domingo, 26 de junho de 2016

23:59

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Eu rezo. Não exatamente de um jeito padrão, mas eu rezo. E creio. Rezo para o pai e a mãe do Universo. Porque acredito que são duas forças que realizam juntas. Entrego minhas aflições e meus agradecimentos todos os dias ao Universo. E rezo de todos os jeitos e em todas as crenças. Tenho meus santos preferidos, tenho figa, trevo, patuás, uso fita vermelha no pulso, tenho medalhinhas, pulo pra São Longuinho que sempre me mostra onde perdi as coisas, e dou, sim, três pulinhos quando acho. Gosto de orixás, sou fascinadas por Kaballa, por quântica, por bons pensamentos, por energia, ando com a palavra EGRÉGORA na mente, e sobretudo creio nas forças de ser uma pessoa do bem, comigo primeiro, e com todos na medida do possível.
 
[porque, às vezes, os serumaninhos forçam uma barra que só por São Expedito, no caso, o santo das causas perdidas]
 
Hoje fui na capelinha. Uma capelinha de onde a gente nunca sai sem a certeza de que a semana será de graças. Não necessariamente de alcançar, mas a graça de saber enxergar a dádiva onde nem sempre ela pareça estar.
 
Em frente ao altar da capelinha tem um vaso grande. De barro. Ali, os fiéis que desejam podem deixar bilhetinhos de toda sorte, com suas intenções, pedidos, agradecimentos e tudo que se possa sonhar. Nos dias 18 de cada mês, faz-se a queima desses pedidos meninos numa fogueira chamada de Aliança do Amor. É tão poético. O fogo tornando chama os pedidos que viajam até o Universo para se encaixar nas egrégoras da vida.
 
 
Já perdi a conta de quantos pedidos fiz. Agradeço sempre. E me surpreendo comigo quase nunca. São sempre as mesmas causas. Mas não hoje.
 
 
Hoje eu refleti um pouco mais. Sobre pedir. Sobre agradecer. Sobre sonhar. Sobre os passos. Sobre a vida. E percebi que me repito sem mudança, e que só a mudança me trará certas curas que necessito. Preciso me curar daquilo que em mim parece inesgotável, a ingenuidade e aquele sonho. Preciso me curar de mim mesma. E estabelecer uma nova de mim. Para que algo novo aconteça e que esse novo não seja a repetição do mesmo, e que algo mais saudável, livre e lindo desponte.
Primeiro em mim. Agradeci hoje, muitas e tantas coisas boas da minha vida. Mas fiz pedidos também. Os de sempre, aqueles essenciais da nossa vida, e um inédito que seria, deixar o que já passou lá, atrás, lá, naquele lugar onde não estou e não quero mais estar. Pedi pra esquecer. E agradeci, antecipadamente porque sei, que alguma hora distraída dessas, esquecerei.
 
 
Depois disso fui ao shopping e comprei três novas roupas lindas pra mim. Um vestido estilo anos sessenta, listradinho em tons de azul. Uma blusa de tricô muito linda em tons de manteiga. E um casaquinho curto, básico, que é lindo e eu amei. Então comi pastéis de Belém, e voltei admirando as luzes da cidade, tudo um pouco mais quieto como são os fins de tarde aos Domingos.
 
Rezar fortalece. Talvez nem seja essa termo tão apropriado pelas religiões todas, rezar, talvez seja se visitar por dentro e se alinhar com algo, no campo das palavras, das intenções, dos sossegos e das pequenas alegrias que se ensaiam todo dia, e nem sempre a gente permite, entrar.
 
Que seja tudo lindo.
E que as más intenções não nos vejam nas bandas de cá.
 
 
Salve, Jorge!
 
 
 
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