quarta-feira, 25 de maio de 2016

17:17


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Chega um momento em que você não escreve mais de forma prática. Não é um movimento que intencione alguma coisa. Nada nem ninguém. É você com você mesmo. Apenas. É libertador. Você olha para as consequências e sorri porque elas podem seguir livres,  tudo não passa de um pequeno segundo retido nas letras. Apenas isso.
 
Olha o tamanho do Universo. Agora olha para as linhas. Tudo e nada ao mesmo tempo. Nada demais num mundo tão descomunal de grande.
 
E você passa a escrever apenas para organizar a sua mente. Um terceiro universo. Só que do lado de dentro e sem mais.
 
O que a gente pensa é a coisa mais doida do mundo.
Paro para botar reparo no que se passa em minha mente nesse momento.
 
Absurdos inomináveis tomam de assalto o Brasil varonil, pobre Pátria mãe, esfaqueada por todos os flancos, noticias estapafúrdias confundem nosso tempo, destaques para personagens sombrios e vulgares, o fim de uma possibilidade de firmação, internet sendo usada para transmitir crimes ao vivo, pedidos de perseguição aos pensadores, censura dessas pessoas, o mal permeia, ronda, e infelizmente, começa a mostrar sua cara, descaradamente.
 
Assusta. Será que o que era visto como uma conspiração, é de fato, um fato...
 
Toda essa gente no meio desse mecanismo ultrajante de tornar nosso solo um reinado, uma corte de fazer corar a republiqueta da bananas, das pipocas, dos personagens bizarros, toda essa gente tem família, tem pai e mãe, filhos, deita de noite pra dormir, tem travesseiros de penas de gansos, e dormem, e acordam, e fazem parte do mesmo mundo que a gente.
 
É TÃO ILÓGICO.
 
 
O pensamento salta para uma tentativa de fuga. Para onde fugir. Onde encontrar asilo para uma vida sem esses sobressaltos contínuos, esses assaltos à nossa soberania, à nossa dignidade, que tempos serão, pra onde fugir, lembro do Mujica, o adorável ser humano que completou 81 anos de uma vida honrada, ele e seu país tão calmo e lúcido.
 
O que eu poderia fazer da vida no Uruguai. Pesquisar.
 
Putz, tenho tanta resistência em mudar...
Sou do signo de Touro. Fiz aniversário esses dias. Nada demais. Parabéns e tal. Meu presente para mim mesma está à caminho. O que lembra futuro, e dá receio. Como fazer planos nessa mundo de Deus...
 
Planos. Não gosto dessa palavra. Muito fria. Meta também não. Sonho, a palavra é linda, mas o Universo dos sonhos, bem, quem haveria de querer sair do mundo dos sonhos pra vir parar aqui nessa terra insana, né...
 
Nem planos, nem metas, nem sonhos.
Intenções, não. Desejos, não.
 
Não sei que nome dar ao que pretendo realizar.
Mas tenho coisas que quero fazer.
 
A musica que toca na rádio muda meu foco de pensamentos. Me lembro do pensamento mais insistente dos últimos tempos, e todas as variações. E oscilações. Lugar cativo. Interessante como esse bichinho mimado que sou por dentro gosta de zanzar por certo pensamento. Dureza de segurar.
 
 
Volto à musica.
Nome da musica: DERRENTENDO SATÉLITES.
Uma das minhas musicas prediletas. Sou simplinha. Ou não.
Pedaço da letra:
 
" onde sua mão está agora,
a minha você sabe bem,
quanto mais tempo demora
mais violento vem..."
 
Uau!
 
A d o r o  essa musica.
Acho sensual, erótica, íntima, imagino esse diálogo entre dois amantes, e a cumplicidade que precisa haver para que haja a intimidade solta, sem pudor, sem freios, sem filtros, entregues...
 
Sexo é aquele pensamento que tem seu lugar cativo em todos os universos mentes, quem diz que não, mente, senão...
 
 Tudo gira em torno do sexo:
 
sexo e fome
sexo e sede
sexo e prazer
sexo e amor
sexo e poder
sexo e dor
sexo e medo
sexo e vida,
 
 
O sexo que eu penso é um universo malemolente. Quente e intenso. Lento e urgente. De beijos de corpo inteiro, e alguma coisa à mais. Só minha. Cá dentro ele é das coisas mais bonitas. Um pedaço de paraíso almofadado, perfumado, de passeios percorridos de dentro  pra fora, de fora pra dentro, de uma conexão onde até as partículas lilases da vida gozam felizes.
 
Pois é. Pensamentos saltitantes. Um sucedendo ao outro, terreno de altos e baixos, de felicidades imensas e mágoas, de mergulho e de recuo, de sorrisos e aflição, de uma ansiedade galopante feito um cavalo selvagem, e de ventos e de brisas, de mares e tempestades, de memórias e feridas, de coisas pequenas e queridas, de planos metas e sonhos, um universo de intenções.
 
Pensamentos de inverno. Quentes ideias. De saudade. E temperança. Tem som de criança. Espoletas e fogos de artificio. De canções e poesias, de ideologias, de montanhas e asas, de sossego e corpos refastelados, de céu azul, de uma praia mansa, de uma casinha de janelas imensas, o cheiro de algo bom de comer, vindo de uma cozinha barroca, um bolo, talvez um peixe cozido com ervas na folha de bananeira, uma voz linda chamando pra mesa de toalha colorida e louças brancas, e umas cortinas de tecido transparente  lembrando a gente que aquele ali é  um lugar só nosso, um mundo e meu convidado. O mundo convida.
 
O mundo. Dos mil e um pensamentos. Que não param. E que escritos parecem até mais bonitos e convidativos.
 
Voltemos à vida.
 
E que ela viva. E vivas! Viva o que é dito. E viva o que é entendido. Viva o que a gente não vive mas sonha. E viva o que a gente nem sonha que pode viver. Viva a força do que tem que ser.
E que os dias sejam assim,  mais território para o que nos faz BEM.
 
 
 
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