quinta-feira, 21 de abril de 2016

00:33

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Sempre maior se faz o que já se foi.
Palavras antigas. Vespertinas.
Matutinas.
Mas ainda é noite.
E espreita.
 
Nas noites onde todos os gatos
são pardos.
E todo azul, escuro.
Um manto repleto de estrelas,
enquanto uns dormem,
outros não,
insônias em vão,
 
Rondas.
Silêncios que falam mais,
passos madrugam janelas
cortinas camuflam rostos
rostos que não escondem
delírios repetidos
antigos, repassados,
 
De um tempo a outro,
sonhos,
De um sonho a outro,
convulsão,
De uma paixão a outra,
a permanência de uma
ou outra,
exaustão.
 
Sempre maior é o que resta.
O que foi, não.
O que fica é encanto.
Lavado em cachoeira.
Águas que não lavam,
correnteza que não leva
leva lava leve brisa
sopra outra aurora
 
Noite, meia,
lua cheia de pudor,
quanto amor uivando
ao seu redor
à alguns, já conhece
de cor,
de cores e rumores de
que por ali,
uma alma
duas almas
150 almas
vezes 1000 outras tantas
 
tateiam vidros,
soltam gemidos de dor
algum prazer de supor
em vão, então
ouvem-se passos,
em todo canto uma sombra
sua nuance,
sua sombra,
 
sempre tem alguém ali,
por alguém aqui,
e versos, vices,
versam enredos, desejos,
imensidões,
 
 
debruçam-se parapeitos
trancadas janelas
soltas promessas
o anel, o motor, o avião,
 
que pende,
que ronca,
que voa,
 
e este chão, que é espaço
que recebe e solta e chama
águas,
ventos,
elementos,
passagens,
 
todos prontos pra viagem,
de dentro,
o apito noturno do guarda
que sonha, e lembra
também, de alguém,
denuncia
afugenta
 
 
imperceptível presença,
fantasmas de almas amantes
de dias
de noites
de fins e começos
e danças e tropeços,
 
todos salvos,
todos sãos,
faz-se alta, a noite dos
suspiros não reprimidos
 que serão,
mas exaustos bocejam,
 
é o tempo
que ronda e não traz,
passos atrás, a frente, rente, quase se sente
 
 
insistente o sonho
real, palpável, e um sono
que não é fadiga,
é apenas o alivio de não ter
sido percebido,
 
o íntimo caminho
percorrido.
 
 
 
*

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