomaram o posto dos poetas. Roubaram as palavras. Encheram de arrogância as letras. Não se faz mais poema, os sagazes controem TEOREMAS. Descobriram ao Santo Gral. São eles mesmos, os sem igual. Os raros. Nós, os ratos. Em venenos. Morreremos. Nestes tempos ligeiros, nesses tempos traiçoeiros, até pra ser poeta você tem que ser  MAIS, o nome da rosa é sagaz.


[MAS A GENTE SABE DIZER FODAM-SE!, MESMO QUE PAREÇA DOR DE COTOVELO, QUE SEJA, SAIBA DESSA DOR]



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