sexta-feira, 22 de abril de 2016

17:22

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Tardes solares,
outonos que se recusam,
amarelos perpétuos,
 
tudo pede frescor,
e uma nudez refrescante
suave chama chega brisa
 
 
escancaradas janelas
apressadas preces pra ficar
prolongar
permanecer
a beleza aguda das tardes
de sol de
um outono vadio
adiando o frio de dentro
de fora,
corações aquecidos
querido
outono,
 
tarde,
faça-se tarde a frieza,
a esperteza,
faça a fineza de ficar
e resgatar o que o calor
 
de um verão gelado
onde nada aqueceu,
doeu, vira a página,
guardo os livros pra depois,
 
um xodó pra mim,
tardes de luz,
amarela nudez
que resta, brilha, reluz
 
o corpo que cintila,
há estrela,
há fases, e lua,
há urgência em estado de
paradoxo,
sossegada,
como quem vive sem viver,
 
estado de sim,
estado de flor,
estado de ser oque seria,
amada,
 
mesmo sem estar aqui,
quem, alguém, ninguém,
 
 
toda materialidade presente
pressente
que ausente é só um estar
do não estar,
estás,
 
mesmo que não,
mesmo que além,
 
minha boca,
minha pele,
minha cor,
minha sombra está alegre,
 
lá, de onde está, reflete,
tudo suave e leve como este
verão outonal, casual,
desigual,
 
você é mais lindo de longe
você faz amor comigo
na mente,
não mente,
ardente,
feito a tarde onde faço
da nudez,  poema líquido,
sem busca,
sem sentido de ser, sendo
 
 
sem procura, puxo
pra soltar o ar bem devagar
como quem sabe que
vai amar,
amando,
 
 muito nua. E crua.
 
 
 
*

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