segunda-feira, 27 de junho de 2016

11:11

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21:00



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Gostar também é saber a hora de parar,
mas sonhar com o seu alguém,
que não é mais seu
mas que algum lugar insano da sua mente
teima teima teima
em não admitir
 
um fim
 
precisa ser tolerado
até que haja um outro assunto mais irresistível
para ser deliciosamente
sonhado,
 
e que sonho lindo
fragmentos lembrados aos poucos
um chalé lá em cima
um lençol de nuvens cobriam o topo de uma montanha distante
e você sentado à porta
à espera
ao sabor do vento
que soprava
você me chamava
 
e
 
 no giramundo que o mundo resolveu dar
eu chegava lá
es estava lá
eu também te chamava
para um mundo de
 àguas quentes
que
selavam
NOS
 
 
Agora eu te pergunto,
tem como esquecer assim
(interrogação)
 
 
 
*
 
 
 
 
 


domingo, 26 de junho de 2016

23:59

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Eu rezo. Não exatamente de um jeito padrão, mas eu rezo. E creio. Rezo para o pai e a mãe do Universo. Porque acredito que são duas forças que realizam juntas. Entrego minhas aflições e meus agradecimentos todos os dias ao Universo. E rezo de todos os jeitos e em todas as crenças. Tenho meus santos preferidos, tenho figa, trevo, patuás, uso fita vermelha no pulso, tenho medalhinhas, pulo pra São Longuinho que sempre me mostra onde perdi as coisas, e dou, sim, três pulinhos quando acho. Gosto de orixás, sou fascinadas por Kaballa, por quântica, por bons pensamentos, por energia, ando com a palavra EGRÉGORA na mente, e sobretudo creio nas forças de ser uma pessoa do bem, comigo primeiro, e com todos na medida do possível.
 
[porque, às vezes, os serumaninhos forçam uma barra que só por São Expedito, no caso, o santo das causas perdidas]
 
Hoje fui na capelinha. Uma capelinha de onde a gente nunca sai sem a certeza de que a semana será de graças. Não necessariamente de alcançar, mas a graça de saber enxergar a dádiva onde nem sempre ela pareça estar.
 
Em frente ao altar da capelinha tem um vaso grande. De barro. Ali, os fiéis que desejam podem deixar bilhetinhos de toda sorte, com suas intenções, pedidos, agradecimentos e tudo que se possa sonhar. Nos dias 18 de cada mês, faz-se a queima desses pedidos meninos numa fogueira chamada de Aliança do Amor. É tão poético. O fogo tornando chama os pedidos que viajam até o Universo para se encaixar nas egrégoras da vida.
 
 
Já perdi a conta de quantos pedidos fiz. Agradeço sempre. E me surpreendo comigo quase nunca. São sempre as mesmas causas. Mas não hoje.
 
 
Hoje eu refleti um pouco mais. Sobre pedir. Sobre agradecer. Sobre sonhar. Sobre os passos. Sobre a vida. E percebi que me repito sem mudança, e que só a mudança me trará certas curas que necessito. Preciso me curar daquilo que em mim parece inesgotável, a ingenuidade e aquele sonho. Preciso me curar de mim mesma. E estabelecer uma nova de mim. Para que algo novo aconteça e que esse novo não seja a repetição do mesmo, e que algo mais saudável, livre e lindo desponte.
Primeiro em mim. Agradeci hoje, muitas e tantas coisas boas da minha vida. Mas fiz pedidos também. Os de sempre, aqueles essenciais da nossa vida, e um inédito que seria, deixar o que já passou lá, atrás, lá, naquele lugar onde não estou e não quero mais estar. Pedi pra esquecer. E agradeci, antecipadamente porque sei, que alguma hora distraída dessas, esquecerei.
 
 
Depois disso fui ao shopping e comprei três novas roupas lindas pra mim. Um vestido estilo anos sessenta, listradinho em tons de azul. Uma blusa de tricô muito linda em tons de manteiga. E um casaquinho curto, básico, que é lindo e eu amei. Então comi pastéis de Belém, e voltei admirando as luzes da cidade, tudo um pouco mais quieto como são os fins de tarde aos Domingos.
 
Rezar fortalece. Talvez nem seja essa termo tão apropriado pelas religiões todas, rezar, talvez seja se visitar por dentro e se alinhar com algo, no campo das palavras, das intenções, dos sossegos e das pequenas alegrias que se ensaiam todo dia, e nem sempre a gente permite, entrar.
 
Que seja tudo lindo.
E que as más intenções não nos vejam nas bandas de cá.
 
 
Salve, Jorge!
 
 
 
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sábado, 25 de junho de 2016

23:00

 




o
l
h
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r
e
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22:38

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mas tem sempre um azul
lá no fundo que insiste
feito um céu que conhece
o tempo das suas nuvens

[apesar das nuvens, o céu é sempre azul]



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19:44

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Coisa mais estranha essa coisa de escrever. Sentar num fim de tarde frio em frente a tela de um computador e fazer das mãos, ponte entre pensamentos e registro. Sem finalidade. Sem utilidade. E sujeito à riscos.
 
Tempos estranhos pra escrever. Ou todos os tempos sempre foram estranhos. Tanto quanto é o ato de registrar pensamentos.
 
Faz-se necessário em qualquer tempo dizer que toda a escrita é absolutamente PESSOAL. Ainda que não. Sempre. Somos personagens nesse mundo onde "o palco quase sempre está repleto de cacos de vidro."
 
Viver dói que é a porra. Dói ardido. Dói pra cacete. Mesmo quando estamos representando tão bem o papel a ponto de não nos darmos conta. Dói por dentro a vida que não existe fora. E dói por fora os cacos que ferem nossos pés de tantos passos.
 
Somos passos limitados. Não há querer que baste. Além dos cacos, usamos correntes. Que nos prendem ao transcorrer da história, e nesta história dificilmente temos o papel dos sonhos.
 
Meu papel preferido nunca será meu. Embora nem de papel se trate. Sou da coxia. Bastidores. Aquela turma transparente que cuida do som, dos figurinos, dos cenários, da limpeza, das cortinas, e que no fim do espetáculo volta pra casa contando trocados. Aff!
 
Quanto drama pra contracenar. Assisto daqui dos fundos o vai e vem das falas de tantos personagens que assisti nas sombras, suas representações, suas elegâncias, suas comicidades, seus excessos, suas gafes, e penso nos meus personagens favoritos, aqueles com quem sonhei dividir o palco, sem cacos, uma cena externa talvez, uma fantasia de uma hora de duração.
 
Quando fecho os olhos, nas noites que estão frias de alegria e penso em mim mesma, fantasio, crio, dentro da cabeça da gente somos a direção. Ou não. Não consigo mais companhia pra passar os textos que imaginei.
 
É tanto silêncio. A plateia está vazia. O teatro está no escuro. O palco deve ser varrido para os cacos de outro dia. Observo como é alto o pé direito de um teatro. É um céu sem escalas. Resta a luz das laterais das escadas. Parece que as estrelas caíram no chão. Apesar do frio não resisto e deito no chão do palco. Todos esses casacos amortecem o contato com os cacos do tablado.
 
Tento de todas as formas sorrir. Tento a esperança dos sorrisos. Lembro do exercício dos atores em frente ao espelho, caras ensaiadas para cada fala. Tão natural viver pra alguns... Respiro o ar gélido desta catedral e alternando o ritmo do meu próprio respirar, consigo me ver, só a mim, muito distante dali, no meu único papel,
 
desprovida de todos esses malditos casacos, sinto um calor na pele que não mais, meus cabelos esvoaçam com o vento, e é tão imenso aquele movimento dos meus cabelos, noto meus braços, meus passos, o silêncio cede espaço aos sons que me acalmam, o barulho do mar, chua chua chua, caminho interminavelmente em direção ao mar que está à minha frente, mas, nunca chego, nunca chego, posso sentir a maresia, sentir o perfume das águas salgadas, embora saiba que este sal é meu, escorre pelos olhos que não vêem senão o deserto de todos os tempos, um deserto sem miragem, embora haja sol, e ecos, meus. De tempos que não existiram. E nunca haverão de. Nunca foi verão. Nunca serei eu. Sempre serão os outros. E cada grão desta areia me cobra a passagem. Porque ardem sob os meus pés descalços, de onde me vejo novamente no palco, tirando os casacos, as meias, o sapato, tenho por baixo sempre um vestido branco, para a personagem que nunca serei, só tem rei e rainhas nesse palco vida onde não me acho.
 
INSTANTE REAL
 
Ao meu lado, o gato se aloja por baixo da manta. Como se aprendem coisas convivendo com um gato. Sua reserva, seu distanciamento, seu ir e vir livre de apegos, sua altivez, sua sensatez em se preservar, e sua agilidade em se mover. Mas creio que estou influenciando negativamente a altivez do meu bichano. Ele anda de chamego. Eu que penso. Pois  é só o frio mesmo.
 
OS GATOS, suas lições
 
Preciso aprender a calar. Preciso aprender a me colocar. Preciso aprender a me preservar. E preciso aprender a rezar. Porque tenho um pedido urgente aos céus:
Ajuda-me a não sentir, ajuda-me a sair das fantasias criadas, ajuda-me a esquecer, ajuda-me a resignar, ajuda-me A não doer, ajuda-me a entender que não é meu aquele papel. Ajuda-me a encasquetar que não nasci pra bem representar, nasci pra olhar, dos fundo, o movimento do mar. Do mar.
 
 
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